junho 25, 2007

Acho que é seguro dizer que sobrevivi.

Hoje disse a alguém que já não tenho idade para certas coisas. Salvaguardando os devidos exageros, às vezes sinto que é mesmo assim - acho que não me vou suportar logo quando chegar aos trinta.

A sexta-feira trouxe consigo mais uma actividade da empresa, que é como quem diz: enfiam-se quase todos os funcionários em autocarros, levam-se até um sítio seguro e mais ou menos deserto e deixa-se que a malta conviva enquanto participa em actividades ao ar livre. Eles chamam-lhe team building, eu cá digo que a fórmula disto é qualquer coisa do género

conhecer malta nova + actividades ao ar livre = - trabalho

Este ano a coisa foi mais radical. A primeira vez que deitei olho às actividades programadas pensei que não ia participar em nenhuma. Quase todas implicavam estar num sítio demasiado alto para mim e achei que não teria coragem. Só se escapava o tiro com arco e com besta e, mesmo assim, não era nada garantido porque nem sabia se tinha jeito. Mas a ideia de passar tempo com outras pessoas, mexer-me e jantar com elas agradava-me e confirmei a minha presença logo no primeiro dia.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

O resultado é que participei em tudo, não me esquivei a nada: caminhada de quatro km com orientação GPS, rapel, escalada, slide e tiro com arco e besta. Se me dissessem há uns tempos que estaria pendurada por uma corda, a alguns metros do chão e apenas dependente de mim ia com certeza achar que a pessoa estava maluca. A nossa equipa obteve um honroso segundo lugar e sempre deu para conhecer malta que vemos todos os dias por ali. Só por isto eu esqueço o suor e o pó que se tinham tornado na minha segunda pele, os nervos que senti quando comecei a descer a parede de escalada e a dor de costas e braços que ainda hoje tenho. Perder medos é bom.

junho 20, 2007

Sobre coisas invulgares

O Super Panda há muito que se queixa: a pintura está a ficar roída, não tem antena há anos (graças a uma pessoa que eu cá sei...). Agora deu-lhe para ficar rouco e fazer as viagens inteiras engasgado. Ele continua a andar e continua a ser o meu carro preferido de todos os tempos e eu continuo a ter grandes planos para ele mas o mecânico disse que o que ele tem se resolve muito facilmente... com um carro novo! Claro que ainda o vai tentar salvar, vai usar o equivalente a um desfibrilhador para carros (neste caso, uma caixa de velocidades nova) e dar mais alguma esperança ao meu menino.

A primeira coisa invulgar de ontem foi ouvir o meu pai dizer

Olha, nós levamos o teu carro para Portalegre. Ficas cá com o meu e leva-lo no Sábado.

Como diz? A mesma pessoa que, quando anda comigo a conduzir, finca bem o pé no chão, tentando travar. A mesma pessoa que, quando anda comigo a conduzir, acha que vou levar todos os espelhos de todos os carros com que me cruzo. A mesma pessoa que tem a tentação de (ainda) me orientar o volante nas curvas. Hum. Eu desconfio desta valente manifestação de confiança e sorrio secretamente a pensar na maravilhosa viagem que vou fazer, confortável e certamente a mais quilómetros por hora.

Depois, houve aquele que considero o momento alto da minha semana. Estava sentada atrás deste mesmo ecran, enquanto os meus pais viam televisão na sala e ia relatando as minhas decisões: que tinha decidido comprar ao meu afilhado uma boneca insuflável, que precisava de descobrir uma loja online que fosse discreta. Que ele precisava de uma coisa assim antes do casamento, agora é que era a altura. E a minha mãe ia abanando a cabeça, ia sempre dizendo que sim e ia perguntando os preços (como se ela soubesse o que é razoável pedir por uma boneca insuflável...). E foi assim, com o alto patrocínio da senhora minha mãe, que comprei a primeira boneca insuflável da minha vida. E (espero que) a última... Não quero mais ter que escolher entre uma Pamela, uma morena, uma ruiva ou uma obesa... Não quero ter que optar ou não pela que tem um kit de reparação (o que quer que isto queira dizer...)

De maneiras que comprei esta menina. Chama-se Ramona (baptizei-a eu) e é uma excelente companhia. Agora o meu afilhado só vai ter que acompanhar a menina na noite de Sábado. E depois talvez montar-lhe um apartamento, que não me parece que a noiva vá gostar. Portanto, resumindo... Sex shop e a minha mãe a acenar. Eu juro que não esperava viver para ver este dia.

junho 17, 2007

Às vezes parece que a minha vida está a acontecer noutro sítio qualquer


You stood in my doorway smelling of cigarrettes and jazz
I wanted you to kiss me with your tongue of fire
I guided you slowly through a dark narrow corridor
We made our way through the path of desire
Your eyes said pleasure, mine just sparkled.

junho 15, 2007

E agora para a antítese...





Só no Domingo passado tive a oportunidade (não foi a primeira nem a segunda oportunidade mas a preguiça daria tema para um post inteirinho...) de ver Lisboetas, o documentário de Sérgio Tréfaut sobre a gente que abandona o seu país e vem ser alfacinha. Por um lado, fiquei contente por ter adiado isto até agora: tenho a certeza que, se tivesse visto isto na sala escura de um cinema, teria passado o filme inteiro a chorar ou com um apertado nó na garganta que me ia sufocar se não abandonasse a sala a correr após o fim. Mas, por outro lado, senti o alívio final de quem consegue algo que há muito desejava. E eu desejava mesmo ver isto. Mesmo que tenha deixado todas as oportunidades fugir...

Fiquei colada à televisão. Eu choro por tudo e por nada. E se não choro, fico muitas e muitas vezes com as lágrimas à beira de deixar os meus olhos. Foi o caso em demasiados momentos do filme: no momento em que a mãe olha, embevecida, o seu bebé no eléctrico 15; nos momentos angustiantes em que os emigrantes se sentam frente aos funcionários do SEF sem perceberem uma única palavra e sem que estes se dignem a admitir que não são compreendidos; nos momentos em que os brasileiros telefonam para casa e prometem bicicletas; nos momentos em que um professor de português para estrangeiros consegue um verbo conjugado da boca de um estrangeiro; ou nos momentos em que a funcionária de um posto médico ambulante se interessa pela vida de mais um paciente.

Em que parte das nossas vidas nos tornamos assim insensíveis? Em que exacto minuto passamos a virar a cara para o lado para não doer mais? Em que momento é que decidimos que os nossos males são suficientes? São demasiadas perguntas para quem tem uma vida para orientar e uma casa para pagar e bocas a quem dar de comer e férias para pagar em prestações suaves. Eu também não queria ser insensível mas é a única maneira de manter a sanidade. É a única maneira de sobreviver no meio de ruas onde a miséria espreita demasiadas vezes. É?

A felicidade é contagiante (?)

Seis da tarde.

Na avenida Fontes Pereira de Melo um casal de noivos beijava-se, encostado a um poste. Atravessar a avenida foi uma aventura para a noiva que segurava desajeitadamente a cauda do vestido. Eu não conseguia descolar o meu olhar deles. As pessoas que por eles passavam não conseguiam evitar olhar para trás. Os condutores traziam todos um sorriso nos lábios.

A vida ainda agora começou. Mesmo para nós.

junho 13, 2007

Dormir mais feliz #3


When we kiss, when we kiss
Bears and boulders vibrate through the air.
Gravity is dead, you see...
No gravity... all I need is beating red.
No gravity...

Os Santos [modo: telegráfico]



Descobrir a janela com a vista quase perfeita e contemplar a fronteira quase inexistente entre o azul do céu e o azul do rio. Gozar de muito boa companhia, com sotaque espanhol (de Saragoza) e com uma natural e espanhola queda para a cozinha. Minis Sagres, Couteiro Mor e Cubatas. Ruas cheias de gente: os mais eufóricos, os gelados, os pacientes, os sequiosos. O cheiro a sardinhas, a bifanas, a manjericos, a cerveja e a rio. Renunciar à multidão em festa, trocá-la por uma cambada de boches impacientes. Esperar duas horas por um táxi - sozinha, ignorando o frio que descia subtilmente, tentando não ouvir as conversas dos outros para não ter que rir. Três horas de sono, três horas muito curtas mas quentes, três horas que souberam a oito.

Se isto dos Santos não é Lisboa, então não sei o que será.

junho 11, 2007

Franchicola!

O meu gajo preferido faz hoje quatro anos! Não me ligou nenhuma ao telefone, como é óbvio: estava precisamente a desembrulhar qualquer coisa relacionada com o Spiderman. Espero que ele cresça com estes olhões lindos e com a genica que demonstra até agora. Não sei muito bem o que sinto por ele mas é qualquer coisa perto do amor :)

Tacones Lejanos *

Eu olho e (re) olho para eles e respiro fundo. O casamento está quase aí à porta e eu ando a contar os dias que faltam não exactamente para o casamento, mas para o dia em que vou ter que andar encavalitada neles.

As compras foram relativamente pacíficas. Os meus pais deram-me uma mãozinha (sempre suspeita, porque eles acham que eu fico bem em qualquer trapo e de qualquer chanato) e fomos até Badajoz espreitar as modas. Como eu previa, comprei o vestido na primeira loja onde entrámos, em grande parte resultado da simpatia e da capacidade da vendedora em dar graxa descaradamente. Que sim, que aquele modelo me ficava bem, que sou nova e devia andar mais atrevida, que a cor me assentava lindamente. Esta enxurrada de elogios misturada com o efeito que a língua espanhola tem em mim nem me deixaram hesitar.

Mas o vestido é uma coisa. Outra coisa totalmente diferente é conseguir manter uma postura minimamente digna em cima destes saltos, tentando parecer (no mínimo também) normal. Já nem sequer falo do meu papel de madrinha, que (protocolo oblige) me obriga a estar deslumbrante. Manter uma postura erecta já será uma vitória gostosa. Entretanto, enfio os sapatos rasos num saquinho para poder dar cabo daquela pista de dança. Ah pois, que não serão uns saltos altos a estragar-me a festa.

* um belo filme do señor Almodóvar.

junho 10, 2007

As noites na Quina das Beatas III



Para acabar as férias em beleza, na sexta-feira tive a oportunidade de (re)ver os Vicious Five aqui. Foi uma noite atribulada mas em que parecia levitar (talvez já a adivinhar a semana de trabalho que amanhã começa...). Mais impressões sobre o concerto aqui. A vida normal tomará conta desta emissão dentro de umas horas. (suspiro)

junho 06, 2007

Dormir mais feliz #2

Yet my hands are shaking
I feel my body remains, time's no matter, I'm on fire
On the playground, love.

M @ cozinha III

Já que hoje estamos numa de posts de séries aqui fica também o terceiro desta saga na cozinha. Deixo-vos a fotografia do meu jantar de hoje: uma salada com alfaces (sim, o plural é intencional!), alperces, queijo mozarella fresco, cenoura ralada e azeitonas. Pode temperar-se de variadas formas, eu escolhi o molho de iogurte. Digam lá se com este calor não apetece uma coisa mais leve... Bom apetite!

Magníficos dias atlânticos pt. III


Esta coisa de ser pelintra, como a maior parte de todas as coisas, tem o seu lado bom e o seu lado mau. Ser pelintra significa, no meu caso, ter duas semanas de férias mas não ter dinheiro suficiente para fazer uma viagem, um passeiozinho sequer. Eu bem vi catálogos de agências de viagens e fiz muitas muitas contas ao dinheiro que ainda me sobrava e não - definitivamente não dava para nada. Tinha sempre a opção de me endividar, como grande parte das pessoas fazem (ai, é só mais uma prestação para podermos ir para aquele hotelzinho, sabes? aquele...) mas achei que uma dívida já me chega, especialmente quando é daquelas para toda a vida. De maneiras que... fiquei por casa.

A parte boa da coisa é que tenho alojamento, sem ser incomodada por outros hóspedes. E ainda tenho direito a um tudo incluído espectacular sem precisar de andar com aquelas pulseiras irritantes. E ainda... Bem, não há espectáculos à noite neste estabelecimento. Pelos menos não há karaoke nem drag queens. A parte má é que não há mais ninguém a tirar férias na primeira semana de Junho e, portanto, quaisquer idas à praia ou a outros locais têm que ser pensadas no singular. O que até nem é mau. Numa forma extrema de pensar, assim eu garanto sempre que a companhia é boa. Ou não, não sei.

E pronto, lá vai a menina todos os dias de manhã para o outro lado do rio. Pego no carro, atravesso a ponte no sentido menos caótico e quando chego ao destino posso dar-me ao luxo de escolher o melhor lugar de estacionamento. Arrumo à pressa a tralha (comida, toalha e chapéu) e olho para a areia que ainda tenho pela frente - respiro fundo. Posso escolher o sítio que me apetece, o areal é extenso mas acabo por ficar sempre ao pé do mesmo casal de velhos e da Ana Malhoa (o tempo que estive a tentar lembrar-me de onde conhecia aquela cara...). Depois, é só passar o (obrigatório) creme, tostar (moderadamente) ao sol, arriscar um banho nas águas (frias) do Atlântico. E depois volto para casa antes do trânsito se complicar, sempre na faixa do meio na ponte porque tenho medo daquelas correntes. E, depois do banho, atiro-me a uma sesta. Esta vida de pobre tem coisas fantásticas, não é? (suspiro)

junho 04, 2007

Dormir mais feliz #1


I dreamed you were a cosmonaut
of the space between our chairs
and I was a cartographer
of the tangles in your hair.

junho 02, 2007

Podemos sentir saudades de quem não conhecemos?


Jeff Buckley, 17 Nov 1966 - 29 Mai 1997

Chegaste até mim numa cassete. Viajaste trezentos quilómetros dentro de um envelope porque ele dizia-me sempre Tens que ouvir isto. A acompanhar, vinha uma nota tão breve quanto enigmática que dizia You left stars in my belly.

É teu o disco que eu ouvi mais vezes na minha vida. São tuas as palavras que me feriam por serem tão certas mas que me consolavam por serem tão doces e tranquilas. Perdi a conta às vezes que ouvi as tuas músicas enquanto tentava não chorar ou enquanto me queria sentir protegida. Escreveste muita coisa que eu desejava ter posto em palavras mas não consegui ou não pude. A tua voz protegeu-me sempre.

Agora passam dez anos sobre a tua morte e eu sinto assim um vazio porque não te conheci em vida. Nunca tive a oportunidade de te ver num concerto ou de seguir a tua carreira de perto. O que me restou foi tentar saber quem eras antes de chegar a mim e guardar tudo como um tesouro. Vou recordar-te sempre assim, livre e sábio. Mesmo longe, continuaste a espalhar as estrelas por aí.

Mira Calix

Esta rapariga de ar cândido e delicado chama-se Mira Calix. Ou melhor, chama-se Chantal Passamonte mas responde agora pelo primeiro nome. Nasceu na África do Sul e pouco mais se sabe sobre ela - apenas que já trabalhou com nomes como Aphex Twin, Autechre e chegou mesmo a fazer tours com os Radiohead. Chegou ontem ao espaço café-concerto do CAEP muito discretamente, carregando a sua mochila onde certamente guarda muitos tesouros.

O seu ar casual, as semelhanças com Sofia Coppola e a forma natural com que passou o concerto apoiada nos seus joelhos fizeram-me simpatizar com ela. Mira utiliza muitas vezes, além dos sons de cordas ou da batida convencionais, a sua própria voz e elementos naturais que grava no meio que a rodeia. Enrolando finos cigarros enquanto olhava, curiosa, para o (infelizmente pouco) público, a artista ia saboreando as variações entre os ambientes melancólicos e quase naïves e as transições para batidas furiosas que faziam as paredes do recinto tremer. Mais do que demonstrar um entusiasmo vibrante, Mira parecia estar em plena harmonia com a música que saía daquele laptop e mesa de mistura, transmitindo uma sensação de tranquilidade que contrastava com a urgência com que as batidas eram lançadas para a audiência.

Acho que nunca tinha assistido a uma actuação deste género, ou melhor, tinha mas a música era mais dançável. Para mim, a música de Mira Calix não encaixa na definição de electrónica de dança - é música para viagens curtas mas contemplativas, é música para estar deitada numa sala, janelas abertas mas estores descidos, a brisa a fazer tremer as cortinas numa quente tarde de Verão.

Foi muito bom, portanto.

junho 01, 2007

[modo : experimentar]


Estar de férias não é só estar estendida no sofá ou só beber copos com os amigos. Hoje, e provavelmente no restante fim de semana, vou estar por aqui (no festival, claro está) a dar uma mãozinha no bar. Mesmo estando atrás do balcão, vai ser bom ouvir coisas novas, provavelmente muito distantes daquilo a que estou habituada. O CAEP está bom e recomenda-se.

maio 30, 2007

Crisfal



Sempre fui muito céptica em relação à transformação do nosso cine-teatro num simples bar ou restaurante porque me parecia que iriam desvirtuar um edifício cheio de história. Ontem fui recebida nas instalações da nova discoteca/bar que ali vai nascer esta sexta-feira e posso fizer que fiquei maravilhada.

Com uma decoração de muito bom gosto e mantendo a fachada e o interior do edifício intactos, a A., responsável pelo projecto, vem preencher um espaço que estava há demasiado tempo vazio na nossa cidade. É verdade que não pode ser considerado um equipamento de primeira necessidade mas é importante, na medida em que, caso seja gerido com excelência (como creio que vai ser), será um grande pólo de atracção para Portalegre.



A ideia principal foi manter o espírito do velho cinema. Foram recuperados alguns projectores muito antigos, foram espalhados pelas salas cartazes de momentos memoráveis ou de grandes nomes da história do cinema, bem como telas warholizadas de grandes actores e actrizes. Foram também resgatadas bobines, bilhetes e outras recordações de outros tempos. A isto juntou-se a escolha de mobiliário moderno mas sóbrio, a cor nalgumas zonas da discoteca/bar, a criação de zonas temáticas.

Tenho algumas expectativas em relação ao futuro deste projecto mas também algumas reservas. Se por um lado, é um conceito muito apelativo e (neste momento) único na cidade, por outro é um projecto de grande dimensão que poderá falhar exactamente devido ao facto de ser uma proposta demasiado arrojada. Podem espreitar aqui ou estarem presentes na abertura, já no dia 1 de Junho. Eu cá estarei por lá, desejando ao Crisfal e à A. longos anos de actividade com sucesso.

maio 28, 2007

Pelas terras do senhor Saramago


O começo destas duas semanas de férias foi... diferente. Rumámos até à Azinhaga, aldeia apelidada de 'mais portuguesa do Ribatejo', para as festas populares. Comecei, portanto, as férias com uma série de coisas às quais (normalmente) não iria assistir: largadas de touros, quermesses de igreja e ranchos folclóricos.

Sobre as largadas de touros, a minha opinião permanece intacta. Não gosto de largadas nem de touradas nem de picarias nem de corridas. Não suporto ver a forma como tratam os animais, mesmo que me justifiquem aqueles gestos dizendo que o touro, com os seus novecentos quilos de peso, não sente nada. Não aprecio os falsos gestos de coragem dos que fingem enfrentar o touro para, prontamente, galgarem as grades em busca da segurança. Posso até perceber que aquilo faz parte da tradição e que une a população em torno de uma actividade comum mas não consigo gostar. Não me peçam isso.

As quermesses da igreja não me despertavam muita curiosidade mas desta vez decidi participar. Voltei a ficar sem grande curiosidade quando, depois de setenta e tal rifas, saímos de lá de mãos a abanar. Não é engraçado.

Já os ranchos folclóricos tiveram em mim um efeito diferente. Acho que não me lembro de alguma vez ter estado num destes espectáculos de livre vontade, para realmente ver os ranchos. Desta vez fiquei e gostei bastante, para minha própria surpresa. Vimos as actuações dos ranchos de Vieira de Leiria, Nazaré, Quelfes e Azinhaga enquanto comíamos um churro recheado de chocolate. O rancho algarvio levava um conceito bastante diferente dos outros grupos, baseando a sua actuação no folclore misturado com um espectáculo de comédia. A média de idades de todos os ranchos era surpreendentemente baixa, o que acho um bom sinal: mantém-se a tradição que vale a pena manter.

E agora, se me dão licença, vou ali gozar duas semanas inteirinhas de férias. Que é como quem diz Vou ali mas já venho.

maio 25, 2007


Parece que desta é que foi.

(Mas eu não deixei de te amar, cidade do meu berço. Eu continuo a sentir saudades do fumo que te cobre nos dias em que a chuva está para vir e do silêncio que ouço sempre que estou no meu quarto. Nunca vou gostar de outro azul-céu como aquele com que te vestes no tempo bom e nunca hei-de esquecer como vi a serra a arder num destes Verões. Vou gostar sempre de ti, especialmente quando me dizem que ali já não há Alentejo, porque eu sei que o Alentejo não é só planície até perder de vista. Quando me perguntarem onde nasci, vou dizer o teu nome sempre com orgulho. Vou contar a toda a gente como é especial o Beco da Fava, como há Verões em que nos tentas sufocar, como já subi à torre do castelo para te olhar numa noite já escura. Se ainda puder, vou mostrar o que se sente quando voltamos e começamos a ver as antenas lá muito ao fundo ou como olho mil vezes para o retrovisor nos dias em que te deixo. O pragmatismo da documentação nunca há-de apagar a portalegrense que tenho cá dentro.)

maio 23, 2007

Post completamente destravado


Hoje estou demasiado cansada para escrever. Chego a casa já tarde, mole e com os olhos a carregarem quinhentos quilos cada. Sento-me no sofá e penso que vou instantaneamente deixar-me dormir... Mas ligo a televisão a tempo de começar a ver a bola. Detesto a maneira italiana de jogar. Mas simpatizo com brasileiros a jogarem à italiana. Consegui um motivo para manter as pestanas a mexer. Depois a cabeça voa-me para o que vou fazer depois de jantar: ver mais My name is Earl. E nesse instante reparo que o tipo é bastante atraente, mesmo considerando que é um gajo com bigode.

As pessoas têm fixações com outras pessoas. Muitas passam horas a fantasiar com pessoas que estão à distância de um simples olá. Ter fixações é bom, desde que a dose seja a recomendada pelos principais fabricantes. Não querer concretizar fixações, isso sim, é mais a atirar para o patológico. Sim senhor, a possibilidade da concretização é que alimenta essas fantasias. Mas eu cá prefiro matar as fantasias, mesmo que demore uma eternidade, e depois é seguir para a próxima.

(foi agora que se deu o curto-circuito ou já estou na fase da parvoíce pré-sono?)

M @ cozinha II



Partilho convosco alguns momentos na minha cozinha, desta vez em formato video (ideia que repesquei graças a este rapaz). As imagens são minhas e escolhi Take Five, de Dave Brubeck, para as acompanhar.

maio 21, 2007

Enquanto o Iglésias encantava noutra ponta da cidade...






... as miúdas pulavam ao som dos Bloc Party no Coliseu.

Depois da malta a decorar as letras à pressa dentro da carruagem do metro, da cerveja de 0,33cl vendida a 2,50€ (dois-euros-e-cinquenta-da-minha-vida!), depois de comer uma sandes de panado à pressa e constatar que a média de idades do público já me fazia corar, foi tempo de dançar. E que bem que se dançou!

(As fotografias atestam da minha fraqueza a empunhar a câmara ou da insistência em não usar flash. Ainda assim, dá para ficar com um gostinho.)

maio 20, 2007

A s s o m b r a d a

Foto de Eusapia


É assim que defino o meu estado depois de ontem ter assistido a Maldoror, o novo espectáculo dos Mão Morta. Mais impressões aqui.

maio 17, 2007

Magníficos dias atlânticos pt. II

Como se alguém pudesse não gostar de um dia assim.

(viagem de catamaran até ao Montijo - três miúdas num Polo até à Figueirinha - horas de calor devidamente tratadas com protector e banho na água fresquinha - imperial ainda no café da praia - paragem para retomar forças na marina fluvial - viagem de catamaran até ao Cais do Sodré - quase uma hora à espera do eléctrico para casa - banho - refeição frugal - cama, enquanto penso Isto sim, é uma folga)

maio 16, 2007

A melhor coisa de ter folgas durante a semana é ter tempo para fazer todas aquelas coisas que vamos deixando para trás, indeterminadamente, sem planos muito reais para as resolver. Também sabe especialmente bem poder acordar depois das sete e meia sem qualquer sentimento de culpa e pensar que o dia ainda está todo à minha frente. Hoje foi a primeira folga da semana (sim, porque amanhã há mais!) e sinto-me como se tivesse enfiado três ou quatro dias em apenas um.

Uma das melhores coisas que me aconteceu depois de me mudar para a minha casa é que posso usar o eléctrico tantas vezes quantas me apetecerem porque a paragem é praticamente à minha porta. Hoje foi andar até não aguentar mais ser esmagada por gordas turistas alemãs ou por velhas que ainda trazem posto o avental com que amanham o peixe, foi explicar se estavam no sentido certo, foi apanhar sempre o eléctrico à rasca, correndo uns metros para não o deixar fugir. Conto quatro viagens sob um calor mais típico de Julho do que de Maio, a temperatura apenas suportável porque as janelas iam todas abertas. Mas o que eu adoro andar de eléctrico... *suspiro*


Além das milhentas coisas que tinha para tratar (entre as quais, uma visita à Loja do Cidadão que me desapontou dada a ausência de material blogável...), acontece ainda o inesperado: saio de casa e, no mesmo instante em que largo o puxador da porta, lembro-me que as chaves estão do lado de dentro. E que o jogo de chaves suplentes mais perto está a sensivelmente a duzentos quilómetros daqui... Peço ajuda à minha vizinha, para tentar entrar pela janela das traseiras, sem sequer saber se consigo chegar à minha própria janela.



A primeira prova de fogo é tentar passar entre o estendal da roupa dela: em poucos segundos, ia ficando sem rabo, sem barriga e sem mamas! O estendal da vizinha era feito de uma qualquer liga de metal em vez das habituais cordas e eu... bem, eu não tenho a silhueta da Kate Moss. Depois, a medo, chego perto da minha janela e acontece aquilo que eu temia: a janela está bastante mais acima do que eu consigo alcançar sem esforço. Lanço os braços mas sem acreditar muito no que estou a fazer. A meio, tenho de parar para tirar o cinto e recomeçar tudo. Estou literalmente pendurada no meu parapeito, sem qualquer esperança de me conseguir içar mais e já há gente nos prédios atrás de mim a desconfiar da minha manobra. Completamente desesperada, decido que vou entrar, nem que bata de imediato com a cabeça no chão. E consigo! As cordas e arames não me mataram mas deixaram estragos.

E começo a temer pelo dia de amanhã. Hoje já foi o que foi e estou longe de me conseguir mexer, portanto amanhã tenho que proteger-me. Planeada está uma ida à praia (desculpem-me os trabalhadores, mas tinha mesmo mesmo que o dizer!) porque toda a gente me anda a falar nos trinta graus que vão estar amanhã. Vamos lá a ver se não me deixo enrolar por uma onda...

maio 14, 2007

Retrato de uma segunda-feira

A noite de sábado já tinha sido atribulada, fazendo-me saltar da cama a horas quase indecentes. Para complicar, a noite de ontem não foi melhor: eram duas e meia da manhã e a cadela da minha vizinha de baixo resolveu ladrar. Não sei exactamente porquê mas sei que ladrava. Muito. Mesmo muito. Tanto que tive que agarrar na minha almofada e mudar-me para o quarto livre. Era tão tarde e eu só pensava em atirar uma bolinha de tranquilizante para acalmar a bicha. Pronto, eu confesso: não era em tranquilizante que estava a pensar. Mas era madrugada e eu estava desnoitada e precisava recuperar o sono e ela desata a ladrar como se fosse o fim do mundo... Bah, tenho desculpa.

Cheguei ao trabalho e nem tive tempo de organizar as coisas: fui logo arrastada para uma sala de formação para o meu discurso. Que nem foi um discurso mas que me saiu quase perfeito: fui concisa e falei apenas sobre o essencial, com um discurso lógico, ideias perfeitamente encadeadas. Só as minhas mãos me podiam denunciar porque tremiam como varas verdes. Tremiam muito mas o meu olhar era firme e decidido. Portanto, não despedi ninguém porque nem autoridade tenho para isso. Mas discursei bem p'a caraças.

Um colega levantou-se, veio até ao meu lugar de propósito e perguntou-me O que é que se passa contigo? e eu pensei que as olheiras até ao pescoço me tinham denunciado. Nada, não tenho nada mas porquê?, respondi e perguntei eu. É que estás diferente... Pareces mais nova, mais fresca. De certeza que não se passa nada?, continuou ele e eu, de olhos muito abertos, Erm... Não... Mas jovem e assim? E ele, antes de voltar rapidamente ao lugar, diz Não sei o que é mas acho que te faz bem. Eu também não sei o que é mas parece que faz efeito.

Hoje dei um murro virtual numa mesa virtual e decidi que já é tempo de voltar a cozinhar. E não vale mais fazer a mesma lasanha de salmão de sempre ou aquela massa com brócolos e bacon. Portanto, hoje vai sair um pratinho típico que é uma maravilha.

(Se calhar até sei o que é - é fazer o que me dá na gana, sem medos e sem preocupações. Não existe um passado atrás de mim nem existe um futuro pelo qual esperar. Existe é o agora e o resto que se lixe.)

Os meus colegas são fofos!

Porque nem só de trabalho nos alimentamos... Os colegas foram passear e trouxeram prendinhas a mim. Na foto, o belo soquete vindo de Amesterdão, cortesia da M., a minha companheira de concertos e a fitinha do Bonfim, que é uma cortesia do M. Eu, que nem uso adereços nas mãos e nos pulsos e só gosto de meias sóbrias, abri uma excepção: a fita já cá mora, o soquete será estreado amanhã!

maio 13, 2007

Shortbus (ou da liberdade para sentir)



Não estava à espera deste filme. Não é que me tivesse enganado na sala de cinema ou que não quisesse vê-lo. Só não estava à espera dele, não sabia dele o suficiente para achar que ia gostar de o ver. E, talvez por isso, gostei muito. Não é aquele gostar de às tantas já pensar que eu podia ser uma personagem do filme, o campeonato é outro.

Um dia li Quero entupir os meus sentidos contigo e agora esta frase faz muito mais sentido. Estamos imersos num mundo de sensações, somos estimulados continuamente sem sequer darmos conta, temos os sentidos adormecidos. Quase todas as personagens do filme sofrem deste bloqueio e procuram no sexo, no prazer carnal a redenção. Não interessa se nos sentimos uma ilha ou se sentimos que do outro lado não há ninguém a ouvir - enquanto o nosso corpo puder sentir outro(s) corpo(s) haverá sempre esta espécie de retorno. É como se o sexo nos pudesse provar que estamos vivos - aqui estás, despida dos males do mundo, com os sentidos concentrados noutro corpo nu igual a ti, dá a ti mesma a possibilidade de te arrepiares.

Como tantas outras pessoas, as personagens do filme fogem do seu isolamento, da sua incapacidade em sentir, da impossibilidade de fazerem parte de alguma coisa maior. O sexo não as torna mais normais ou não lhes devolve a paz que procuram. Mas enquanto a pele toca outra pele, enquanto se beijam de olhos abertos, enquanto suam nada mais tem que fazer sentido. Esse momento é o sentido. Somos todos perigosamente iguais - abandonamo-nos por momentos, à espera de uma revelação. Ela chega e, depois de breves segundos, volta tudo ao que era. A sensação de satisfação nunca permanece mas, durante esses instantes, somos felizes a acreditar que aquilo é tudo o que existe. E não é?

Digamos que...

...da tua boca pode não sair uma palavra verdadeira. Mas as tuas mãos não te deixam mentir.

maio 10, 2007

A minha chefe pediu-me hoje que prepare um pequeno discurso para a próxima segunda-feira. Encarregou-me de falar com um membro da minha equipa, muito provavelmente para testar as minhas capacidades de liderança. A situação é esta:


a pessoa em questão não cumpre os seus objectivos de produtividade, não chega a horas, passa a vida distraído, sabe fazer reivindicações mas não pretende cumprir com os objectivos estabelecidos pelo departamento, estás prestes a não ver o seu contrato renovado.

O meu estado de espírito é este:


apetece-me mostrar mais firmeza e determinação e testar os meus próprios limites mas não quero tornar-me numa pessoa insensível às pessoas e sensível aos números. Tenho a oportunidade de falar com a pessoa sobre coisas que há muito me incomodam mas não quero desviar-me do propósito da conversa, sob pena de dizer mais do que quero.

Ouvi um dia dizer que, quanto mais alto se sobe, mais sozinho se está. Ouvi que não há amigos no trabalho, que as pessoas precisam todas de se fazer à vida. Neste momento, eu estou no meio de uma equipa que me mantém bem disposta o dia todo, que me faz rir e que, mesmo com todos os problemas que já ali vivemos desde há um ano para cá, tem aguentado a barra. Acho que não me apetece ainda passar para o outro lado e ser fuzilada com olhares ou ser considerada totalitária ou ser simplesmente ignorada. Não vou fugir à minha responsabilidade mas vou pensar muito, mas muito bem quando é que quero dar o próximo passo em frente. Não será em breve.

(já vou sentindo falta de fazer zapping mas não há pachorra para o Mundo)

maio 08, 2007

Está decidido.

Não vou voltar a ligar a televisão até que a cachopa desaparecida no Algarve volte a aparecer.

maio 06, 2007

Senhor dos Aflitos


Comer uma bifana quentinha às nove da manhã é uma das melhores coisas que já me aconteceu. Dispensei a mini que a devia acompanhar porque continuo a ter as minhas reservas quanto à possibilidade de beber alcóol antes do meio dia. Foi assim que terminou a minha manhã, depois de ter acordado às seis (!) da manhã para fazer quinze quilómetros a pé.

O dia amanheceu lindo, com um céu azul daqueles que só se vêem aqui e uma temperatura fresca, ideal para a caminhada. O percurso é todo feito em alcatrão mas a paisagem é, muitas vezes, de uma beleza incrível. São as vinhas que se estendem por encostas sem declives, as vacas que aguardam no curral o seu começar do dia, os campos ainda verdes, apenas interrompidos pelo lilás do rosmaninho. A maior parte das pessoas foi cumprir promessas, nós fomos apenas pelo prazer de andar, o mesmo prazer que no final se tornou em dor e na sensação esquisita de termos pernas que andam automaticamente, já não respondem ao cérebro. À chegada, há uma feira montada, há o cheiro enjoativo da massa frita a competir com as bifanas que fritam ao lado, há balões e algodão doce, há demasiadas pessoas a entrar na igreja e ainda mais pessoas a tentar acender uma vela.

Com mais tempo, podíamos ter ficado a dormir debaixo de uma oliveira, a gozar o dia e a agitação. Como tempo não há, regressámos à cama durante breves horas, a antecipar a segunda viagem do dia. Dissemos 'Até para o ano!'.

maio 05, 2007

Da simplicidade

Hoje foi um dia bom, a contrariar os fins de semana passados em casa, a vegetar de pijama vestido e a alternar entre o sofá e a cama. Podia ter muitos mais dias assim se não fosse tão preguiçosa.

A noite de ontem já tinha sido como nos bons velhos tempos: malta que vem a Portalegre pouquíssimas vezes, o sítio do costume, o último grito na música que se dança por aí. Ninguém estava interessado em fazer sentido ou em poupar os corpos. Ainda faltou gente e a alguns faltou (talvez) a vontade de arriscar mas, quando me deitei, já a noite ia muito longa e já não havia tempo para fantasiar muito mais.

O dia foi começado à pressa. Tive tempo de engolir um pequeno-almoço à pressa, tomar banho ainda mais rapidamente e ainda começar a almoçar antes do primeiro compromisso do dia: o voluntariado no Banco Alimentar contra a Fome. Tínhamos sido convidados a participar já há algum tempo por gente de Portalegre, gente com muita vontade de fazer e fazer bem. À hora marcada, chegámos para recebermos o tour das instalações e desde logo foi claro que a organização não tinha descurado nenhum aspecto. Havia uma cantina para que os voluntários pudessem fazer as suas refeições ou apenas uma pausa para o café, muita gente a auxiliar os recém-chegados e outros voluntários, que prontamente nos ajudaram a integrar.

Para os trabalhos menos pesados, onde estávamos, a maioria dos voluntários eram mulheres. Os homens ocupavam-se das tarefas que incluiam lidar com grandes pesos ou com o transporte da mercadoria. Na zona da separação, nós dividíamos os produtos doados. Estes eram depois pesados e etiquetados e, finalmente, armazenados. O ambiente esteve sempre muito animado, embora o rádio estivesse lá fora. Rapidamente ganhámos ritmos de trabalho paralelos, de forma a conseguirmos não incomodar as outras pessoas e a conversa foi-se soltando mais com o passar de poucas horas.

Já tinha sido voluntária antes, não em campanhas deste género mas conhecia a abnegação de muita gente que tenta fazer a sua pequena (grande) parte nesta tentativa de melhorar o Mundo. Esta iniciativa não foi diferente. Quando acabou o nosso turno, haviam já sido recolhidas sete (7!) toneladas de alimentos apenas no distrito de Portalegre, que vão depois ser distribuidas por institutições particulares de solidariedade social. Não quero sequer pensar naquelas dúvidas que surgem na cabeça de alguns sobre o destino que vai ser dado a todos os alimentos: eu ainda sou capaz de acreditar que as pessoas são honestas. E bastava a qualquer um ter visto a alegria com que se trabalhava ali para se deixar contagiar por ela e pensar que, depois desta grande campanha, vai haver mais gente feliz. E é tudo tão simples, realmente.

Com a cidade completamente cheia de energia (uma prova de BTT e a queima das fitas trouxeram tanta tanta gente...), a noite de hoje promete voltar a ser longa. Se o tempo ajudar, há-de ser uma noite de Praça da República, a falar com gente bonita e interessante, a esquecer-me que segunda-feira começa mais uma semana que promete ser infernal. Hajam muitos fins de semana assim e o pijama há-de ficar esquecido atrás das almofadas.

maio 02, 2007

Porque é que...


... um homem com cabelos brancos é charmoso e uma mulher com cabelos brancos é velha?

(acho que tenho medo - eles já estão por todo o lado.)

maio 01, 2007

E só porque agora é mesmo oficial...


Perdi a cabeça e o amor a muitos euros. O dinheiro fez-se para gastar, já me diziam há uns tempos. Agora é só entrar em contagem decrescente e esperar que o corpo se mantenha rijo durante todos estes dias. O resto é festa.

let down and hangin' around

(A foto é confusa. Não, não é isso que quero dizer: não se percebe nada. Às vezes é o que vemos quando temos os sentidos concentrados noutras coisas.)


O local: Lisboa, véspera de feriado
As condições climatéricas: noite de vento, aguaceiros incómodos mas temperatura agradável.

Há muito que não saio. Fico boquiaberta quando descubro que o Largo Camões está relvado, pelo menos temporariamente mas não estranho as pessoas que esperam por alguém neste ponto de encontro. Já há quem nos espere, portanto consigo fugir à angústia inicial do sítio a escolher, de ouvir mais uma vez 'Vá lá, tu é que sabes. Sabes que eu nunca decoro nada...' - eu também não consigo. Na rua não há tanta gente como suspeitava, o que significa que ainda é relativamente fácil chegar à cerveja (o mesmo não acontece com as casas de banho imundas que nos ofereciam naquele lugar). Conversamos em mais do que um idioma e rimos que nem tontos quando falamos dos casamentos em Espanha e quando comentamos o jogo do nosso Benfica. Na rua passa um rapaz de pestanas enormes que tinha visto o jogo no mesmo café da Estrela: só lhe decorei as pestanas.

Quando tentamos mudar de pouso, está tudo tão cheio, há tanta gente à porta, não sei, se calhar já devíamos estar à espera. Começa a chover e não conseguimos abrigar-nos. 'Vamos dançar?', pergunto eu a medo, temendo que os outros corpos não desejassem movimento como o meu. Para meu espanto toda a gente concorda na hora. 'Estamos nas tuas mãos', diz alguém. Apressamos o passo e entramos no Incógnito completamente encharcados - não entrava lá há demasiado tempo. A pista está cheia, mal consigo mexer-me mas já tinha decidido que nada me ia privar de dançar. Nem mesmo rapazes demasiado grandes e desajeitados ou tias que por ali param porque querem ser da moda. Apetece-me mais uma cerveja mas não quero sair da pista. Não vou. Danço tudo e fecho os olhos muitas vezes: é como se estivesse num Karrera Klub. Um rapaz muito atraente e muito latino, de blaser escuro e cabelo puxado com gel dança à minha frente, vai dançando cada vez mais perto, até que preciso afastar-me para não dançarmos colados. Ele sabe que se está a colar a mim. Está de costas para mim e consigo cheirar-lhe o perfume. Ele sai e nós ficamos. A pista está finalmente mais descomposta e podemos fazer movimentos mais amplos. É a segunda vez que danço a Rebellion (Lies) fora de casa e ainda me custa a crer.


O rapaz moreno está à porta mas não me vê sair. Subimos as ruas com cuidado, tentando não escorregar na calçada molhada. Deito-me cansada e confusa, já sei que vou sonhar. Francamente, devia andar mais vezes na rua.

abril 30, 2007

Capuchinho Vermelho


(Gin e sumo de frutos do bosque!)

Amanhã, dia do Trabalhador, esta vossa trabalhadora (quem mais?) vai estar: livre; desocupada; longe de responsabilidades; tranquila; ressacada, possivelmente; deitada sempre que for possível; radiante por gozar um feriado. Não encontrei melhor maneira de abrir as hostilidades do que esta nova long drink (mesmo que já exista, faz' conta que fui eu que inventei). Agora é esperar que a noite se mantenha à altura. Deixem-me partilhar convosco esta felicidade parva e fugaz e desejar-vos feliz dia do Trabalhador!

abril 28, 2007

Pure Pleasure Seeker*

Há dias em que me sinto normal. Nos restantes, sinto que perdi por completo a habilidade para amar.

* título roubado aos Moloko.