
Invades-me e eu deixo de existir.
Um dia quero voar e não regressar mais.
Os teus olhos presos nos meus.
Sou mediterrânea e morena, sou do Sul e do Sol.
Boa mesa, boa cerveja, bons amigos.
* e incompleto e vago e simplista mas não menos verdadeiro.

Se me querem ver contente nestes dias, é levarem-me a ver um chick flick. E então se tiver assim um tipo já com rugas, sorriso impecável, sotaque de cavalheiro britânico e um toque de anca fenomenal, ainda melhor. Se ainda juntarmos uma miúda que é do tipo linda-sem-precisar-ser-deslumbrante, música ao som da qual é impossível não bater o pé e uma história boy-meets-girl com a dose ideal de lamechice, então tenho a tarde feita. E não, não é preciso que o filme seja uma obra-prima. Nem sequer é preciso que seja um grande filme. Só é preciso que me faça sentir bem.
- E se eu fosse um peixe-lua?- Então eu seria uma faca bem afiada, rasgando-te durante quatro longas primaveras.
[Peixe Lua passou ontem na 2:. Acho que agora percebo porque é que tu gostas tanto do filme.]
Como sempre, tive vontade de escrever naquela hora. De dizer a melancolia que me ataca sempre que ouço estes acordes, sempre que ouço estas (poucas) palavras. E então se fingirmos que vale tudo e que as coisas nunca mudaram? E o que vai acontecer se eu confessar a minha falta de aptidão para ver além de ti? E se eu tivesse para te dizer todas estas notas, ordenadas desta maneira exacta e brutal, nesta amálgama de sons e de coisas que eles sentem enquanto estão a tocar? Mais ninguém na sala sente isto da mesma maneira dolorosa que eu sinto. Ninguém sente dor. Sentem apenas na pele um excesso de décibeis, um desconforto simples de resolver, uma preguiça do ouvido. Não quero mais sentir que vos ignoram e que ignoram, ao mesmo tempo, a minha dor. Sempre que vos ouvir a tocar esquecerei esta pressão de existir. Batam com violência na tarola, revirem a guitarra nesta solidão profunda que nos ataca no interior. Estamos sozinhos e gostamos. Ou não gostamos mas simplesmente não conhecemos outra maneira de sentir.
Nunca hei-de conseguir exprimir o que sinto pelos Linda Martini. Não é simpatia e não é estima. Não é solidariedade por serem portugueses. É apenas gratidão por musicarem o que eu sinto sem me perguntarem se é assim. É apenas a doce sensação de fazerem música violenta mas não para os ouvidos, apenas para os sentidos. Um dia, vou conseguir ver além deste estado final de melancolia que me abate. Eu quero engrossar as fileiras deste exército. Eu quero não sentir-me só. Por enquanto ainda estou.
Os Linda Martini tocaram na Quina das Beatas, em Portalegre.
Only meet new people . Only wear new clothes. Only give to new beggars. Only think new thoughts. Only eat new food. Only read new books. Only browse new websites. Only watch new channels. Only visit new places. Only make love to new bodies. Only buy new furniture. Only dance new moves. Only listen to new music. Only discuss new topics. Only dream new dreams. Quando saí, já pingava lá fora. Durante largos minutos encostei-me à porta do prédio e esperei que passasse mas não valeu de nada. Esta noite, como tantas outras noites, lembrei-me que choveu em todos os dias que estivemos juntos. Disse-te isso uma vez mas tu encolheste os ombros e disseste que não ligavas nenhuma a estes sinais. Mas eu sim, eu sei o que eles querem dizer-me.
Hoje quis dizer-te que ficava, que afinal não quero nem posso dormir sozinha naquela casa vazia mas não consegui. A minha boca ainda se entreabriu mas não saiu um som sequer. Nem um murmúrio nem um sussurro nem uma palavra dita baixinho. Nada. Estavas sentado na poltrona a fumar, estavas despido e com frio mas o cigarro não te deixava voltar para a cama. Quando te levantaste hoje, sem sequer dizeres uma palavra, pensei que nunca mais me ia estender na tua cama. Mas eu tento enganar-me e convencer-me que és assim, que és um tipo de poucas palavras, que falas melhor com as tuas mãos do que com a tua boca e no final é mesmo assim. Eu estou ligada a ti apenas pelo corpo. Não existe nada mais que possamos partilhar - apenas um par de suspiros suados.
Prometi que um dia destes deixo de cá vir. Levantei a gola do casaco devagar, sem saber se me quero realmente proteger da chuva (como não sei se me quero proteger de ti). Saí de tua casa demasiado dormente e não consegui apanhar o último autocarro para casa. Em vez disso, chamei um táxi e fui beber um copo. Sentei-me ao balcão e senti que toda a gente olhava para mim. Acho que tinham tanta pena de mim que nem ousaram aproximar-se. Só quando saí é que me apercebi que ninguém sequer tinha notado que eu estava ali sentada. Apanhei um táxi e deixei o taxista falar o caminho todo. Secretamente, estava a debater cá dentro se amanhã te ligo primeiro ou se vou directa para tua casa.
A minha amiga J. mima-me. Não só me convidou para conhecer a sua nova casa, como também me presenteou com mais um dos seus jantares deliciosos. Chegados a Algés demasiado atrasados, demos com a casa cheia, um Benfica já com um pezinho na próxima eliminatória da UEFA e uma garrafa de Monte Velho já aberta. E, se há coisa que consegue reunir estes amigos, essa coisa é qualquer ocasião em que estejamos todos sentados à mesa.

Eu nem gosto dele por aí além. Fisicamente, quero dizer. Olho para o rapaz e as minhas hormonas quase não reagem - não é definitivamente o meu tipo. Mas confesso que ele canta coisas que me deixam a pensar duas vezes nesta não-atracção que sinto por ele. Contas feitas, depois de ouvir vezes sem conta o rapaz a cantar sobre coisas da carne, sobra-me uma pontinha de atracção. E não, não estou a falar de amor e dessas coisas melosas. Estou simplesmente a falar de sexo. As palavras fazem maravilhas, não é?Os únicos planos que tinha saíram-me muito bem. Levei o papá ao estádio ver o Benfica na Taça Uefa, dificilmente teria encontrado uma prenda de anos melhor. Passámos algum frio, roemos muito as unhas mas lá saímos contentes da catedral. Se há algum motivo para eu ser uma lampiã(ona?) empedernida é este senhor aqui. E com muito gosto.
(antes do jogo começar assistimos a dois pedidos de casamento no relvado. Olho para os noivos no ecran gigante e fico desconsolada - consigo imaginar poucas coisas menos românticas. À saída, tentamos contrariar a corrente para voltar para casa. O teu perfume assalta-me demasiadas vezes entre a multidão - é estranho como o cheiro nos faz reconstituir momentos até ao mais ínfimo pormenor. Mesmo assim, o S. Valentim foi um senhor simpático e fez-me chegar flores num envelope. Saldo positivo, então!)
