A sexta-feira trouxe consigo mais uma actividade da empresa, que é como quem diz: enfiam-se quase todos os funcionários em autocarros, levam-se até um sítio seguro e mais ou menos deserto e deixa-se que a malta conviva enquanto participa em actividades ao ar livre. Eles chamam-lhe team building, eu cá digo que a fórmula disto é qualquer coisa do género
junho 25, 2007
Acho que é seguro dizer que sobrevivi.
A sexta-feira trouxe consigo mais uma actividade da empresa, que é como quem diz: enfiam-se quase todos os funcionários em autocarros, levam-se até um sítio seguro e mais ou menos deserto e deixa-se que a malta conviva enquanto participa em actividades ao ar livre. Eles chamam-lhe team building, eu cá digo que a fórmula disto é qualquer coisa do género
junho 20, 2007
Sobre coisas invulgares
A primeira coisa invulgar de ontem foi ouvir o meu pai dizer
Depois, houve aquele que considero o momento alto da minha semana. Estava sentada atrás deste mesmo ecran, enquanto os meus pais viam televisão na sala e ia relatando as minhas decisões: que tinha decidido comprar ao meu afilhado uma boneca insuflável, que precisava de descobrir uma loja online que fosse discreta. Que ele precisava de uma coisa assim antes do casamento, agora é que era a altura. E a minha mãe ia abanando a cabeça, ia sempre dizendo que sim e ia perguntando os preços (como se ela soubesse o que é razoável pedir por uma boneca insuflável...). E foi assim, com o alto patrocínio da senhora minha mãe, que comprei a primeira boneca insuflável da minha vida. E (espero que) a última... Não quero mais ter que escolher entre uma Pamela, uma morena, uma ruiva ou uma obesa... Não quero ter que optar ou não pela que tem um kit de reparação (o que quer que isto queira dizer...)
De maneiras que comprei esta menina. Chama-se Ramona (baptizei-a eu) e é uma excelente companhia. Agora o meu afilhado só vai ter que acompanhar a menina na noite de Sábado. E depois talvez montar-lhe um apartamento, que não me parece que a noiva vá gostar. Portanto, resumindo... Sex shop e a minha mãe a acenar. Eu juro que não esperava viver para ver este dia.
junho 17, 2007
Às vezes parece que a minha vida está a acontecer noutro sítio qualquer
You stood in my doorway smelling of cigarrettes and jazz
I wanted you to kiss me with your tongue of fire
I guided you slowly through a dark narrow corridor
We made our way through the path of desire
Your eyes said pleasure, mine just sparkled.
junho 15, 2007
E agora para a antítese...

Fiquei colada à televisão. Eu choro por tudo e por nada. E se não choro, fico muitas e muitas vezes com as lágrimas à beira de deixar os meus olhos. Foi o caso em demasiados momentos do filme: no momento em que a mãe olha, embevecida, o seu bebé no eléctrico 15; nos momentos angustiantes em que os emigrantes se sentam frente aos funcionários do SEF sem perceberem uma única palavra e sem que estes se dignem a admitir que não são compreendidos; nos momentos em que os brasileiros telefonam para casa e prometem bicicletas; nos momentos em que um professor de português para estrangeiros consegue um verbo conjugado da boca de um estrangeiro; ou nos momentos em que a funcionária de um posto médico ambulante se interessa pela vida de mais um paciente.
Em que parte das nossas vidas nos tornamos assim insensíveis? Em que exacto minuto passamos a virar a cara para o lado para não doer mais? Em que momento é que decidimos que os nossos males são suficientes? São demasiadas perguntas para quem tem uma vida para orientar e uma casa para pagar e bocas a quem dar de comer e férias para pagar em prestações suaves. Eu também não queria ser insensível mas é a única maneira de manter a sanidade. É a única maneira de sobreviver no meio de ruas onde a miséria espreita demasiadas vezes. É?
A felicidade é contagiante (?)
A vida ainda agora começou. Mesmo para nós.
junho 13, 2007
Dormir mais feliz #3

Bears and boulders vibrate through the air.
Gravity is dead, you see...
No gravity... all I need is beating red.
No gravity...
Os Santos [modo: telegráfico]
Descobrir a janela com a vista quase perfeita e contemplar a fronteira quase inexistente entre o azul do céu e o azul do rio. Gozar de muito boa companhia, com sotaque espanhol (de Saragoza) e com uma natural e espanhola queda para a cozinha. Minis Sagres, Couteiro Mor e Cubatas. Ruas cheias de gente: os mais eufóricos, os gelados, os pacientes, os sequiosos. O cheiro a sardinhas, a bifanas, a manjericos, a cerveja e a rio. Renunciar à multidão em festa, trocá-la por uma cambada de boches impacientes. Esperar duas horas por um táxi - sozinha, ignorando o frio que descia subtilmente, tentando não ouvir as conversas dos outros para não ter que rir. Três horas de sono, três horas muito curtas mas quentes, três horas que souberam a oito.
junho 11, 2007
Franchicola!
O meu gajo preferido faz hoje quatro anos! Não me ligou nenhuma ao telefone, como é óbvio: estava precisamente a desembrulhar qualquer coisa relacionada com o Spiderman. Espero que ele cresça com estes olhões lindos e com a genica que demonstra até agora. Não sei muito bem o que sinto por ele mas é qualquer coisa perto do amor :)Tacones Lejanos *
As compras foram relativamente pacíficas. Os meus pais deram-me uma mãozinha (sempre suspeita, porque eles acham que eu fico bem em qualquer trapo e de qualquer chanato) e fomos até Badajoz espreitar as modas. Como eu previa, comprei o vestido na primeira loja onde entrámos, em grande parte resultado da simpatia e da capacidade da vendedora em dar graxa descaradamente. Que sim, que aquele modelo me ficava bem, que sou nova e devia andar mais atrevida, que a cor me assentava lindamente. Esta enxurrada de elogios misturada com o efeito que a língua espanhola tem em mim nem me deixaram hesitar.
Mas o vestido é uma coisa. Outra coisa totalmente diferente é conseguir manter uma postura minimamente digna em cima destes saltos, tentando parecer (no mínimo também) normal. Já nem sequer falo do meu papel de madrinha, que (protocolo oblige) me obriga a estar deslumbrante. Manter uma postura erecta já será uma vitória gostosa. Entretanto, enfio os sapatos rasos num saquinho para poder dar cabo daquela pista de dança. Ah pois, que não serão uns saltos altos a estragar-me a festa.
* um belo filme do señor Almodóvar.
junho 10, 2007
As noites na Quina das Beatas III
Para acabar as férias em beleza, na sexta-feira tive a oportunidade de (re)ver os Vicious Five aqui. Foi uma noite atribulada mas em que parecia levitar (talvez já a adivinhar a semana de trabalho que amanhã começa...). Mais impressões sobre o concerto aqui. A vida normal tomará conta desta emissão dentro de umas horas. (suspiro)
junho 06, 2007
M @ cozinha III
Magníficos dias atlânticos pt. III
A parte boa da coisa é que tenho alojamento, sem ser incomodada por outros hóspedes. E ainda tenho direito a um tudo incluído espectacular sem precisar de andar com aquelas pulseiras irritantes. E ainda... Bem, não há espectáculos à noite neste estabelecimento. Pelos menos não há karaoke nem drag queens. A parte má é que não há mais ninguém a tirar férias na primeira semana de Junho e, portanto, quaisquer idas à praia ou a outros locais têm que ser pensadas no singular. O que até nem é mau. Numa forma extrema de pensar, assim eu garanto sempre que a companhia é boa. Ou não, não sei.
E pronto, lá vai a menina todos os dias de manhã para o outro lado do rio. Pego no carro, atravesso a ponte no sentido menos caótico e quando chego ao destino posso dar-me ao luxo de escolher o melhor lugar de estacionamento. Arrumo à pressa a tralha (comida, toalha e chapéu) e olho para a areia que ainda tenho pela frente - respiro fundo. Posso escolher o sítio que me apetece, o areal é extenso mas acabo por ficar sempre ao pé do mesmo casal de velhos e da Ana Malhoa (o tempo que estive a tentar lembrar-me de onde conhecia aquela cara...). Depois, é só passar o (obrigatório) creme, tostar (moderadamente) ao sol, arriscar um banho nas águas (frias) do Atlântico. E depois volto para casa antes do trânsito se complicar, sempre na faixa do meio na ponte porque tenho medo daquelas correntes. E, depois do banho, atiro-me a uma sesta. Esta vida de pobre tem coisas fantásticas, não é? (suspiro)
junho 04, 2007
junho 02, 2007
Podemos sentir saudades de quem não conhecemos?

Jeff Buckley, 17 Nov 1966 - 29 Mai 1997
Chegaste até mim numa cassete. Viajaste trezentos quilómetros dentro de um envelope porque ele dizia-me sempre Tens que ouvir isto. A acompanhar, vinha uma nota tão breve quanto enigmática que dizia You left stars in my belly.
É teu o disco que eu ouvi mais vezes na minha vida. São tuas as palavras que me feriam por serem tão certas mas que me consolavam por serem tão doces e tranquilas. Perdi a conta às vezes que ouvi as tuas músicas enquanto tentava não chorar ou enquanto me queria sentir protegida. Escreveste muita coisa que eu desejava ter posto em palavras mas não consegui ou não pude. A tua voz protegeu-me sempre.
Agora passam dez anos sobre a tua morte e eu sinto assim um vazio porque não te conheci em vida. Nunca tive a oportunidade de te ver num concerto ou de seguir a tua carreira de perto. O que me restou foi tentar saber quem eras antes de chegar a mim e guardar tudo como um tesouro. Vou recordar-te sempre assim, livre e sábio. Mesmo longe, continuaste a espalhar as estrelas por aí.
Mira Calix
Esta rapariga de ar cândido e delicado chama-se Mira Calix. Ou melhor, chama-se Chantal Passamonte mas responde agora pelo primeiro nome. Nasceu na África do Sul e pouco mais se sabe sobre ela - apenas que já trabalhou com nomes como Aphex Twin, Autechre e chegou mesmo a fazer tours com os Radiohead. Chegou ontem ao espaço café-concerto do CAEP muito discretamente, carregando a sua mochila onde certamente guarda muitos tesouros.junho 01, 2007
[modo : experimentar]

maio 30, 2007
Crisfal
Sempre fui muito céptica em relação à transformação do nosso cine-teatro num simples bar ou restaurante porque me parecia que iriam desvirtuar um edifício cheio de história. Ontem fui recebida nas instalações da nova discoteca/bar que ali vai nascer esta sexta-feira e posso fizer que fiquei maravilhada.
Tenho algumas expectativas em relação ao futuro deste projecto mas também algumas reservas. Se por um lado, é um conceito muito apelativo e (neste momento) único na cidade, por outro é um projecto de grande dimensão que poderá falhar exactamente devido ao facto de ser uma proposta demasiado arrojada. Podem espreitar aqui ou estarem presentes na abertura, já no dia 1 de Junho. Eu cá estarei por lá, desejando ao Crisfal e à A. longos anos de actividade com sucesso.
maio 28, 2007
Pelas terras do senhor Saramago
O começo destas duas semanas de férias foi... diferente. Rumámos até à Azinhaga, aldeia apelidada de 'mais portuguesa do Ribatejo', para as festas populares. Comecei, portanto, as férias com uma série de coisas às quais (normalmente) não iria assistir: largadas de touros, quermesses de igreja e ranchos folclóricos.
Sobre as largadas de touros, a minha opinião permanece intacta. Não gosto de largadas nem de touradas nem de picarias nem de corridas. Não suporto ver a forma como tratam os animais, mesmo que me justifiquem aqueles gestos dizendo que o touro, com os seus novecentos quilos de peso, não sente nada. Não aprecio os falsos gestos de coragem dos que fingem enfrentar o touro para, prontamente, galgarem as grades em busca da segurança. Posso até perceber que aquilo faz parte da tradição e que une a população em torno de uma actividade comum mas não consigo gostar. Não me peçam isso.
As quermesses da igreja não me despertavam muita curiosidade mas desta vez decidi participar. Voltei a ficar sem grande curiosidade quando, depois de setenta e tal rifas, saímos de lá de mãos a abanar. Não é engraçado.
Já os ranchos folclóricos tiveram em mim um efeito diferente. Acho que não me lembro de alguma vez ter estado num destes espectáculos de livre vontade, para realmente ver os ranchos. Desta vez fiquei e gostei bastante, para minha própria surpresa. Vimos as actuações dos ranchos de Vieira de Leiria, Nazaré, Quelfes e Azinhaga enquanto comíamos um churro recheado de chocolate. O rancho algarvio levava um conceito bastante diferente dos outros grupos, baseando a sua actuação no folclore misturado com um espectáculo de comédia. A média de idades de todos os ranchos era surpreendentemente baixa, o que acho um bom sinal: mantém-se a tradição que vale a pena manter.
E agora, se me dão licença, vou ali gozar duas semanas inteirinhas de férias. Que é como quem diz Vou ali mas já venho.
maio 25, 2007






