julho 31, 2007

Dormir mais feliz #5 *

Don't let your eyes refuse to see
Don't let your ears refuse to hear
Or you ain't never going to shake this sense of sadness




* Mom goes Polaroid




A Oeste


Colagem sobre Polaroid inutilizada

julho 28, 2007

Post ligeiramente optimista *


As seen here.

Afinal de contas, parece que o Verão chegou hoje a esta cidade e já se pode sair à noite sem o casaco pelos ombros e já podemos sentar-nos na esplanada sem começar a tremer de frio quando a noite já vai longa e ir dançar deixa de ser uma desculpa para ficar quente e passa a ser apenas prazer. E com isto tudo, podemos ouvir falar de canais de televisão para condóminos, podemos ensinar como se massajam as costas sem nunca revelar onde foi que aprendemos a usar primeiro a força dos dedos e depois o arrepio do toque, podemos vasculhar na roupa do verões passados pelas camisolas de que já nos esquecemos (dos verões ninguém se esquece). E podemos estar deitados à beira da piscina, a cismar que às dez da manhã já estão quarenta graus e que a tarde vai acabar por nos matar de calor, enquanto o meu pequenino de quatro anos entra dentro de água sozinho pela primeira vez e não tem medo de pisar o chão da piscina. E, enquanto o calor lá fora derrete o alcatrão e enquanto os grilos e as cigarras cantam depois da noite escurecer, conversamos muito. Falamos pelos cotovelos, gastamos todas as palavras que poupámos durante a semana, enterramos o nosso tempo em conversas que nunca vão chegar a lado nenhum, esquecemos o calor e trocamos de assunto a cada cinco minutos. Mas nem o calor faz com que todas as palavras que tenho na minha cabeça se materializem na minha boca e, enquanto falo, ouço o eco das palavras que ficam, das palavras que podiam mudar tudo. Hei-de guardá-las para um dia melhor. Ou isso ou ficarão definitivamente por dizer.

* porque nem só de chatices são feitos os dias.

Adeus Emigrante! / Summer Tinto Noya Festival


Só já faltam dois fins de semana para me ver estendida à beira de uma barragem qualquer ( local a definir, lá está)... Eu, que tenho tanto medo da água das barragens e de tudo aquilo que as suas águas cobriram (suspiro).

Os festejos devem-se a dois motivos diferentes. Uns acabaram o curso e estão prontinhos para ingressar no carrossel de frustrações que é o mercado de trabalho português; o outro vai deixar outra vez Portugal e fazer novamente (desta feita, a sério!) a sua vidinha em Bruxelas. Se por um lado estou contente por aqueles que agora deixam para trás e com saudades a vida de estudante, por outro estou ainda mais contente por saber que agora tenho um quartinho à espera em plena Europa central. A viagem está marcada, pelo menos mentalmente. Os 25 anos foram em Amesterdão, os 26 em Berlim, os 27 em Lisboa e os 28 serão em Bruxelas.

Fica-me cá um coração apertado que também queria ir embora. Para onde, não sei exactamente mas deixava de bom grado tudo para trás.

julho 26, 2007

Eu ainda não sei.



Sentada à janela, tento à força não adormecer com o computador no colo. Ouço o eléctrico a deslizar nos carris e os aviões a rasgarem o céu sobre a Lapa. Duas pessoas param a conversar debaixo duma janela: uma fala em inglês, a outra responde em português. Desvio as cortinas para deixar que o ar fresco atenue a minha transpiração. Estou suada e não consigo evitar suar ainda mais, é o Verão em que a purgação acontece assim facilmente. A mala ainda está por fazer: arrumados estão só a toalha e o biquini que vou usar quando o meu pai me levar à piscina (ainda hoje pensei como me apetecia que me levasse pela mão, como se eu não pudesse ainda pisar o Mundo sozinha). A televisão continua ligada sem que eu consiga ouvir o mínimo ruído, desligo-a quando forem horas de dormir. As pessoas podem ver-me, se quiserem, através de uma fisga entre as cortinas: há alguém que pára e fica a escutar mas esconde o olhar. É Verão aos poucos e há planos, muitos planos para dias de calor e de água e despreocupação. Só a música justifica esta sensação de vazio.


(Só precisei ouvir os primeiros acordes: soube de imediato que a iria ouvir em repeat. Colou-se a mim e apertou-me a garganta. Esta tristeza é das boas.)

julho 23, 2007

Por favor, digam-me que o dia acabou.

Definitivamente preciso de férias. Já não é só uma questão física, é um assunto do foro mental. Ultimamente, a minha vida tem sido um percurso em terreno acidentado mas o dia que vivi hoje ultrapassa já os limites do suportável e nem toda a boa vontade do Mundo me vai ajudar a trabalhar assim, todos os dias com esta gente a reclamar, a refilar, a responder mal, a desafiar a estima que tenho por eles. Esgotam-se os meus argumentos cordiais, cansa-se o meu sorriso, chega-me à raiva que não posso expulsar à garganta. E eu, que nem sequer sou uma pessoa boazinha, começo a sentir-me cada vez mais acima desta gente sem humildade, sem respeito pelos outros e sem um pingo de decência profissional.

Já não me apetece puxar pelas pessoas e oferecer-lhes a possibilidade de poderem brilhar. Também não me apetece ser tão liberal porque vejo que ali há muita coisa a acontecer à minha revelia. Mas há uma coisa muito positiva no meio disto tudo: deparo-me com a possibilidade de ver como as pessoas ocultam traços da personalidade sem que isso me possa, directamente, ser prejudicial. E se, como disse, não sou a melhor das pessoas, pior é ver como as pessoas se moldam ao seu interlocutor e deixam marcas totalmente distintas nas pessoas, sem que ninguém consiga perceber exactamente com quem está a falar.

O potencial de observação que a minha posição me proporciona é muito valioso. Não só consigo desmontar esquemas de incompetência na profissão, mas também consigo melhor compreender onde residem os meus erros de avaliação de carácter. E já errei imenso, muito mesmo - não só aqui, já falhei inúmeras vezes até chegar aqui. E sim, eu sei que isto nunca vai acabar; que , por muito que confie na minha intuição, vou ter sempre amargos de boca. Só me pergunto quando é que isso vai deixar de ser uma surpresa para mim, quando é que vou ser de tal maneira insensível que me basta um encolher de ombros para dissolver a desilusão. Como dizem os Interpol, e muito bem, permitam-me, I'm training myself not to care. E agora, se faz favor, digam-me que já é terça-feira. Por favor?

julho 21, 2007

Os Da Weasel é que o dizem.

Já que falo por eufemismos, gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti.

julho 20, 2007

Palavra de honra


Não consigo resistir-lhe. Penso em cada personagem dos Sopranos e é ele sempre o primeiro. É um sacana sem moral e sem escrúpulos mas completamente dedicado à família. É um furacão de reacções, impulsos e, muitas vezes, de ingenuidade. Não é bonito mas é definitivamente atraente: há um magnetismo no olhar dele que me prende ao ecran do computador onde agora recupero o tempo perdido. Quando ele estraga um negócio, quando não cumpre ordens ou quando grita sem razão - é quando ele transgride que me sinto mais perdida naqueles olhos inquietos. Pertence à (minha) categoria de homens (ou personagens) feitos para dominar, falta-lhe a piedade e a misericórdia dos homens bons.

Há uma (gigantesca) parte de mim com queda para o drama.

julho 19, 2007


O pior acidente de viação de que me lembro ter assistido no cinema, com direito a desmembramento quase em câmara lenta; um grupos de mulheres (raparigas? gajas?) que desancam um tipo que quase as matava; o regresso de Kurt Russell, que muita gente dava como desaparecido; a auto-citação a meio do filme; e a banda sonora completamente sexy e destravada, como aliás a maior parte do filme.

Acho que precisava de uma coisa assim. Quando decidi ir ao cinema, nem estava muito convencida que ia ver o novo do Tarantino, apenas pensei que veria o que começasse primeiro. E, se é certo que a sala ficou surpreendida com o final, eu ri-me bastante e fiquei presa ao filme nos longos momentos das perseguições (o que já quer dizer muito!). É que, depois de ver o Hostel, eu já esperava tudo. De pior, entenda-se.

As coisas no trabalho estão perto de me levar a uma apoplexia nervosa. Esta semana saem cinco pessoas (umas de livre vontade, outras convidadas a sair), o que significa que é urgente preencher vagas. Há um projecto da minha equipa a terminar amanhã e não sabemos se estamos preparados: achamos que estamos mas ali já aprendi que nada é garantido. A minha chefe hoje ia entrando em colapso com os nervos que algumas exigências mais mesquinhas lhe provocam (eu a ser a felizarda que puxou o assunto). Há vagas abertas para posições acima da minha mas nenhuma neste departamento. Se me serrassem ao meio, a sensação era igual: metade de mim quer concorrer, evoluir novamente e tentar chegar a uma posição onde não tenha só que sobreviver; a outra metade, a menos assertiva, não quer sair de onde está para não ter que começar de novo, conhecer pessoas novas, ser rejeitada por colegas novos.

Às vezes acho que já não chego para todas as perguntas que me colocam, para todas as vezes que me chamam para confirmar uma opinião já certa, para repetir o mesmo procedimento cem vezes por dia. Tenho a sensação que um dia mando um par de berros a alguém e puf!, lá se vai a Marisinha disponível, a enciclopédia andante e sempre pronta a esclarecer dúvidas e apaziguar ânimos, a pessoa que lembra toda a gente de jogar no Euromilhões e recebe o dinheiro e mete os boletins e organiza os presentes de aniversário... Há dias em que CHEGA. Há dias que me sugam toda a força com que me levanto de manhã. Há dias em que as pessoas podiam parar de pensar nelas um bocadinho e olhar para fora, perceberem que há problemas que afectam a todos, até a mim, vejam lá! Eu juro que chego todos os dias ao escritório com vontade de trabalhar e de fazer a diferença mas isso tem andado a esbater-se. E, se bem que com um ajuste, já estou como o outro: 90% das pessoas deste mundo não interessam a ninguém. A mim, pelo menos, não.

(não era este o post que tinha planeado mas, na verdade, foi o que me saiu dos dedos. viva esta espécie de associações livres!)

julho 18, 2007

(Outra) constatação de facto

Como na minha parede, há pessoas que simplesmente não consigo segurar na minha vida.

julho 17, 2007

It's hard to keep track of you falling through the sky *

Entre caracóis e cerveja, a constatação estranha ( e já gasta) de que agora somos adultos. Depois de virar a esquina para voltar para casa, a sensação de sermos juvenis quando lidamos com a maturidade *.

julho 16, 2007



A música chama-se Icct Hedral (de Aphex Twin), as fotografias são minhas

(porque o fim de semana foi de neura. porque são memórias recorrentes. porque há muito queria usar esta música em qualquer lado. há muito que a ouvi mas só agora descobri que gostava dela. não é uma questão de gosto mais ou menos requintado: agora sou é mais permeável)

julho 14, 2007

São dez da manhã e, assim que saio de casa, dou conta do calor - é o mesmo que me aquece o quarto o dia inteiro para não me deixar respirar à noite. Assim que chego, lanço-me para a água e nado um bom bocado, sempre sem vir à tona respirar. Toco na parede e faço uma pausa de segundos, torno a nadar. Olho para a pele do meu pai e vejo de onde me vem a cor, olho para a pele da minha irmã e pergunto-me de onde virá ela. Sento-me à beira da piscina e sinto uma brisa que podia deixar-me desconfortável mas que me deixa apenas fresca.

Deito-me ao Sol: gosto de estar assim, deitada apenas, sem nenhum objectivo debaixo deste astro alentejano (porque Sol como este não há em mais lado nenhum). Um insecto que não soube reconhecer deixa-me o seu ferrão entre duas veias e só dou conta depois da sesta da tarde. Lá fora, só se ouvem as cigarras e os grilos que alguém guardou numa gaiola, alimentados a alface. Hoje encho-me de recordações.

julho 11, 2007

Variações sobre um auto-retrato II *


Não há nenhuma ternura na forma como olhas para mim. Um dia, ela existiu e foi maior que tudo, maior que a nossa vontade de fazermos tudo funcionar. Também já não existe nenhuma ternura na maneira como te olho. Se alguma coisa restou, foi apenas uma indiferença que às vezes me esmaga e me impede de respirar e que me prende a esse olhar piedoso que me deitas agora.

O nosso último encontro fez secar o veio largo de onde jorrou um dia o nosso amor. Caminhava de cabeça baixa, como sempre costumo fazer para evitar o contacto com os outros mas levantei a cabeça no momento errado, no preciso momento em que atravessavas a rua, vinhas direito a mim, querias que eu soubesse que estavas ali e que não me guardavas nenhum rancor. Olhaste-me tão friamente, como se nesses olhos não pudesse mais ver um gesto de carinho, como se a minha imagem tivesse morrido em ti e tivesse apenas renascido para que a pudesses castigar. Eu fiquei com a sensação de que tinha conseguido disfarçar o incómodo. Mas tudo nos teus olhos me dizia que sabias precisamente o que estava a sentir e, mais uma vez, acusavas-me de qualquer coisa que não sabia definir apenas com o teu olhar.

Passaram só três meses, sabias? Passaram três meses desde que descobriste e desde que eu não soube como explicar. Não quiseste as minhas palavras mansas nem ouvir-me falar de perdão ou da improbabilidade do amor. Tantas vezes achei as palavras certas para me explicar, tantas vezes soube exactamente o que precisava de te dizer. Mas em todas elas estavas longe de mim e em todas também eu senti um imenso vazio, uma sensação de cansaço dessas palavras. Foram danos irreparáveis. Foi tudo demasiado rápido e, mesmo tendo achado a palavra certa para me desculpar, eu nunca quis estar novamente perto desse abismo que abrias à minha frente quando me olhavas daquela maneira.

Já só consigo ver-te ao longe. Não suporto engasgar-me mais nas desculpas que mastiguei, nas fábulas que inventei para te aproximar de mim, nos esforços esgotantes para te fazer compreender uma coisa que não quero que compreendas. A fórmula que encontrei para te manter mais perto é empurrar-te para longe antes que sejas tu a riscar-me do tempo presente. Destruí brutalmente o que sentias por mim. Por favor, deixa-me conservar a secura das tuas palavras.

* ficção sobre Untitled Film Still #58 de Cindy Sherman.

julho 10, 2007

Blá blá blá blá blá...

Eu até fui inscrever-me na junta de freguesia da Lapa mas a proximidade das eleições impede que eu exerça o meu direito (e dever) de voto. Eu acredito na participação de cada cidadão na democracia, mesmo que muitas vezes perca a esperança que alguma coisa vá mudar. E depois de ver debates como o de ontem à noite, com os candidatos à câmara de Lisboa, a minha fé nos políticos saiu ainda mais debilitada.

Para muitas pessoas da minha idade, a idoneidade e honestidade dos políticos são características que não existem. Talvez a geração anterior à nossa tenha visto à frente do país políticos com maior carisma ou com maior coerência, com mais vontade de debater ideias em detrimento de questões menores ou sem pertinência para a nossa vida. Eu compreendo porquê e às vezes também me canso de defender a importância que cada um de nós tem na vida política. Não é que eu viva a política intensamente mas chateia-me que as pessoas cruzem os braços.

Fiquei constrangida com o que vi ontem. Os representantes dos maiores partidos resolveram perder o tempo que tinham para apresentar propostas para desviar a atenção para questões fúteis e para trocar acusações infundadas; os representantes dos partidos com menor probabilidade de chegarem ao poder foram os únicos a apresentar propostas assentes naquilo que parecia um programa coeso e bem delineado; os representantes dos partidos da minoria ou dos novos partidos não traziam nenhuma ideia para o debate, demonstrando que estavam nesta corrida por motivos alheios ao destino de Lisboa. Um dos presentes mostrou mesmo que, para além de não ter qualquer programa eleitoral, não tinha sequer uma capacidade argumentativa que lhe permitisse esconder essa deficiência. A moderadora do debate assumiu um tom agressivo e duro, em muitos momentos excessivo e roçando mesmo o desagradável.

Reconheço que as circunstâncias do debate o tornaram num acontecimento sui generis: o facto de serem eleições intercalares que resultaram de uma câmara em clara falência e a opção de incluir todos os candidatos num único debate tornaram difícil quer a moderação, quer a exposição das ideias de cada um. Mas acho que, como eu, o cidadão comum só esperava que todos tivessem um projecto e que, mais do que isso, as suas intervenções fossem inteligíveis. A reabilitação da nossa confiança nesta classe política terá ainda que esperar. Talvez regresse quando se voltar a fazer política por paixão.

(Três dias são demasiados dias sem internet - espera-se que hoje seja reposta a normalidade.)

julho 06, 2007

Dormir mais feliz #4


Cinderella through the room
I glide and swan cause I’m the best slow dancer
in the universe

"Se te perderes entretanto, encontramo-nos no Miguel Ângelo!" *


Andei mais uma semana inteira a tentar sobreviver. A tentar constantemente convencer-me a mim mesma que isto de concertos e trabalho é perfeitamente conciliável, a fingir que posso beber cervejas de meio litro, deitar-me às três da manhã e acordar às sete fresquinha. Mas não é, consegui hoje concluir. Qualquer pessoa o podia ter concluído antes mas eu dei o benefício da dúvida ao meu corpo de velha de vinte e sete anos.

O casamento já me tinha esgotado algumas forças: ninguém consegue partir uma pista de dança e sair imune disso. De maneiras que o primeiro dia de concertos (a quinta-feira não conta) acabou comigo muito rabujenta mas muito feliz. Já tinha visto os Block Party no Coliseu mas este concerto pareceu-me melhor, menos em piloto automático mas em alguns momentos tornou-se aborrecido. Sem contar com a Two More Years, acho que o alinhamento foi cópia integral do outro concerto - neste campo também poucas novidades.

Mas depois tocaram os Arcade Fire (vénia). Ameaçava chover a qualquer momento mas não estava frio. Eu punha-me em bicos dos pés para tentar ver qualquer coisa e pouco conseguia - o jeito que me dava ter antes a altura de uma sueca qualquer. Abriram o concerto com Black Mirror e agarraram no público no primeiro acorde. Eu olhei muitas vezes à minha volta e o que via eram pessoas a gritar angústias, a deixarem sair segredos que pareciam estar guardados há tantos anos. Os Arcade Fire têm a chave para uma parte qualquer de nós: eu não sei onde fica ou sequer como se chama; só sei que é uma parte secreta que guarda o que nós não conseguimos dizer em voz alta. E depois foi tudo a cantar em coro, a chuva a querer cair mas a hesitar, o ritmo a querer que o meu corpo mexesse mais depressa. Seria perfeito se o cenário não tivesse sido um parque de estacionamento. Não: acho que mesmo assim foi perfeito.

Do segundo dia não guardo nenhuma memória porque não fui. O meu corpo cedeu, confesso. E pensei que não havia nada que me entusiasmasse. E depois soube do concertaço que deram os LCD Soundsystem. E fiquei bastante chateada, claro que fiquei chateada.

Ontem foi assim bom. Os The Gossip animaram o final de tarde, com a vocalista a esbanjar sexo na maneira como se movia em palco, o Pedro Mexia estava ali mesmo ao lado e eu com vontade de lhe ir perguntar se ele se sente realmente desencantado com este mundo como escreve, os TV On The Radio brilharam já a noite se começava a instalar. Mas depois... Há muito que esperava para ver os Interpol e dou todo o meu tempo por bem empregue. Há uma tristeza naquela voz, uma melancolia urbana, um desespero ou uma dor de amor que me fizeram fechar os olhos tantas vezes e me trouxeram demasiadas imagens de volta. Estarão de volta em Novembro e eu faço planos para os rever. Não cheguei a ouvir mais que um tema dos Underworld mas, do que ouvi, gostei. Quero mais música.

* ou a forma irritante como esta pessoa estava sempre onde nós estávamos

julho 01, 2007

É oficial: fui madrinha!

O grupo mais animado do casamento

O distinto casal de padrinhos do noivo

As garotas mais giras e sorridentes do casamento

Foi este fim de semana que o S. se casou com a S. Enfiei o modelito comprado em Badajoz, empinei-me nos sapatos de verniz demasiado altos e lá fui ser testemunha de mais um dia de felicidade, de alegria que nos contagiou a todos e garantiu um casamento inesquecível.

O dia começou muito mal, com um atraso no cabeleireiro que me deixou em estado semi-psicótico e que me impediu de estar com o meu afilhado na sua casa. Depois de superadas as dificuldades relacionadas com a minha extensa cabeleira, lá partimos para a Atalaia. O noivo estava mais nervoso que a noiva ou assim me parecia. Estar sentada mesmo ao lado dele durante a cerimónia significou que pude dar-lhe todos os olhares de reconforto possíveis. E assinar o registo simbolizou que agora existe entre nós um laço ainda mais forte que nos une para além da nossa (grande) amizade. Foi um momento feliz.

A quinta estava pronta para nos receber debaixo de um Sol que se revelou cada vez mais quente conforme o avançar do dia. Entre generosos gins tónicos, cervejas frescas ou águas com gelo e limão fomos fazendo a festa e preparando a noite que aí vinha. O facto de estar ao lado do noivo agradou-me muito: implicava que era sempre a terceira pessoa a ser servida e que as nossas necessidades eram sempre atendidas mais rapidamente. O serviço foi rápido e eficiente. Mesmo quando um dos empregados me perguntou quantas fatias de lombo iria desejar o meu marido...

A pista de dança foi nossa. Não porque a tomássemos refém ou porque a ocupássemos com rebeldia - simplesmente a vontade de dançar foi sempre muita e sempre constante, o que fez com que ficássemos conhecidos como os reis da pista. O trio de baile tocou muita música latina, muita salsa e rumba e pouca música pimba e isso foi muito bom. O senhor do orgão chegou inclusivamente a oferecer-se para tocar no meu casamento... Que supostamente será em breve porque, depois de obrigada a estar presente, fui eu que apanhei o bouquet da noiva. Eu não queria, juro. E mesmo quando a música acabou, mesmo quando os músicos arrumaram o seu estaminé a festa continuou. Já não sobravam mais convidados, apenas os pais dos noivos e mesmo esses foram embora antes de nós. Dançámos toda a música pimba que não tínhamos dançado até aí, cantámos o Boa Sorte até à exaustão e brindámos os noivos com a Cabana.. do José Cid. Foi pena não termos organizado uma prenda de casamento mais arrojada mas redimimo-nos: este casamento foi de arromba!