agosto 29, 2006

Não tenho grande força nem vontade para escrever. Não tenho fome, não quero ver ninguém mas se não escrevesse qualquer coisa ficava ainda pior. Já tinha tudo preparado, tudo imaginado e re-imaginado. A papelada estava assinada, a escritura era daqui a duas semanas. E agora a mulher que me ia vender a casa mudou de ideias. Apenas assim. De repente e sem mais nem menos. Já não tenho casa, já tenho despesas pagas ao banco. Fiquei só com uma grandessíssima dor de corno. Sem nada onde me agarrar, completamente suspensa no vácuo de um sítio que não é o meu sítio. Não há nada no momento que me possa fazer pensar que foi para o melhor, como também não há nada que me diga que começar tudo de novo, do zero vai ser fácil. A única coisa que eu queria, que venho querendo há algum tempo é parar e descobrir um sítio que é meu, um sítio onde levar quem mais gosto, uma maneira de a minha vida re-engrenar. E parece que estou ainda destinada a esperar. Porque pior do que não ter nada é sentir o gosto de alguma coisa, para logo a seguir te dizerem que era tudo mentira.