fevereiro 02, 2008
fevereiro 01, 2008
Voltar a casa
Voltar a casa depois de três semanas consecutivas em Lisboa é muito bom. Acordo sem despertador e em pleno silêncio: não há ruído nenhum nesta manhã fria de sexta-feira. Não há ninguém em casa, a televisão continua desligada, o sofá desocupado. Como todos os dias em que estou em casa, espreito à janela o dia que ainda me fere os olhos e tento decidir, sem abrir a janela, se vou gelar ou se faz aquele calor morno. Em cima da mesinha da sala, há uma montanha de Nova Gente e Caras que a minha mãe me guardou, como sempre, para que eu possa saber tudo aquilo que ninguém precisa de saber.
Imaginei muitas vezes nos últimos tempos como seria viver aqui agora. Pensei na sensação de tranquilidade que era ouvir os miúdos que saem da escola do Atalaião ou da maravilha que era nunca ter que fazer uma viagem ao Domingo. E pensei como podia lanchar nos meus avós, como sempre, um dia em casa de uns, outro dia em casa dos outros. E explicava à minha avó que não posso comer bifanas em todos os lanches, é carne a mais, parece um jantar e ela continuava a insistir. Pensei como a minha vida deixaria de ser agitada, sem gastar tempo dentro de autocarros cheios de gente mal educada e pouco civilizada e podia só andar a pé, estar em dez minutos em qualquer parte da cidade.
Mas não posso. E nem quero deixar Lisboa. E voltar a casa depois de três semanas é melhor porque é como conseguir respirar fundo outra vez. No resto do tempo, é só uma questão de respirar normalmente. As coisas boas têm sempre um preço alto demais.
Imaginei muitas vezes nos últimos tempos como seria viver aqui agora. Pensei na sensação de tranquilidade que era ouvir os miúdos que saem da escola do Atalaião ou da maravilha que era nunca ter que fazer uma viagem ao Domingo. E pensei como podia lanchar nos meus avós, como sempre, um dia em casa de uns, outro dia em casa dos outros. E explicava à minha avó que não posso comer bifanas em todos os lanches, é carne a mais, parece um jantar e ela continuava a insistir. Pensei como a minha vida deixaria de ser agitada, sem gastar tempo dentro de autocarros cheios de gente mal educada e pouco civilizada e podia só andar a pé, estar em dez minutos em qualquer parte da cidade.
Mas não posso. E nem quero deixar Lisboa. E voltar a casa depois de três semanas é melhor porque é como conseguir respirar fundo outra vez. No resto do tempo, é só uma questão de respirar normalmente. As coisas boas têm sempre um preço alto demais.
janeiro 31, 2008
Era rapariga para tatuar isto num canto de mim...
Red wine and sleeping pills
Help me get back to your arms
Cheap sex and sad films
Help me get back where I belong.
Help me get back to your arms
Cheap sex and sad films
Help me get back where I belong.
...de tão verdade que é.
janeiro 30, 2008
janeiro 29, 2008
Perfeito.
Visto aqui.(de repente, já não és tu. sentas-te numa paragem de autocarro vazia e ficas atenta ao trânsito das seis da tarde. ainda anoitece às seis da tarde e tu tens saudades dos dias compridos. não retiras nenhum prazer de tentar adivinhar quem conduz cada carro nem de fingir que estás a caminho de um sítio realmente importante. o céu está escuro sobre a cidade mas mais escuro sobre ti, como se a tua tristeza se tivesse condensado numa nuvem sobre a tua cabeça. ninguém vê a nuvem por cima da tua cabeça. dois homens numa carrinha de mudanças são travados pelo engarrafamento e sorriem-te atrás do vidro fechado. falam um com o outro, acotovelam-se na cabine apertada e fazem-te sinais. rodas a cabeça lentamente na direcção do princípio da avenida, não te apetecem palhaçadas. sentas-te num banco de autocarro vazio. escolhes um banco solitário para não confundires a tua tristeza com a de outra pessoa qualquer. concentras-te. quanto mais música ouves, mais a tua tristeza se depura, até sobrarem apenas o cristais puros que hão-de cair-te dos olhos. precisas de chegar a casa. caminhas devagar, a mala no ombro e a música a fazer-te serpentear entre os carros estacionados no passeio, o teu vizinho à porta do café, as chaves que nunca encontras na mala, o correio que nunca recebes e o som da tua tristeza a espalhar-se pela tua casa vazia.
escolhes um disco a custo. ele entra-te em casa, com o boné a desafiar a tua vontade de evitar um sorriso. não te diz que está tudo bem porque ele sabe que não está. mas canta de mansinho sobre amores pequeninos. faz de conta que a dor amaina. e amanhã há mais.)
escolhes um disco a custo. ele entra-te em casa, com o boné a desafiar a tua vontade de evitar um sorriso. não te diz que está tudo bem porque ele sabe que não está. mas canta de mansinho sobre amores pequeninos. faz de conta que a dor amaina. e amanhã há mais.)
janeiro 27, 2008
Ah, the irony of it all...
Pelo menos duas pessoas vieram parar aqui depois de fazerem uma busca sobre como controlar os nervos.
janeiro 26, 2008
Thinking is unproductive
Se há coisa em que gostava de ser diferente é naquela maneira que algumas pessoas têm de parecerem naturais em qualquer circunstância. Quando estou com pessoas que não conheço, sinto-me constantemente desajeitada, inadequada, demasiado auto-consciente. É como se essas mesmas pessoas (que não me conhecem) pudessem ver através de mim e descobrissem à primeira os meus pontos fracos.
Hoje tive uma reunião (muito informal) de um projecto novo* que já anda há muito para acontecer. O ponto de encontro foi no Príncipe Real, com o parque cheio de gente a aproveitar este ameno sol de Inverno. Das cinco pessoas que já lá estavam conhecia apenas duas, os mentores do projecto. Fui, obviamente, apresentada a todos e falou-se desde logo do andamento das coisas, dos planos a muito curto prazo, tentámos delinear estratégias para coordenar e rentabilizar o trabalho que aí vem. E foi estranho sentir como todas as pessoas estavam a agir naturalmente, participando na conversa espontaneamente e lançando sugestões sem constrangimentos. Eu, como sempre, tentei participar o mais naturalmente que pude na conversa e parecer descontraída e acessível. Não faço ideia se resultou ou não, só saberei nos próximos tempos quando começarmos a funcionar mais em equipa. Mas, mais uma vez, admirei o à vontade de toda a gente e essa ausência de nervosismo à minha volta.
Já nem sequer vou falar das reacções do meu corpo antes de um encontro com alguém que não conheço. Às vezes sinto que vou morrer com tanta descarga de adrenalina, com tantos tremeliques e suores. Nestas alturas não passo de uma pessoa refém das suas emoções. E é chato.
* aproveitando a embalagem para deixar no ar a novidade... a anunciar brevemente

Now playing: Aaron Thomas - Thinking Is Unproductive
janeiro 25, 2008
Se eu tivesse que fazer um gráfico desta semana (que, infelizmente para mim, ainda não acabou) tentando medir a minha exaustão, o resultado seria uma subida vertiginosa que não pode acabar bem. Apesar de profissionalmente ter sido uma semana mais ou menos calma, o resto da minha vida anda numa tal revolução que parece que me enfiaram numa máquina de lavar e escolheram o programa da centrifugação. Durmo pouco, não tenho paciência para a cozinha, preciso trabalhar novamente este sábado, tenho saudades de casa, não tenho vontade de sair e não consigo parar para pensar.
Não queria que me tirassem o tapete de baixo dos pés.
Não queria que me tirassem o tapete de baixo dos pés.
janeiro 23, 2008
Sabem assim aquela sensação quando conhecem uma pessoa nova e falam durante horas a fio e tudo parece ser um assunto bom e riem-se das mesmas palhaçadas e têm mesmo vontade de estar com essa pessoa seja em que situação for e pensam que as coisas acontecem a uma velocidade supersónica e às tantas há uma carrada de coincidências que dão por vocês a tentar descobrir o que é que pode estar errado nisto tudo? Pois, é essa mesmo.
janeiro 22, 2008
janeiro 21, 2008
*suspiro*
Ando há que tempos para escrever uma coisa em grande, assim uma coisa apaixonada e empolgante. Ando a ver se me apanho assim naquele estado febril de onde nascem as grandes sinfonias, os grandes parágrafos e as grandes tomadas de consciência. Não vejo esse dia chegar: nem a seco, nem com indutores de entusiasmo. Mas há qualquer coisa cá dentro a pedir para sair. É como se conseguisse ver o texto, desfocado, só adivinho a massa cinzenta dos caracteres. Lembro-me das oito páginas que já tinha montado/construído/conseguido antes do computador ser formatado e engulo em seco: havia ali matéria blogável.
De maneiras que é isto. Apetecia-me estar a escrever descontroladamente, embalada pelo ritmo da música, sem olhar para trás para corrigir a falta de acentos ou a concordância do verbo mas nada. Há coisas sobre as quais poderia escrever mas nunca com o arrebatamento de que sinto falta. É inútil, vou ficar inquieta como nos últimos dias. Vou deitar-me na cama de casal e meio e vou rebolar poucas vezes até me convencer que está na hora. Vou espreitar o email até me convencer que não há novidades de ninguém e de parte nenhuma. Vou aguardar penosamente o dia de folga para poder ficar deitada a ouvir a vida a acontecer lá fora sem que eu tenha que mexer uma palha. Vou convencer-me (por momentos) que na vida real, ao contrário da ficção, o fim nem sempre se faz anunciar. E, quando chega, é normalmente mais amargo do que nos fizeram acreditar.
De maneiras que é isto. Apetecia-me estar a escrever descontroladamente, embalada pelo ritmo da música, sem olhar para trás para corrigir a falta de acentos ou a concordância do verbo mas nada. Há coisas sobre as quais poderia escrever mas nunca com o arrebatamento de que sinto falta. É inútil, vou ficar inquieta como nos últimos dias. Vou deitar-me na cama de casal e meio e vou rebolar poucas vezes até me convencer que está na hora. Vou espreitar o email até me convencer que não há novidades de ninguém e de parte nenhuma. Vou aguardar penosamente o dia de folga para poder ficar deitada a ouvir a vida a acontecer lá fora sem que eu tenha que mexer uma palha. Vou convencer-me (por momentos) que na vida real, ao contrário da ficção, o fim nem sempre se faz anunciar. E, quando chega, é normalmente mais amargo do que nos fizeram acreditar.
janeiro 20, 2008
E nos entretantos...

... ontem comeu-se uma magnífica salada de polvo, umas moelas de fazer salivar qualquer um e bebeu-se rosé muito fresco. Rematou-se tudo com umas partidas de Tekken na PS e terminou-se o dia com a maior gargalhada dos último anos, com as lágrimas a correrem bochecha abaixo, sem parar.
janeiro 18, 2008
S O C O R R O!!!
janeiro 17, 2008
Da exaustão *
Esta semana sinto-me sem forças. Acordo às seis e meia e tudo o que me resta é canalizado para o trabalho, para tentar que sete pessoas trabalhem exactamente no mesmo sentido. Esta pressão só vai parar no Sábado, quando o mês se encerrar para nós e quando não tiver mais que sonhar com números astronómicos. Passo os dias a fazer contas, a ver se o trabalho aparece feito, a tentar lutar contra um sistema informático mais do que deficiente. Como os pedidos entram em tempo real, parece muitas vezes que, em vez de avançarmos, estamos a recuar.
Tenho as costas feitas num oito. Parece que tenho punhos a pressionar constantemente, a empurrar-me os ombros em direcções opostas e por isso só penso numa coisa (além da porcaria do trabalho): m a s s a g e m. Já pedi a colegas para me esticarem os braços e inclusivamente ponderei a hipótese de massagens com os pés mas nada. Decidi que na folga da próxima semana me vou aventurar numa massagem a sério e hoje vou dormir no chão. Como noutras alturas, meço o meu nível de cansaço pela leitura que tenho atrasada: tenho dois Y por ler, dois livros começados quase ao mesmo tempo, uma revista por devorar e outra por recordar. Não consigo fixar páginas com muitas letras mais do que uns cinco minutos e não consigo concentrar-me mais do que esse mesmo tempo. E também não tenho paciência para a televisão. Os únicos momentos de prazer têm vindo do sono e da música que ouço entre a Estrela e Picoas.
Apetecia-me dormir até Sábado às seis da tarde mas tenho que me contentar com amanhã, às seis e meia da manhã. Como a história do burro e da cenoura, o que está a fazer-me avançar são as moelas, a salada de polvo e as amêijoas que vou comer no Sábado. E o vinho verde ou rosé com que vou regar tudo. A companhia vai saber-me bem e vou estar pronta para me rir desta semana infernal. Até lá, vou tentar apenas sobreviver. Acreditem, é difícil.
* é sobre isso esta música, sobre a exaustão e também sobre o meu passado. Se repararem, são os Foo Fighters e a música fala sobre mim: chama-se Exhausted.
Tenho as costas feitas num oito. Parece que tenho punhos a pressionar constantemente, a empurrar-me os ombros em direcções opostas e por isso só penso numa coisa (além da porcaria do trabalho): m a s s a g e m. Já pedi a colegas para me esticarem os braços e inclusivamente ponderei a hipótese de massagens com os pés mas nada. Decidi que na folga da próxima semana me vou aventurar numa massagem a sério e hoje vou dormir no chão. Como noutras alturas, meço o meu nível de cansaço pela leitura que tenho atrasada: tenho dois Y por ler, dois livros começados quase ao mesmo tempo, uma revista por devorar e outra por recordar. Não consigo fixar páginas com muitas letras mais do que uns cinco minutos e não consigo concentrar-me mais do que esse mesmo tempo. E também não tenho paciência para a televisão. Os únicos momentos de prazer têm vindo do sono e da música que ouço entre a Estrela e Picoas.
Apetecia-me dormir até Sábado às seis da tarde mas tenho que me contentar com amanhã, às seis e meia da manhã. Como a história do burro e da cenoura, o que está a fazer-me avançar são as moelas, a salada de polvo e as amêijoas que vou comer no Sábado. E o vinho verde ou rosé com que vou regar tudo. A companhia vai saber-me bem e vou estar pronta para me rir desta semana infernal. Até lá, vou tentar apenas sobreviver. Acreditem, é difícil.
* é sobre isso esta música, sobre a exaustão e também sobre o meu passado. Se repararem, são os Foo Fighters e a música fala sobre mim: chama-se Exhausted.
janeiro 15, 2008
Eu já vi o dia do Apocalipse.
Desde que me lembro que não sonho. Ou melhor, não tenho sonhos bons, como são entendidos pela maioria das pessoas. Grande parte daquilo que se passa no meu inconsciente/sub-consciente à noite parece-se muito mais com um pesadelo. Mas, mesmo já estando habituada, não paro de me sentir estafada quando o despertador toca às seis e meia da manhã e eu estou a correr num cenário apocalíptico de destruição e caos.
Já tive uma altura em que sonhava maioritariamente com a minha família mais próxima, sendo que a minha mãe era a pessoa mais visada. Sonhei que a desmembravam como se ela fosse uma boneca de plástico, sonhei que a emparedavam viva e que me ofereciam colares de pérolas para que fosse morta. Caí na asneira de tentar encontrar significado para isto num daqueles livros de esoterismo de bolso e arrependi-me: o resultado era qualquer coisa como sonhar com a sua mãe é o símbolo do seu desejo de concretizar o incesto com ela. De maneiras que não quis consultar mais livro nenhum - não preciso de terapia para perceber que tudo não passava de um (odioso) equívoco.
Mas, de há alguns anos para cá, a coisa mudou. E agora, em vez de sonhar com terríveis carnificinas envolvendo o meu núcleo familiar, dou comigo a sonhar com o fim do Mundo. Já sonhei com a trovoada Final mas os sonhos envolvem normalmente eu e dezenas de máquinas descontroladas. Em alguns sonhos, as máquinas erguiam-se do solo para exterminar tudo o que viam à sua volta (e por isso me impressionei tanto com a última Guerra dos Mundos); noutros, como esta semana, há objectos voadores semelhantes a aviões que distribuem lasers e demais munições por Lisboa inteira. Começa sempre tudo com um momento de silêncio aterrador, após o qual se desencadeia toda a sequência de destruição. Corro normalmente muito, durante o sonho todo, diria e, curiosamente, consigo arranjar um esconderijo mais ou menos seguro. Mas a ideia de que o que conheço como Mundo não vai estar à minha espera paralisa-me.
Eu gosto de analisar os meus próprios sonhos. Muitas vezes, o seu significado é óbvio e consigo reconstruir com eles os meus medos ou preocupações temporárias. Mas estas últimas variações deixam-me desorientada e não há nada que consiga associar a elas. Já pensei procurar na internet mas acho que, no fundo, tenho receio da explicação que vou encontrar. Enquanto isso, deito-me todos os dias a pedir para ter um sonho daqueles bons, daqueles em que se passa o sonho todo a beijar na boca ou daqueles em que, subitamente, consigo voar. Não tenho pedido o suficiente, parece-me.
Já tive uma altura em que sonhava maioritariamente com a minha família mais próxima, sendo que a minha mãe era a pessoa mais visada. Sonhei que a desmembravam como se ela fosse uma boneca de plástico, sonhei que a emparedavam viva e que me ofereciam colares de pérolas para que fosse morta. Caí na asneira de tentar encontrar significado para isto num daqueles livros de esoterismo de bolso e arrependi-me: o resultado era qualquer coisa como sonhar com a sua mãe é o símbolo do seu desejo de concretizar o incesto com ela. De maneiras que não quis consultar mais livro nenhum - não preciso de terapia para perceber que tudo não passava de um (odioso) equívoco.
Mas, de há alguns anos para cá, a coisa mudou. E agora, em vez de sonhar com terríveis carnificinas envolvendo o meu núcleo familiar, dou comigo a sonhar com o fim do Mundo. Já sonhei com a trovoada Final mas os sonhos envolvem normalmente eu e dezenas de máquinas descontroladas. Em alguns sonhos, as máquinas erguiam-se do solo para exterminar tudo o que viam à sua volta (e por isso me impressionei tanto com a última Guerra dos Mundos); noutros, como esta semana, há objectos voadores semelhantes a aviões que distribuem lasers e demais munições por Lisboa inteira. Começa sempre tudo com um momento de silêncio aterrador, após o qual se desencadeia toda a sequência de destruição. Corro normalmente muito, durante o sonho todo, diria e, curiosamente, consigo arranjar um esconderijo mais ou menos seguro. Mas a ideia de que o que conheço como Mundo não vai estar à minha espera paralisa-me.
Eu gosto de analisar os meus próprios sonhos. Muitas vezes, o seu significado é óbvio e consigo reconstruir com eles os meus medos ou preocupações temporárias. Mas estas últimas variações deixam-me desorientada e não há nada que consiga associar a elas. Já pensei procurar na internet mas acho que, no fundo, tenho receio da explicação que vou encontrar. Enquanto isso, deito-me todos os dias a pedir para ter um sonho daqueles bons, daqueles em que se passa o sonho todo a beijar na boca ou daqueles em que, subitamente, consigo voar. Não tenho pedido o suficiente, parece-me.
janeiro 14, 2008
Além de contas, o carteiro traz felicidade
Hoje foi dia de receber o correio. E também foi dia de me enjoar oficialmente da música nova da Alicia Keys, porque as moças lá do departamento teimam em ouvir a mesma rádio o dia todo e essa rádio não é a Radar. Mas, voltando ao correio, ele chegou finalmente. Já sabia que não chegaria a tempo do Natal mas não me importei muito porque já tinha a minha maior prenda comprada. E não é à toa que tenho que adorar a globalização. Compra-se a mercadoria na loja americana e ela chega até nós desde a Nova Zelândia!
Nem sempre sei porque encomendo os livros em vez de tentar encontrá-los numa livraria portuguesa. É verdade que muitas vezes é difícil encontrar os originais em inglês e ainda mais a preços aceitáveis. Mas o que sinto é que o facto do livro atravessar o oceano inteiro ou metade de um continente o torna ainda mais especial; como se o enredo beneficiasse desse longo percurso até acabar nas mãos do leitor. Depois há toda esta excitação da espera, que deriva também da possibilidade da encomenda ficar retida na alfândega (de duas encomendas de supostas prendas de Natal não há ainda sinal...).
Quanto mais navego na internet, mais descubro sítios fantásticos para gastar dinheiro. Alguns não fazem envios internacionais, mas já consegui coisas verdadeiramente originais e feitas à mão nessas minhas incursões. Existem ainda muitas coisas que nos estão vedadas e às quais dificilmente teremos acesso, por razões de logística ou princípios comerciais. Mas, por enquanto, ainda consigo deslumbrar-me com o que há por aí. E se souberem de algum segredo bem guardado, abram uma excepção e partilhem comigo

janeiro 13, 2008
Clean slate *
Estava mais do que na hora. Aliás, há muito que tinha este projecto em mãos mas demasiada preguiça para o concluir. Esta é a nova cara do blog, mais suave e personalizada. Espero que seja do agrado. É, de qualquer maneira, um trabalho inacabado :)
* ou quase, porque o conteúdo, pelo menos, ficou.
* ou quase, porque o conteúdo, pelo menos, ficou.
janeiro 12, 2008
Amigo emigra, eu também gosto muito de ti mas...
...desculpa lá, nunca o maestro diria tal coisa. O gajo chorou quando marcou um golo ao Benfica. Snif.(Instaurámos o hábito no ano passado: ele oferece-me um livro que tenha lido, eu faço exactamente o mesmo. Este ano calhou-me A morte de um apicultor de Lars Gustafsson, a ele Mulheres de Charles Bukowski. No embrulho que vêem na imagem acima, Rui Costa diz 'Sporting é o maior' e o Camacho responde 'Podes crer, ó Rui'.)
janeiro 08, 2008
Só porque sim.
Porque não consigo deixar de ouvir esta música. E porque me apetecia mesmo muito experimentar. Pronto.
A música é, obviamente, dos LCD Soundsystem e as imagens são minhas. No harm was done to the shoes while shooting this video.
A música é, obviamente, dos LCD Soundsystem e as imagens são minhas. No harm was done to the shoes while shooting this video.
Sou muito amiga do alheio
Liguei pela primeira vez o computador em Lisboa depois do disco ter sido formatado. É certo que perdi a parte da minha memória que nele tinha armazenado, situação que (espero!) não se repetirá. Mas o melhor estava guardado para o fim: depois de ligar o computador, reparo que me liguei automaticamente a uma rede sem fios. Espero que o dono da ligação não esteja a ler este post ou que, pelo menos, desconheça a minha morada. É que escrever enquanto estou no conforto do meu quarto é outra qualidade.
Cada vez mais me convenço de que o equilíbrio cósmico existe mesmo.
Cada vez mais me convenço de que o equilíbrio cósmico existe mesmo.
janeiro 05, 2008
Um longo Sábado de tédio
...estas duas semanas foram estranhas e passadas sempre a correr entre dois ou mais sítios diferentes. Com o barril do petróleo a passar os cem dólares, vou de certeza ter que equacionar melhor a quantidade e/ou a frequência das minhas viagens...
É nisto que me apanho a pensar neste Sábado mortiço.
Há coisas melhores para pensar num dia destes, realmente. Posso pensar como o portátil apanhou um vírus que conseguiu dizimar todo o conteúdo do disco. Nas séries e na música que tinha lá eu nem penso - saca-se outra vez. Mas o que hei-de dizer das fotografias? De que maneira vamos repetir todos os momentos, como vamos guardar todos os sítios novos sem ser na retina (sim, até tive tempo para me lembrar do Gabriel Alves entretanto...)? Lembro-me de ir a passear pelas ruas de Leuven com o amigo emigra e de que como ele me disse que perdeu todas as fotos de Copenhaga ( se não estou em erro). Eu ri-me e disse que agora ele não tem provas de alguma vez ter estado lá. Neste momento, não me estou a rir.
Apesar do tempo invernoso e absolutamente convidativo a enfiar-me debaixo do edredon, em luto, estou a esforçar-me por pensar positivo. Mas é inevitável que o pensamento aterre sempre nos currículos, num conto que já ia com oito páginas, nas listas que organizavam toda a minha música e filmes. Mas tudo bem: no fundo, eu gosto de começar de novo. Já estou habituada e até sabe bem poder reorganizar tudo, instalar apenas o necessário. E entretanto, enquanto espero que o computador regresse à base, estou a olhar para uma caixa inteirinha de Merci. Vou levar isto ali à sala antes que seja tarde demais. Vou resmungando baixinho que odeio as novas tecnologias.
janeiro 02, 2008
Resolução para 2008
Ter a Someone great dos LCD Soundsystem como possível toque de telemóvel para a eventualidade de aparecer alguém digno dessa designação.
dezembro 30, 2007

Ando aqui às voltas há uns dias a pensar que chegou a hora, que é tempo de me sentar, sossegada, e tentar fazer um balanço do ano que está quase quase a a acabar. Por todo o lado (nos jornais e revistas, nos blogs que leio, na televisão) chegou a hora de resumir o ano de 2007 em factos, histórias mais ou menos embaraçantes, momentos de verdade e instantes de decisão. Mas a verdade é que ainda nem consegui fazer esse balanço interiormente. E por isso pensei que talvez a melhor maneira de o fazer fosse escrevendo porque sempre fui melhor com a tinta do que com o som.
Não sei como definir sequer este ano que passou. Vi muitos concertos, coisas que nem pensava ver tão cedo e surpresas tão boas quanto me eram desconhecidas. Voltei aos festivais para me sentir inadequada e para desejar estar noutros sítios, para descobrir que (já) não pertenço à confusão e ao pó mas segura de que tive o meu tempo. Vi a minha cidade renovar-se com tantos concertos bons e inesperados, com boas apostas e coragem de arriscar, o que só me dá mais vontade de regressar nos fins de semana.
Tive os meus momentos altos e aterradoramente baixos no trabalho. Criaram um lugar propositadamente para mim no dia dos anos do meu pai e promoveram-me, depositando em mim a responsabilidade da mudança. Viajei em trabalho até à Alemanha e trouxe de volta mais experiência e ideias. Fiz parte do projecto de comunicação da empresa, participei nas actividades radicais anuais, coordenei as comemorações do Natal. Fui considerada brusca e seca, fui repreendida por ser espontânea e usar o meu tempo livre como entendia. Tive os meus piores dias no que a relacionamentos profissionais diz respeito, especialmente com a minha chefe, que é uma pessoa de humores. Compreendi que trabalhar com pessoas, não, é mais que isso, orientar pessoas é uma tarefa ingrata porque quanto mais sobes, mais os outros te vêem longe. Mas tive na recta final do ano direito aos elogios das minhas equipas e finalmente os resultados de muitos meses a refrear a minha impulsividade.
Tive a minha parte de amores platónicos este ano. Terminei o ano passado quase apaixonada pela pessoa mais errada do momento mas safei-me a tempo. Pude ter ao meu lado uma pessoa certa mas não fui capaz de falar ou sequer aceitar que pudesse ser o momento. Tive a noite mais estranha e empolgante dos últimos tempos ao som de um filme espanhol de série Z, longe de casa, longe do Mundo porque é para esse sítio distante que a companhia me leva sempre. Tornei-me um bocadinho mais cínica, é verdade, mas nem por isso desfaleceu a minha esperança no amor. Senti abrir-se à minha frente um leque de possibilidades, que é mais do que posso dizer dos últimos anos. Andei tantas vezes com o coração a querer rasgar o peito que muitas vezes pensei que não resistia. Mas a verdade é que não amei ninguém como quero amar. Mas tenho tempo.
Viajei, fiz amigos novos, perdi amigos novos e guardei os velhos no sítio mais seguro do meu coração. Estive em três casamentos de amigos e perdi um por razões mais que conhecidas. Vi nascer outra sobrinha postiça e crescer muito o meu primeiro sobrinho emprestado. Perdoei-me por ser incapaz de mais aventura, por ser pouco atrevida. Fiquei contente quando cheguei onde quis chegar. Não chorei mais com pena de mim e aprendi as maravilhas de morar sozinha, resolvi ambicionar mais e adiar menos.
Acabo o ano a confiar na mudança. Aconteceu muita coisa nestes últimos doze meses e por isso, por estar exausta com tanta surpresa, apetece-me que o ano acabe. Para começar tudo de novo, como naqueles dias em que nos sentamos na nova secretária e sentimos na ponta dos dedos a emergência das novas possibilidades. As sms estão no telefone à espera de serem apagadas, há planos já delineados para o novo ano. Para mim e para vocês fica o meu desejo de um 2008 muito feliz! Vemo-nos nesse ano a estrear :)
Não sei como definir sequer este ano que passou. Vi muitos concertos, coisas que nem pensava ver tão cedo e surpresas tão boas quanto me eram desconhecidas. Voltei aos festivais para me sentir inadequada e para desejar estar noutros sítios, para descobrir que (já) não pertenço à confusão e ao pó mas segura de que tive o meu tempo. Vi a minha cidade renovar-se com tantos concertos bons e inesperados, com boas apostas e coragem de arriscar, o que só me dá mais vontade de regressar nos fins de semana.
Tive os meus momentos altos e aterradoramente baixos no trabalho. Criaram um lugar propositadamente para mim no dia dos anos do meu pai e promoveram-me, depositando em mim a responsabilidade da mudança. Viajei em trabalho até à Alemanha e trouxe de volta mais experiência e ideias. Fiz parte do projecto de comunicação da empresa, participei nas actividades radicais anuais, coordenei as comemorações do Natal. Fui considerada brusca e seca, fui repreendida por ser espontânea e usar o meu tempo livre como entendia. Tive os meus piores dias no que a relacionamentos profissionais diz respeito, especialmente com a minha chefe, que é uma pessoa de humores. Compreendi que trabalhar com pessoas, não, é mais que isso, orientar pessoas é uma tarefa ingrata porque quanto mais sobes, mais os outros te vêem longe. Mas tive na recta final do ano direito aos elogios das minhas equipas e finalmente os resultados de muitos meses a refrear a minha impulsividade.
Tive a minha parte de amores platónicos este ano. Terminei o ano passado quase apaixonada pela pessoa mais errada do momento mas safei-me a tempo. Pude ter ao meu lado uma pessoa certa mas não fui capaz de falar ou sequer aceitar que pudesse ser o momento. Tive a noite mais estranha e empolgante dos últimos tempos ao som de um filme espanhol de série Z, longe de casa, longe do Mundo porque é para esse sítio distante que a companhia me leva sempre. Tornei-me um bocadinho mais cínica, é verdade, mas nem por isso desfaleceu a minha esperança no amor. Senti abrir-se à minha frente um leque de possibilidades, que é mais do que posso dizer dos últimos anos. Andei tantas vezes com o coração a querer rasgar o peito que muitas vezes pensei que não resistia. Mas a verdade é que não amei ninguém como quero amar. Mas tenho tempo.
Viajei, fiz amigos novos, perdi amigos novos e guardei os velhos no sítio mais seguro do meu coração. Estive em três casamentos de amigos e perdi um por razões mais que conhecidas. Vi nascer outra sobrinha postiça e crescer muito o meu primeiro sobrinho emprestado. Perdoei-me por ser incapaz de mais aventura, por ser pouco atrevida. Fiquei contente quando cheguei onde quis chegar. Não chorei mais com pena de mim e aprendi as maravilhas de morar sozinha, resolvi ambicionar mais e adiar menos.
Acabo o ano a confiar na mudança. Aconteceu muita coisa nestes últimos doze meses e por isso, por estar exausta com tanta surpresa, apetece-me que o ano acabe. Para começar tudo de novo, como naqueles dias em que nos sentamos na nova secretária e sentimos na ponta dos dedos a emergência das novas possibilidades. As sms estão no telefone à espera de serem apagadas, há planos já delineados para o novo ano. Para mim e para vocês fica o meu desejo de um 2008 muito feliz! Vemo-nos nesse ano a estrear :)
E ao antepenúltimo dia do ano apaixonei-me.
Pela música, não tanto pelo vídeo. São os Low e é uma das minhas canções do ano.
dezembro 29, 2007
Dormir mais feliz #10
The streams of bright rosy red
Your heart will do the rest
And you'll always fade
You'll always fade
Someday you'll change
But you'll always fade
dezembro 27, 2007
So... how's being single these days?
Esta foi a pergunta que seriamente ponderei colocar a um amigo (especial) há momentos. A ironia é que ele vive com a namorada, que está temporariamente em casa, de férias. E também que, em termos de celibato, eu estou quase a doutorar-me. Por isso, a pergunta ressoa ainda na minha cabeça como a coisa mais estúpida para se dizer dos últimos tempos.
Não é que eu esteja triste por ser uma rapariga solteira. De outra maneira, não poderia ver O Maquinista enfiada na cama, deliciando-me com uma tigela de gelado de morango com coraçõezinhos de chocolate, enquanto maldizia o corpo-esqueleto do Christian Bale. Não é o facto de estar sozinha que eu acho preocupante (reparem na cuidadosa escolha de palavra... facilmente podia ter descambado para desesperante mas eu aguentei): o que me preocupa, isso sim, é a ausência de alguém por quem valha a pena suspirar. Que os há, há, que eles são como as bruxas. E eu, apesar de ser muito céptica, acredito em breves momentos de magia. Mas assim de repente não me lembro de ninguém. E, portanto, é preciso ter grande moral para sequer pensar numa pergunta tonta como essa.
E, no fundo, se fizesse essa pergunta, tinha já uma linha de resposta em mente. Ele responder-me-ia que era porreiro, que estava a saber bem, que já nem se lembrava do bom que era, que deviam repetir isto mais vezes. E, sem o saber, confirmar-me-ia toda a teoria do ser solteira e independente. Só quando, no fim, ele dissesse que já tinha saudades de lhe (a ela) adivinhar o corpo quente debaixo dos lençóis é que acabava a minha fantasia. E lembrar-me-ia de repente de como é bom acordar e sentir aquele calor do outro, enquanto o abraço por trás ainda de olhos fechados e me deixo estar. A imaginar os dias em que a cama está mais vazia, eternamente insatisfeita.
Não é que eu esteja triste por ser uma rapariga solteira. De outra maneira, não poderia ver O Maquinista enfiada na cama, deliciando-me com uma tigela de gelado de morango com coraçõezinhos de chocolate, enquanto maldizia o corpo-esqueleto do Christian Bale. Não é o facto de estar sozinha que eu acho preocupante (reparem na cuidadosa escolha de palavra... facilmente podia ter descambado para desesperante mas eu aguentei): o que me preocupa, isso sim, é a ausência de alguém por quem valha a pena suspirar. Que os há, há, que eles são como as bruxas. E eu, apesar de ser muito céptica, acredito em breves momentos de magia. Mas assim de repente não me lembro de ninguém. E, portanto, é preciso ter grande moral para sequer pensar numa pergunta tonta como essa.
E, no fundo, se fizesse essa pergunta, tinha já uma linha de resposta em mente. Ele responder-me-ia que era porreiro, que estava a saber bem, que já nem se lembrava do bom que era, que deviam repetir isto mais vezes. E, sem o saber, confirmar-me-ia toda a teoria do ser solteira e independente. Só quando, no fim, ele dissesse que já tinha saudades de lhe (a ela) adivinhar o corpo quente debaixo dos lençóis é que acabava a minha fantasia. E lembrar-me-ia de repente de como é bom acordar e sentir aquele calor do outro, enquanto o abraço por trás ainda de olhos fechados e me deixo estar. A imaginar os dias em que a cama está mais vazia, eternamente insatisfeita.
dezembro 25, 2007
I'm gonna shoot from the hip!
Ela este ano esmerou-se (ainda mais) e deu-me esta máquina. Já há uma viagem marcada para Barcelona e o dinheiro que juntei este ano faz-me sonhar com Cabo Verde em Maio. Pijamas, meias para dormir, livros e uma torradeira... Foi um Natal típico mas em versão melhor. Um dia destes, vou conseguir só receber vales da Fnac ou de alguma agência de viagens.dezembro 24, 2007
Véspera de Natal
Entardecer na recta de Pavia, hojeUm dia de trabalho como os outros em vez da véspera passada em casa, trincando pinhões e avelãs enquanto o bacalhau cozia lentamente. Um amanhecer claro e gelado em Lisboa, um final de dia morno e silencioso em pleno Alto Alentejo. Enquanto todos estavam em família, eu separava folhas de papel. Não queria mais Natal mas a verdade é que sentia falta das discussões repetidas ano após ano à mesa da consoada, do café em casa do vizinho e dos embrulhos revolvidos à procura de notas perdidas.
Um Natal muito feliz a todos. Com ou sem bacalhau, sozinhos ou numa casa cheia, sejam é felizes.
Um Natal muito feliz a todos. Com ou sem bacalhau, sozinhos ou numa casa cheia, sejam é felizes.
dezembro 22, 2007
Ganhar...
dezembro 21, 2007
M e o mundo da doçaria alemã
Pois, o que tenho a dizer é o seguinte: 'TOU FARTA DO NATAL!
Pronto, era isso. É que a pressão destes últimos dias tem sido demais: foi o mês a fechar hoje, foram as ideias para prendas já há muito esgotadas, foram as desilusões de onde menos se podiam esperar, foi o concurso de Natal do trabalho, foi esta constante exigência para que estejamos mais perto uns dos outros quando na realidade não sabemos o que está mesmo ao nosso lado. Além do trabalho ter que aparecer feito, escolheram a gastronomia de cada país representado na empresa para o tema do concurso de Natal deste ano. Foi assim que, a medo, me aventurei com Früchtebrötchen, que apresentarei amanhã a concurso.
Pronto, era isso. É que a pressão destes últimos dias tem sido demais: foi o mês a fechar hoje, foram as ideias para prendas já há muito esgotadas, foram as desilusões de onde menos se podiam esperar, foi o concurso de Natal do trabalho, foi esta constante exigência para que estejamos mais perto uns dos outros quando na realidade não sabemos o que está mesmo ao nosso lado. Além do trabalho ter que aparecer feito, escolheram a gastronomia de cada país representado na empresa para o tema do concurso de Natal deste ano. Foi assim que, a medo, me aventurei com Früchtebrötchen, que apresentarei amanhã a concurso.



dezembro 18, 2007
Bah ou os restos de um armazém
Mas agora, pergunto eu: se estes são tempos de sucesso, se o negócio evoluiu no sentido em que se previa, não há direito a uma prendinha de Natal um bocadinho mais elaborada? Só dá para trazerem estas sweat-shirts já usadas (ou então apenas sujas), com o nome da empresa e o slogan, como se as fôssemos vestir com todo o orgulho? Vestir a camisola só mesmo na maneira metafórica. E se continuam com estes presentes, qualquer dia ando mas é em tronco nú.
dezembro 16, 2007
Lately...
dezembro 14, 2007
Saudades *
Do Verão. E de como no tempo quente a única preocupação era conseguir arranjar cerveja suficientemente gelada. Agora, entre jantares de trabalho cuidadosamente ensanduichados na semana, divido-me entre o entusiasmo de um projecto novo (sem telemóveis à mistura) e a desilusão já gasta de não ter o que quero. A preocupação com a cerveja gelada mantém-se.
* ou ando sem cabeça para títulos melhores
* ou ando sem cabeça para títulos melhores
dezembro 10, 2007
Sehnsucht *
Continua a ser o álbum que mais vezes ouvi na minha vida. Se fosse um vinil, certamente estaria riscado ou gasto ou vazio: nenhum vinil poderia aguentar tantas e tantas tardes a dançar debaixo da agulha...Há muito, muito tempo atrás, trocava cartas com um professor de Inglês de Aveiro que tinha nascido e vivido em Antuérpia alguns anos. Escrevíamos cartas sem saber exactamente quem era aquela pessoa que estava do outro lado, sem saber se as nossas linhas eram esperadas com a ânsia que havia no nosso lado. E trocávamos cassetes com as músicas que ouvíamos quando os dias eram menos felizes. Ele dizia-me Tens que o ouvir! e gravou-me o que tinha numa cassete, que rapidamente se tornou na única que ouvia. Lembro-me do dia em que peguei no CD, ainda na Carbono em plena Almirante Reis e pensei que dois contos não era muito dinheiro. Ouvi tudo e soube imediamente que ele tinha razão, que eu tinha que o ouvir.
Conheço cada inflexão da voz deste CD. Sei as letras, vi os vídeos que pude. Comprei uma VHS para conseguir vê-lo a actuar ao vivo. Imagino ainda hoje todas as mulheres para quem ele escreveu estas canções de amor, invento romances impossíveis numa cidade chuvosa, ele de guitarra às costas, perdido entre as pautas e os amantes delas. Deu-me horas e horas de conforto, amparou-me as lágrimas, atenuou-me a dor. Mas, de todas as vezes que me resgatava, mais eu pensava como era injusto eu ter chegado à música dele tão tarde.
Continua tudo a fazer sentido para mim. Gosto dele como no primeiro dia, como na primeira cassete que rebobinava só para ouvir partes tão específicas da música. Gosto dele como se um dia tivesse sido sua amante e o tivesse visto partir, fechar uma porta sem nunca virar as costas, sabendo que era isso que o fazia continuar. Gosto dele como no primeiro momento em que olhei a capa do álbum e ele me parecia piroso, em que me perguntava a mim mesma porque o tinha levado para casa. Gosto dele porque, sempre que o ouço, me lembro das manhãs que passei debaixo daqueles cobertores, a ouvir os autocarros subir a minha rua, a ouvir o candeeiro da mesa de cabeceira tremer com essa vibração e a pensar que tinha a vida toda na minha mão. E gosto de pensar que sobrevivi aos dias em que me afundava a uma velocidade supersónica na dor e que ele foi um dos que me estendeu a mão. Um morto, é a ironia disto. E o professor não mais tornei a ver. Roubou-me um beijo na Gare do Oriente sob o pretexto dum glorioso pôr do sol e enfiou-se no comboio. Quis procurar a cassete mas nunca soube onde. Na minha vida, parece-me que é uma constante: nunca chego à hora certa.
* brach mir das Herz.
Conheço cada inflexão da voz deste CD. Sei as letras, vi os vídeos que pude. Comprei uma VHS para conseguir vê-lo a actuar ao vivo. Imagino ainda hoje todas as mulheres para quem ele escreveu estas canções de amor, invento romances impossíveis numa cidade chuvosa, ele de guitarra às costas, perdido entre as pautas e os amantes delas. Deu-me horas e horas de conforto, amparou-me as lágrimas, atenuou-me a dor. Mas, de todas as vezes que me resgatava, mais eu pensava como era injusto eu ter chegado à música dele tão tarde.
Continua tudo a fazer sentido para mim. Gosto dele como no primeiro dia, como na primeira cassete que rebobinava só para ouvir partes tão específicas da música. Gosto dele como se um dia tivesse sido sua amante e o tivesse visto partir, fechar uma porta sem nunca virar as costas, sabendo que era isso que o fazia continuar. Gosto dele como no primeiro momento em que olhei a capa do álbum e ele me parecia piroso, em que me perguntava a mim mesma porque o tinha levado para casa. Gosto dele porque, sempre que o ouço, me lembro das manhãs que passei debaixo daqueles cobertores, a ouvir os autocarros subir a minha rua, a ouvir o candeeiro da mesa de cabeceira tremer com essa vibração e a pensar que tinha a vida toda na minha mão. E gosto de pensar que sobrevivi aos dias em que me afundava a uma velocidade supersónica na dor e que ele foi um dos que me estendeu a mão. Um morto, é a ironia disto. E o professor não mais tornei a ver. Roubou-me um beijo na Gare do Oriente sob o pretexto dum glorioso pôr do sol e enfiou-se no comboio. Quis procurar a cassete mas nunca soube onde. Na minha vida, parece-me que é uma constante: nunca chego à hora certa.
* brach mir das Herz.
(Outra) história de violência
É um filme a oscilar entre a contenção e a brutalidade. Mas eu gostei a sério desta tensão sexual mal resolvida.(mas também da cara de pulha de Cassel, dos olhos frios do Rei e da excentricidade do tio russo, da cerimónia iniciática das tatuagens e da voz impregnada de melancolia do acordeonista, do código que nunca se quebra, da resistência à traição e da permeabilidade ao sofrimento dos outros)
dezembro 09, 2007
dezembro 07, 2007
Never trust anyone. Especially the ones you know. *
Mais um golpe, mais uma viagem. Enquanto cá andarmos há-de sempre existir alguém que nos surpreende e, depois de nos fazer confidências, depois de nos confiar coisas suas, é capaz de jurar que não nos conhece. A duração do estado de desilusão é cada vez mais breve. É capaz de querer dizer que estamos a crescer.
(mas na aquela altura sobem-me as lágrimas aos olhos, sobe-me a vergonha às maçãs do rosto e encho-me de raiva porque quero perguntar tudo, quero saber porquê, quero que ela diga que foi só uma frase sem sentido e só ouço a minha voz mais alta, cheia de indignação e vontade de gritar porque é que não me conheces melhor quando eu te conheço bem? e engulo em seco tantas vezes quantas me apetece levantar da cadeira e sair e enquanto faço o caminho para casa a desilusão amansa e passa a ser apenas um momento de nevoeiro num dia já de si imperfeito)
*frase roubada e (muito) adaptada aqui
(mas na aquela altura sobem-me as lágrimas aos olhos, sobe-me a vergonha às maçãs do rosto e encho-me de raiva porque quero perguntar tudo, quero saber porquê, quero que ela diga que foi só uma frase sem sentido e só ouço a minha voz mais alta, cheia de indignação e vontade de gritar porque é que não me conheces melhor quando eu te conheço bem? e engulo em seco tantas vezes quantas me apetece levantar da cadeira e sair e enquanto faço o caminho para casa a desilusão amansa e passa a ser apenas um momento de nevoeiro num dia já de si imperfeito)
*frase roubada e (muito) adaptada aqui
dezembro 04, 2007
Falta de comparência
Esta é uma das razões para andar a postar menos nos últimos tempos. O Natal é quando eu quiser e para mim já foi. Agora, há demasiadas páginas daquele livro de instruções para ler. E muito para decifrar, já que o mesmo se encontra em francês, língua que não domino. Tem sido disparar, disparar, disparar. Sobre assuntos triviais, quotidianos. E gosto dela.Depois, também houve o fim de semana que me esgotou as forças. Quase precisei de um horário para conseguir fazer tudo o que queria, estar com toda a gente que me apetecia ver. E houve música, pois. Com esta senhora e esta também. Foi uma noite de música bonita, com momentos em que parecia que se abria um túnel secreto para um lugar mais feliz.
E há tanta coisa a acontecer no emprego, tanta gente a sair, tanta má notícia a dar, tanta formação que planear e novos projectos que precisamos abraçar que continuo esgotada. A precisar dos cinco dias de férias que me faltam gozar. Assim que comece o ano, prometo. Por enquanto, só me apetece sentar no sofá, desligar a luz e deixar o filme adormecer-me. Pode ser?
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