setembro 23, 2006

Good Riddance (Time of your life)


Um dia estava a pensar nos sítios onde gostaria de ir e dei por mim a pensar que o que gostava mesmo mesmo mesmo era de fazer outra road trip. Em 2003 alugámos um carro já em Espanha e estivemos 11 dias a fazer aquilo que nos apetecia, a parar nos sítios mais improváveis e mais turísticos e essas foram umas das melhores férias de sempre. Éramos quatro num Seat Ibiza, a brigar pela música que íamos ouvindo e a tentar não ser esmagados pela bagagem. Não tínhamos nenhum plano em concreto mas sabíamos que existiam 3 ou 4 sítios de paragem obrigatória e por isso não havia a pressão de ter que fazer alguma coisa em especial. Em cada dia conduziam 2 pessoas diferentes, houve até quem sonhasse conduzir em França (desculpa mas sabes que isso foi hilariante) e a quem calhou conduzir apenas em território espanhol. Dormimos nos parques de campismo mais exuberantes com o tempo mais instável da península, tomámos banho em praias verdadeiramente desertas, ficámos deslumbrados com o Guggenheim em Bilbau e com o ar veraneante e francês de San Sebastian. Em Madrid tivemos direito a orquestra sinfónica no parque de campismo, disputámos pacotes de sumo e comemos sandes na viagem toda. Mas quem é que pensa em conforto e estômago cheio quando pode ser totalmente livre?

E por isto tudo, quando há dias pensava no que me apetecia fazer, pensei novamente numa viagem longa. Pensei numa coisa feita sem pressa e sem visitar o óbvio ou o obrigatório. Quando dei por mim, já tinha comprado este guia e outro dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que percebi que me sinto atraída pelo país, que sinto vontade de o explorar e de o atravessar. Coast to coast foi o que me veio assim à cabeça. Os guias já estão comprados e em disposição de serem estudados, já comecei as minhas diligências para tentar encontrar os companheiros ideais para uma viagem assim. Só já me faltam os pormenores: muito tempo e muito dinheiro. Já imaginei as bandas sonoras, a pouca bagagem que tenciono levar, o meu deslumbramento. Não interessa que só daqui a muito tempo consiga ir. Não interessa que vá demorar uma eternidade a juntar esta quantidade de dinheiro, que não convença mais ninguém a partilhar este volante comigo. Isto já é um objectivo e com objectivos o caminho é menos duro e menos acidentado. Um dia destes vou estar lá, on the road.