março 21, 2008

Sobre não saber resistir

Eu não sou uma pessoa de doces. Conquistam-me mais facilmente com uma empadinha ou um croquete de carne do que com uma tablete de chocolate. Tenho chocolate há séculos no meu frigorífico e vou continuar a ter o mesmo porque não tenho vontades súbitas nem o hábito de comer doces. Mas hoje, durante uns momentos, fui gulosa. A minha irmã (que me mima sempre (L)) trouxe-me estes chocolates* e garantiu-me que valia a pena experimentar. O triângulo tinha um recheio de framboesa e creme de chocolate, o quadrado em cima tem 99% de cacau e o quadrado em baixo tem, como se pode comprovar, um salpico de ouro (!). O triângulo já foi e bem, é uma maravilha ouvir a capa de chocolate a estalar! Eu sei que hoje era suposto ser um dia santo e assim. De qualquer maneira, se realmente houver Céu e Inferno, eu já sabia onde vou parar.

* artesanais, integralmente feitos à mão e que podem comprar-se em Portalegre! A loja chama-se Sons e Sabores e fica na rua Direita, onde era a antiga (e saudosa) Woodstock. Se estiverem por cá e quiserem adoçar a boca, já sabem

março 19, 2008

Dormir mais feliz #12

We all recognise that I'm the problem here
We all recognise that I'm the problem here

It's impossible to know or so it seems
What I'm supposed to do with you on anything
I know that playing this time is going to fall on me
A vida anda tão parada e desinteressante como uma repartição pública na tarde de amanhã.

(apesar de ontem à noite ter estado em vários lugares com algumas das vistas mais deslumbrantes sobre Lisboa, enquanto a chuva se envergonhava de cair; de ter oscilado, ao jantar, entre uma feijoada e um belíssimo arroz de marisco; de ter partilhado uma shisha com sabor a limão com outros não fumadores; de ter feito planos para o próximo festival de Verão que vai, de certeza, ser diferente de todos a que fui até agora; de deixar de trabalhar amanhã às cinco da tarde e só regressar na terça, às nove e meia da manhã; de ficar a saber do concerto que vamos ver este fim de semana e da festa que se prevê de arromba; de decidir que vamos a Espanha comer o sorromilho da dona Estrela este fim de semana e, quem sabe, ver moças de fato de treino, mala e sapatos de senhora)

Este foi o truque que me deu mais trabalho a aprender até hoje: ser feliz com coisas pequenas. Nem fazer bolinhas com o fumo me custou tanto.

março 17, 2008

Caramelo

Pensava que o Domingo já tinha acabado. A porta já estava trancada e o pijama vestido, só esperava que chegasse o sono. Inesperadamente, surgiu um convite para a sessão da meia-noite que eu, cansada de estar sozinha, aceitei logo. Fomos ver este filme que é, como alguém o descreveu, uma espécie de Almodóvar libanês, com a vantagem de ter mulheres ainda mais bonitas no elenco.

(e aquele perfume ali ao meu lado, a estranheza de todos os momentos, a rapidez com que os pensamentos me atravessam a cabeça. i just don't know what to do with myself)

março 16, 2008

Easy like (ok, vocês sabem o resto...)

Não me lembro de um Domingo tão bom há muito tempo. Tinha aproveitado a noite de Sábado para recomeçar a procurar emprego, o que não abona muito a favor das noites do meu fim de semana. Vesti uma t-shirt que me ofereceram lá no escritório e agarrei-me aos anúncios: era assim uma espécie de vingança infantil, como se estivesse a espetar uma faca nas costas da empresa que até agora me acolheu bem. Enviei uns quantos currículos, que isto agora é moda - as candidaturas online. No meu tempo, escrevi uma série de cartas de motivação, comprei uma série de envelopes A4 e gastei uma série de dinheiro em selos... E a verdade é que nada disso me conseguiu o emprego que tenho agora mas adiante: de ausência de respostas e currículos em vão todos temos a nossa parte.

Mas esqueçamos o Sábado. O Domingo valeu por todos os dias em que me andei a arrastar Lisboa fora, sem vontade de acordar nem de trabalhar. Dormi doze horas, apesar dos meus planos para a noite incluírem cervejas, das quais apenas cheguei a beber duas. Comi daqueles pequenos-almoços que não dão vontade de comer mais nada durante o dia. Estendi-me na cama do quarto vazio e li quase tudo o que tinha em atraso durante quase quatro horas. Depois do banho, comi um pseudo-almoço que metia salmão e espinafres só para dizer que sim senhor, tinha almoçado. Saí de casa apenas para levar a reciclagem e beber um café, que a cafeína é um vício que ainda não consegui eliminar. Voltei a casa para acabar com a segunda série do Lost, episódio atrás de episódio - finalmente, estou a recuperar terreno.

E amanhã é dia de folga outra vez. Não era suficiente que este fosse o melhor Domingo de que me lembro mas amanhã é outra vez dia de folga - a primeira vez em dois anos em que posso folgar numa Segunda-Feira. São, portanto, dois dias seguidos e eu nem quero acreditar. Deixei para amanhã tudo o que podia ter feito hoje: passear por Lisboa e apanhar o eléctrico até ao meu sítio preferido, ir ao cinema (amanhã quem estará numa sala de cinema à tarde?) e comprar um modelito para estrear no próximo Domingo. A vida é mais ou menos, vá.

É Domingo na Lapa.

E, portanto, a manhã começou desta maneira, enquanto na aparelhagem tocava o Ma Fleur dos Cinematic Orchestra. Gosto de pequenos-almoços.

março 13, 2008

Um pé em Nova Iorque, outro no Mundo...

Quando o menino decide dar um pulo a Lisboa, não há qualquer hipótese (e muito menos lógica) de recusar um convite para jantar. Isto de estar em Nova Iorque e aparecer por cá para uma visita de médico é giro e do mais cosmopolita que há. Aproveita-se para matar as saudades, elogiar os cintos novos, beber cerveja em condições e falar sobre o MoMA*. É ainda um melhor pretexto para jantar no café Buenos Aires: um bife argentino extraordinariamente mal passado, coberto de cogumelos salteados em rum e natas e o melhor bolo de chocolate dos últimos tempos (servido com doce de leite). O sítio é muito bonito e a música muito adequada: foi a primeira vez que jantei ao som de Carlos Gardel e fiquei maravilhada! A conversa estendeu-se para além do horário recomendável para quem acorda com as galinhas e ficaram promessas de recuerdos dos Estados Ónidos. Se as coisas fossem sempre assim - simples - eu agradecia.

* espreitem e procurem por uma moça portuguesa que tem uma exposição a decorrer por estes dias. Vale a pena, acreditem.

março 11, 2008

Gosto de falar ao telefone com a minha mãe porque ela me faz sentir calma, como se me pudesse isolar de todos os problemas, de toda a tristeza. Gosto de falar ao telefone como o meu pai porque ele me lembra dos jogos do Benfica e porque nos rimos dos treinadores dados como certos.


Hoje sinto-me violenta.

(Cheguei a casa, peguei no material de limpeza e deixei tudo a brilhar. Há que purgar... Hoje fui uma pessoa absolutamente horrível. Quis castigar os outros por aquilo que me falta a mim. Não consigo aceitar as regras do jogo.)

março 10, 2008

Música nova* ♥

Portishead - Third

Música para ouvir quando se chega a casa meio esgotada pelas banalidades do dia. Canções para ressuscitar a vontade de sentir a electricidade fazendo tremer as pernas, para entrar numa zona de penumbra onde os contornos das pessoas são menos definidos e agressivos. Uma voz sempre em equilíbrio frágil com a sujidade da electrónica, o sintetizador que toma conta da canção e gira à nossa volta, em espiral. Acompanha bem com um suissinho de pêssego.

Tindersticks - The Hungry Saw

Lamento todos os dias em que não gostei da voz dele. É como se precisasse de crescer até gostar de a ouvir.E já cheguei aqui, amadureci. É música de amantes, de adultério. Uma voz que canta atrás de uma cortina de veludo vermelho enquanto fingimos que não há mais nenhum sítio para estar e acabamos a bebida à pressa. É música para ouvir depois de beber gins tónicos num bar em que as cadeiras são todas desiguais e os empregados estão sempre deprimidos. São canções sobre o amor inconstante, com horas marcadas num quarto de hotel vazio e sobre o regresso a casa já o sol nasceu. É o orgão ocultando horas e truques de sedução inconfessáveis. Acompanha bem com café frio e os cigarros que deixei de fumar.

* a abrir-me novos mundos, aka, fazendo-me sonhar.

Sobre ser consumidor (a)

Hoje aconteceram duas coisas estranhas.

Saí do trabalho e fui à Fnac para comprar uns cds (If Lucy Fell, Vicious Five e Lobster). Já há muito que tinha decidido que vale definitivamente a pena comprar cds de bandas portuguesas, ainda mais quando são cheias de talento e me oferecem novidade como estas. Sabia que podia comprar na net mas preferi ter logo o cd na mão. Qual não é o meu espanto quando, depois de insistentemente verificar todos os expositores, descubro que nenhum destes cds é vendido lá! Não estavam expostos nas novidades e também não faziam parte da selecção de música portuguesa nem dos autores ordenados por ordem alfabética. É bizarro: em vez de novos talentos, nos expositores estão as colectâneas dos Morangos blá blá blá ou outras cuidadosamente preparadas para fazer render o catálogo das editoras. Não sei, como é óbvio, se é a loja a virar as costas às bandas nacionais ou se a distribuição marginal da música é uma opção destas últimas (que normalmente vendem cds nos concertos e têm distribuição online). Mas, que não me parece boa política, não parece.

E depois cheguei a casa e tinha correio... Da DECO. Esta associação de apoio ao consumidor convida-me, nesta missiva, a fazer parte dos seus sócios e a beneficiar de uma série de ofertas. Mas as perguntas dispararam de imediato: como é que a DECO sabe que eu moro aqui? De que forma escolhe os potenciais clientes? Que entidade divulgou os meus dados a terceiros e com que autorização? Este negócio de venda de dados pessoais é um bocado assustador mas é ainda pior quando quem supostamente nos devia defender se faz valer dele para angariar clientes...

Portugal é um lugar estranho.

março 08, 2008

Esta noite sinto-me assim*.

I'd give my body to be back again

In the rest of the room

To be alone with you

* com vontade de largar tudo à pressa e correr para uns braços que não me esperam ou de fechar os olhos e adormecer antes das dez da noite.

Quina das Beatas: If Lucy Fell

Ontem foi mais uma noite de boa música num espaço que me enche as medidas. Esta ideia de um ciclo de concertos com base nos artistas da Borland (cujo site que podem visitar aqui) é fenomenal. Ontem foi a noite dos If Lucy Fell, banda cujo trabalho eu desconhecia. Já devia conhecê-los mas ainda vou a tempo e vocês também - escutem-nos aqui. Quem disse que o rock morreu não esteve lá ontem à noite.

março 06, 2008

Ficção #2

(Sobre alguém que ainda não conheço.)

Apago a luz e tento arranjar a melhor posição na cama. Quando me viro para o lado que todas as noites está vazio, vejo-o deitado e sério, olhando para o tecto, sem saber que eu estou a observá-lo. Está calor e ele deita-se de tronco nu sem se tapar. Sei que fez a barba antes de se deitar e consigo imaginar-lhe o cheiro do after shave, que pôs mesmo sabendo que ia dormir. Os olhos dele não se movem, estão fixos no tecto ou em qualquer coisa que só ele vê. Secretamente, ele imagina que consegue controlar a direcção das suas emoções e a intensidade dos seus sentimentos. A sua força é tanta que já não há nenhuma fronteira entre aquilo que idealiza e o que vive. Está escuro no quarto mas os olhos dele continuam tão abertos como se o dia tivesse acabado de nascer. E estão fixos num ponto que para mim é imaginário e para ele é desconfortavelmente real.

março 03, 2008

Intimidade *

Estava a pensar no que é isto de ser íntimo de alguém. Estava a pensar que podia ser confiar segredos, desmontar vícios, ver através de alguém ou simplesmente estar nua junto a outro corpo nu. E ocorreu-me que talvez tenha tido os meus maiores momentos de intimidade com estranhos, com pessoas que nunca vi ou a quem nem sequer confiei o mais insignificante dos meus segredos. É estranho mas às vezes sinto-me travada pelo pudor com as pessoas que tenho mais perto de mim e, ao contrário, um estranho pode levar de mim a coisa mais inconfessável, se o momento for o certo... Com um estranho (e com isto quero dizer um homem ou uma mulher) não há obrigações morais nem de sociedade, não há protocolos a cumprir porque os vamos inventando pelo caminho, não há regras nem limites, não se espera nada em troca. E é óbvio que não estou aqui a fazer o elogio da ausência de laços nem a desprezar as minhas relações mais antigas. É só que nos cruzamos com tanta gente nova e as nossas reacções são tão imprevisíveis que estes momentos de intimidade se tornam um mistério para mim. E quanto mais avanço (sem saber em direcção ao quê), mais sinto esta espécie de liberdade.

(confiou-me um segredo baixinho e eu guardei-o como uma preciosidade. agora quero o resto da intimidade.)

* como no filme, um dos meus preferidos de sempre, em que ele e ela não precisam de falar: encontram-se naquela casa semi-vazia e suja, despem-se já ofegantes quase sempre à mesma hora e entregam-se um ao outro - dois estranhos, nus, a intimidade espalhada pelo chão. Fazem-no até ao dia em que a carne deixa de ser suficiente para se sentirem próximos - o laço invisível não estava lá.

março 01, 2008

Marvão: uma tarde de Inverno

E depois da agitação de ontem, a tarde foi passada mais ou menos assim. A sentir o sol na pele, já em manga curta, pelas muralhas mais lindas que conheço.

Party Hard

Ontem foi noite de ver os Waste Disposal Machine (que podem ouvir aqui) e de festa.

(The heart beats in its cage
Yes the heart beats in its cage)

fevereiro 29, 2008

Ficção #1

(Sobre alguém que ainda não conheço.)

Quando me deito, imagino-o deitado sem conseguir dormir. Tem um braço atrás da cabeça, sobre a almofada e apenas uns calções vestidos. Tentou escrever cinco páginas num caderno de capa preta, gasto pelas noites em que perdeu repentinamente a inspiração quando ia começar a rabiscar. Tentou escrever sobre o estado do mundo e sobre o método para ser feliz mas faltaram-lhe as palavras para tanta teoria vazia. Folheou as páginas incompletas como em todas as noites em que se senta para cumprir o ritual e, como em todas essas noites, suspira profundamente porque sente que não sabe para onde está a caminhar. É esta sensação de desnorte que o trava, que o deixa desorientado e que o impede de dormir tranquilamente. Tem o braço sob a cabeça enquanto tenta arranjar estratégias para nunca ser apanhado desprevenido, para estar sempre preparado para a catástrofe. É tão meticuloso que pensa todas as noites no momento exacto em que lhe roubaram a naturalidade e a vontade de ser livre para que nunca se esqueça e para que nunca volte a errar de novo.

fevereiro 28, 2008

A inocência, como a ignorância, é uma benção

[no 738, miúda de 3/4 anos conversa com a mãe]

Miúda: E mãe, a erva está molhada, não é?
Mãe: Sim filha, é que esteve a chover hoje de manhã.
Miúda: E as flores, mãe? Estão cheias de xixi de cão e cocó de cão, não é?

[mãe ignora pergunta e olha à volta discretamente para tentar perceber se alguém ouviu, dá de caras com o meu sorriso]

fevereiro 27, 2008

É uma ideia que me anda na cabeça há uns tempos. Já tinha falado com este moço e com este também mas ainda não tinha passado à acção. Como sempre gostei da ideia, de as fazer e ainda mais de as receber, resolvi partilhar com mais gente as minhas compilações, as músicas que eu escolhia para ouvir em repeat. Se alguém quiser experimentar, é só clicar ali em baixo (e seguir as instruções). Se houver mais gente com vontade de partilhar, eu sou toda ouvidos.

Música para dias melancólicos:

M e l a n c h o l y . r a r
(inclui ficheiro com músicas/artistas não necessariamente por ordem de aparição)

Goodbye and good luck

Vá. Digamos que correu diferente do que esperava. E não exactamente para melhor. Talvez por nunca ter ido a uma entrevista sem resposta quase imediata, a tarde de hoje não acabou como eu gostava que tivesse acabado.

(havia de tudo: a menina afectada que bufava sempre que havia um compasso de espera, o grandalhão que decorou todos os números sobre as últimas vendas da empresa, a moça que falava um inglês tão mau que ninguém se atrevia a pedir-lhe para repetir nada, a rapariga faladora e demasiado auto-confiante, o manager que era a definição perfeita do que é ser yuppie. E eu, sempre demasiado calada e com medo de parecer desadequada ou esquisita)

* Ah! E obrigada por todos os vossos votos de confiança. Talvez se os tivesse lido mais cedo pudesse estar agora menos frustrada...

Sobre a ansiedade

Em primeiro lugar, as minhas palavras vão para todas as cabeleireiras deste Mundo. Minhas caras, tenho esperança que um dia entendam que eu NÃO QUERO PINTAR O CABELO NEM TENHO VERGONHA DE TER CABELOS BRANCOS! Agora que, pela enésima vez, esclarecemos este ponto, passemos ao que realmente interessa.

Amanhã é, então, dia de fazer testes e entrevistas e nervoso miudinho enfiada no meu melhor modelo mas sem saltos altos que Barcelona ainda está a fazer das suas no meu calcanhar. Portanto, e porque já precisava, dei um jeito no cabelo para que tudo esteja perfeito quando amanhã pisar aquele hotel perto do mar. Imprimi os documentos necessários, revi a história da empresa e, melhor que tudo, soube de fonte segura qual o número de vagas para o lugar e vislumbrei um pouco das minhas hipóteses de conseguir uma delas. As duas pessoas que me são mais próximas no departamento também estão em risco de sair. Talvez seja um ciclo que se fecha aqui.

Se por um lado não sinto a pressão do dia de amanhã - porque tenho um emprego seguro -, por outro estou moderamente assustada. Quero mudar de emprego mas não quero perder esta descontracção que às vezes sinto. Quero ficar onde estou mas não quero ganhar este ordenado e ver aumentadas as minhas responsabilidades. Vou tentar baixar o nível das minhas expectativas. Mas que já sinto um friozinho no estômago... Isso já.

fevereiro 23, 2008

My blueberry nights

É daqueles filmes. E esta é a minha cena preferida porque acontece exactamente no momento certo do filme. Por isso e porque também queria um amor que esperasse por mim durante um ano, até que finalmente estivesse pronta. Não tenho cura.

fevereiro 22, 2008

Lucky clover

Um bocado distraída, enviei um currículo na terça-feira sem sequer pensar muito a sério na vaga. Foi mais uma reacção automática, depois de concluir que preciso mesmo de outros ares. E eis senão quando!, recebo uma chamada hoje de uma menina inglesa, fazendo-me umas perguntas adicionais e acusando a recepção do currículo. Quarta-feira já está marcado um dia inteiro de testes, o que seria mais ou menos perfeito se o dress code não fosse formal. É mais um passo em direcção à burguesia mas todo o aumento de capital que conseguir é extremamente desejado.

Entretanto, e ironicamente, hoje foi o dia da minha avaliação trimestral, onde se comenta a evolução na posição, discutem as dificuldades encontradas no seio das equipas e se estabelecem planos de acção. Fui das únicas três pessoas que ultrapassaram a barreira dos noventa por cento mas foram-me apontadas falhas que nunca conseguirei eliminar. Porque resultam da contradição das estratégias dentro do departamento e porque o ramo de negócios é inconstante. Discuti a possibilidade de melhorar mas, intimamente, fazia planos para deixar para trás esta instabilidade. Quando me proponho a alguma coisa, faço-o com determinação mas propus-me avançar e mudar de capítulo e agora não há nada que me possa parar.

Dormir mais feliz #11

with my idle hands
there's nothing i can do
but be the devil's plaything, baby
and know that i've been used

fevereiro 21, 2008

Correr por gosto

É beber uma taça inteira de café para conseguir despachar os compromissos a tempo. Não exactamente para me manter acordada mas para desfrutar ainda mais de uma coisa de que gosto. Não posso estar a ouvir música porque o Benfica está a jogar [espero uns minutos em frente à televisão para escrever Golo! mas não tenho sorte nenhuma]. Já vamos em mil e quinhentas palavras e ainda não percebi exactamente quando parar. É que, como em tantas outras coisas, tenho sempre mais e mais para dizer.

fevereiro 20, 2008

Coisas em que acredito *

Ou Nada é impossível, no meu frigorífico para lembrar-me sempre.

* como ninguém jogar em campeonatos diferentes ou motoristas de autocarro que não arrancam assim que nos vêem correr ou uma dor de tornozelo que se arrasta há mais de uma semana ou na doce sensação do dever cumprido ou em música pirosa ou que dormir bem sem remédios é possível ou que ainda existem coincidências ou que eu consigo o que quero

fevereiro 19, 2008

Onze do cinco de dois mil e oito



Definitivamente, alguém decidiu brincar com a minha sanidade mental e com a minha carteira. Depois de os perder vergonhosamente no SW deste ano, vou conseguir vê-los. Quanto mais o tempo passa, mais me rio de quem dizia que era um ano fraco em concertos...


You know I dreamed about you for twenty-nine years before I saw you. You know I dreamed about you, I missed you for... for twenty-nine years (dissesse o moço vinte e oito anos e isto era perfeito)

M. e a globalização

Se há coisa de que gosto é desta ideia de mercado livre, do qual podemos usufruir e que derruba as barreiras geográficas mais impossíveis. Hoje foi dia de receber correio, uma ocasião tão inesperada como (mesmo assim) aguardada. Em causa, estavam umas carteiras que tinha comprado para oferecer no Natal (!) a umas amigas e que, até agora, não tinham chegado. É óbvio que entretanto os planos foram remendados e agora as carteiras ficam em stock até que surjam outras ocasiões mas não nego que fico deslumbrada com o facto de já terem andado pela Tailândia! É um mercado livre e gigantesco, sim senhor, mas ainda a carecer de sentido de orientação...

(ainda assim, para quem quiser conhecer a loja, é só clicar aqui: podem atrasar-se nas entregas mas há ideias originais até perder de vista)

fevereiro 18, 2008

Acordei de duas em duas horas na noite passada. Naquele silêncio profundo que só existe à noite, deixei-me estar de olhos abertos, sobressaltada apenas pelos relâmpagos e trovões. Não sei se não dormi por saber que ia voltar ao trabalho ou por não me conseguir esquecer. Tento apagar as memórias mais recentes da minha cabeça para conseguir dormir em paz. Como é que se esquece uma coisa que nos faz sentir viva? Como é que se ignoram as borboletas na barriga? Como é que se finge que nada nos magoa? Não sei se quero apagar a luz outra vez.

fevereiro 17, 2008

Foi um final em grande. Às nove da manhã, estava a entrar em casa e encontrei os meus pais a prepararem-se para o pequeno almoço. Na cabeça, estavam horas e horas de conversa séria e conversa sem nexo, a insistência em chamarem-me xô doutora, a música que fui escolhendo e dançando mesmo com o calcanhar avariado, um número de telefone que perdi nesta mesma manhã. E outra vez esta sensação de possibilidade...

fevereiro 16, 2008

Não acredito que já está. Não quero imaginar sequer que segunda-feira volta a ser dia de acordar com escuro ainda lá fora, ir de olhos fechados até à cozinha e preparar o pequeno-almoço às cegas. Não quero regressar e responder mil vezes que as férias foram boas mas curtas, como sempre, como toda a gente responde, como todas as vezes que estou longe daquele sexto andar. A única coisa que me conforta é que já comprei o jornal hoje para espreitar as ofertas de emprego e que resolvi finalmente tentar mudar de vida. Preciso urgentemente de mudar, de sentir o sangue fresco a correr nas veias, do coração a palpitar de ansiedade. Estar confortável não chega, quero mais que isso. E, só por isso, que venha segunda-feira que já estou com um bocadinho de pressa.

[já para não falar da embrulhada em que anda esta cabeça e de como, se calhar, até preciso trabalhar para tentar ocupar a minha cabeça durante oito horas por dia e não deixar espaço para estas loucuras que me andam a roubar o sono e a acelerar o coração]

fevereiro 15, 2008

Valentine's Gift

Um para mim, outro para alguém. Feito e oferecido pela minha tasqueira preferida.

fevereiro 14, 2008

De p*** madre!

Outras fotos aqui --->Flickr!

Regressar é... triste, acho eu. Vim de Barcelona completamente apaixonada pela cidade, fascinada pela gente e pela quantidade de sítios bonitos para ver, cheia de recordações e de segredos. Fiquei instalada mesmo no centro, no bairro do Raval, numa perpendicular às Ramblas. É uma espécie de Kreuzberg de Barcelona (para quem não sabe, Kreuzberg é um bairro multi-étnico de Berlim), cheia de lojas abertas todo o dia e toda a noite, gente limpa e gente suja, prostitutas e velhinhos curvados.

Era o quarto andar com as escadas mais impossíveis do mundo e nenhum elevador. A casa era partilhada com três portugueses e uma italiana. Durante estes dias, entrou e saiu gente de todo o lado do Mundo naquela casa (não me esqueço da chinesa que nasceu na Alemanha ou da chilena calada). Passei grande parte do tempo sozinha: andei tanto mas tanto que acho que trouxe uma lesão no calcanhar esquerdo. Visitei tudo sem mapa, só guiada pelo instinto e pelas plantas nas estações de metro. Tinha apontado tudo o que queria ver no Moleskine e sabia que, mais cedo ou mais tarde, ia conseguir ver tudo. O que eu não sabia é que Barcelona é uma cidade para se viver e não só para se visitar.

Levaram-me a comer tapas e a beber claras no Lalola, enquanto velhas comiam churros e bebiam chocolate quente ao jantar. Perdi-me no Bairro Gótico, no Born e na Gràcia, sozinha e com guia. Bebi vinho num bar com luzes quentes onde podíamos estar deitados, passei o final do dia sentada na areia fria e húmida da Barceloneta. Bebi uma cerveja num bar cheio de gente cheia de droga, a decoração era a de uma boite decadente e a música era soul da boa.

Que cidade... Ou isso ou eu sou uma tonta que não resiste às vozes roucas do flamenco e à gente de todo o lado misturada nas ruas cheias de mais gente de todo o lado e ao catalão que, mesmo seco e difícil, me conquistou o ouvido. E uma tonta que também não resiste às portadas de madeira em todas as janelas e ao horário da siesta e às ruas escuras e estreitas. Regressei mas [clichè] deixei lá um pedaço de mim. Mas eu volto, em breve eu volto. ¡ Y olé!

PS: miúda, não voltei mais cedo por causa do jet lag!

fevereiro 08, 2008

B is for Barcelona

Fotografia daqui.

Chega de ficheiros e medições e pessoas que se despedem. Chega de noites mal dormidas porque se sabe que a próxima manhã é sempre cedo demais. Chega de férias passadas enfiada em casa à espera que se façam horas de ir para os copos. Chega de hóspedes indesejados na minha cabeça, tomando conta de todos os momentos que tenho para pensar. Chega de ter saudades. Chega de computador e internet e inércia.

Vou ter sol, gente que me apetece rever e tempo para fotografar. Até quarta.

Campo de Ourique by night ♥

Uma mesa cheia de azeitonas, queijo e couratos. Jarros de vinho nada desprezível. O restaurante demasiado bem frequentado para o nosso gosto. O concurso onde todos deveríamos ir ganhar dinheiro. Portalegre, Barcelona e Nova Iorque. A não intelectualidade (eu fui primeiras!), a escatologia e as histórias da terra. Gosto de vocês, pá.

fevereiro 07, 2008

Abrir precedentes

Não gosto muito de excepções. Dou-me melhor com aquilo que é certo do que com terrenos movediços e por isso não me dou mal com rotinas. Quando se permite uma excepção, abre-se todo um caminho para o descontrolo e para a imprecisão. Não é que eu seja fundamentalista: é só como me sinto mais confortável.

No trabalho, por exemplo... Há um conjunto pouco complicado de regras a cumprir, que envolvem pontualidade, produtividade e espírito de equipa. Até uma certa altura, todos éramos obrigados a cumpri-las na íntegra (sem grandes esforços nem grande controlo) para que tudo funcionasse na perfeição. Agora, admitem-se todos os dias excepções, muitas das vezes por motivos absurdos, o que vai levar a uma rebaldaria impossível de controlar. Pervertem-se os princípios e a honestidade das pessoas, premeia-se o jogo de aparências e retira-se a importância ao cumprimento das regras. Aquilo que me consola é que mais tarde não vou ter que ser eu a tomar decisões ou a jogar o trunfo da mão de ferro: quando a altura chegar, eu vou estar sentada na minha cadeira, a ver a manhã avançar sobre Lisboa, a fixar-me na ponte 25 de Abril e no Cristo Rei por alguns segundos, enquanto penso que o poder é difícil de exercer.

E no amor? Aí nem gosto de falar de excepções. Principalmente, porque estou constantemente a concedê-las. Primeiro decidi que não me queria apaixonar mas como isso não é uma coisa que se consiga assim, do pé para a mão, reconsiderei e decidi que podia ser de vez em quando. Portanto, andava a apaixonar-me de tempos a tempos, sem pensar muito nisso. Só que arranjei sempre maneira de me apaixonar pelas coisas e pelas pessoas erradas, ou porque a ocasião era a menos feliz, ou porque eu e a coisa/pessoa não estávamos no mesmo comprimento de onda. E aí decidi que não voltaria a apaixonar-me por coisas/pessoas impossíveis (assim do género a vida é óptima desta maneira, ai mas eu nunca te disse que gosto de ser livre/tenho namorada/não sei o que quero/não quero ninguém?) mas a verdade, a verdade verdadinha, é que não consigo. Desde a primeira vez que caí nesta que não me consigo levantar e há sempre mais um encanto na manga que me apaixona à primeira.

Então e a rádio? Basta sintonizarem o bicho naqueles canais manhosos que dão as mesmas músicas há dez anos consecutivos e os últimos êxitos de cordel e eu dou comigo a bater o pé. Fosse a minha cabeça e o meu coração como um rádio e a minha vida era muito melhor: ou baixava o som ou mudava de posto. Excepções é que nunca mais.

Genial <3

#80.2 - VAMPIRE WEEKEND - The Kids don't stand a chance

Ouço a música destes rapazes e sinto-me numa ilha tropical, bebendo um daqueles batidos enfeitados com uma sombrinha, pronta para dançar o limbo. São os meus amores do momento e parece-me que vêm para ficar.

(este site continua a dar cartas na música ao vivo... grande grande ideia!)


fevereiro 06, 2008

Uma outra maneira de fazer turismo

É óbvio que a melhor forma de conhecer outro país é ir lá. É enfiar-me num avião, aterrar em solo desconhecido, sacar do mapa da cidade ou das estradas e tentar ver em poucos dias tudo aquilo que esse novo país tem para conhecer. Acrescenta-se a isso saborear a gastronomia ou a ausência dela, o contacto com as pessoas nativas para confirmar/destruir os estereótipos e a imersão numa forma de viver totalmente diferente.

Em alternativa, temos os amigos que visitam sítios e nos oferecem pedacinhos desses sítios para que possamos, superficialmente, sentir que estivemos lá. A mulher do meu afilhado trouxe-me prendas da base americana das Lajes, a saber: um charuto com sabor a framboesa e uma bola de basebol (na foto). E ainda comi Skittles ácidos e havia outros de frutos do bosque e sacos de pilotos. Já me tinham trazido uma mão cheia de recordações do Egipto, maioritariamente amuletos para melhorar a minha sorte. Ainda não senti o efeito deles mas senti que se lembraram de mim e me quiseram oferecer um bocadinho do turismo deles. Para a próxima, ficou prometida a luva. E um destes dias é verem-me a treinar passes num jardim qualquer de Lisboa.

fevereiro 04, 2008

Parece-me que chamam a isto o pleno.

Não ir a casa durante três semanas tem destas coisas: todo o dinheiro que devia ter recebido lá nestas mesmas semanas ficou sossegado, à espera que eu regressasse. Acontece que as finanças andam mais ou menos equilibradas, logo o meu primeiro impulso foi pensar num fundo para concertos. O de Portishead já estava comprado, hoje tratei dos outros antes que esgotem.

Também estive nesta loja, porque, sendo uma pessoa de impulsos, vi uma t-shirt que ficava a matar a um amigo e resolvi comprá-la - não interessa que exista ou não uma ocasião *. Fica perto do King e tem coisas giríssimas. A loja online funciona muito bem e as respostas são personalizadas. Às vezes sinto que podia escrever um tratado sobre como gastar uma pipa de massa em apenas alguns minutos mas, na verdade, não me quero lembrar disso. Exactamente por esta razão é que muitas vezes termino as compras literalmente de olhos fechados: é porque assim parece que o dinheiro nunca deixou o meu bolso.

* [Edit: não existia nem vai existir. Passou a ser minha.]

fevereiro 02, 2008

Pequenos prazeres

Depois do banho, voltar a vestir o pijama. Passar a tarde a ouvir apenas música nova e folhear pela primeira vez uma Vogue inteirinha, só para ver como param as modas. Deixar que seja Inverno apenas lá fora.

fevereiro 01, 2008

Borboletas na barriga

A fotografar a minha vida com palavras desde 2004.

Voltar a casa

Voltar a casa depois de três semanas consecutivas em Lisboa é muito bom. Acordo sem despertador e em pleno silêncio: não há ruído nenhum nesta manhã fria de sexta-feira. Não há ninguém em casa, a televisão continua desligada, o sofá desocupado. Como todos os dias em que estou em casa, espreito à janela o dia que ainda me fere os olhos e tento decidir, sem abrir a janela, se vou gelar ou se faz aquele calor morno. Em cima da mesinha da sala, há uma montanha de Nova Gente e Caras que a minha mãe me guardou, como sempre, para que eu possa saber tudo aquilo que ninguém precisa de saber.

Imaginei muitas vezes nos últimos tempos como seria viver aqui agora. Pensei na sensação de tranquilidade que era ouvir os miúdos que saem da escola do Atalaião ou da maravilha que era nunca ter que fazer uma viagem ao Domingo. E pensei como podia lanchar nos meus avós, como sempre, um dia em casa de uns, outro dia em casa dos outros. E explicava à minha avó que não posso comer bifanas em todos os lanches, é carne a mais, parece um jantar e ela continuava a insistir. Pensei como a minha vida deixaria de ser agitada, sem gastar tempo dentro de autocarros cheios de gente mal educada e pouco civilizada e podia só andar a pé, estar em dez minutos em qualquer parte da cidade.

Mas não posso. E nem quero deixar Lisboa. E voltar a casa depois de três semanas é melhor porque é como conseguir respirar fundo outra vez. No resto do tempo, é só uma questão de respirar normalmente. As coisas boas têm sempre um preço alto demais.

janeiro 31, 2008

Era rapariga para tatuar isto num canto de mim...

Red wine and sleeping pills
Help me get back to your arms
Cheap sex and sad films
Help me get back where I belong.

...de tão verdade que é.

janeiro 30, 2008

Às vezes permito-me um momento de fraqueza. Ontem, permiti-me vários.

Diz quem sabe que incha, desincha e passa. E diz muito bem. A normalidade da emissão foi, assim, retomada.

janeiro 29, 2008

Perfeito.

Visto aqui.

(de repente, já não és tu. sentas-te numa paragem de autocarro vazia e ficas atenta ao trânsito das seis da tarde. ainda anoitece às seis da tarde e tu tens saudades dos dias compridos. não retiras nenhum prazer de tentar adivinhar quem conduz cada carro nem de fingir que estás a caminho de um sítio realmente importante. o céu está escuro sobre a cidade mas mais escuro sobre ti, como se a tua tristeza se tivesse condensado numa nuvem sobre a tua cabeça. ninguém vê a nuvem por cima da tua cabeça. dois homens numa carrinha de mudanças são travados pelo engarrafamento e sorriem-te atrás do vidro fechado. falam um com o outro, acotovelam-se na cabine apertada e fazem-te sinais. rodas a cabeça lentamente na direcção do princípio da avenida, não te apetecem palhaçadas. sentas-te num banco de autocarro vazio. escolhes um banco solitário para não confundires a tua tristeza com a de outra pessoa qualquer. concentras-te. quanto mais música ouves, mais a tua tristeza se depura, até sobrarem apenas o cristais puros que hão-de cair-te dos olhos. precisas de chegar a casa. caminhas devagar, a mala no ombro e a música a fazer-te serpentear entre os carros estacionados no passeio, o teu vizinho à porta do café, as chaves que nunca encontras na mala, o correio que nunca recebes e o som da tua tristeza a espalhar-se pela tua casa vazia.

escolhes um disco a custo. ele entra-te em casa, com o boné a desafiar a tua vontade de evitar um sorriso. não te diz que está tudo bem porque ele sabe que não está. mas canta de mansinho sobre amores pequeninos. faz de conta que a dor amaina. e amanhã há mais.)
De tantos defeitos possíveis, tinham logo que me calhar esta absurda capacidade de acreditar em tudo e de pensar que, um dia, tudo vai ser diferente.

janeiro 27, 2008

Ah, the irony of it all...

Pelo menos duas pessoas vieram parar aqui depois de fazerem uma busca sobre como controlar os nervos.

We're hot!

Fisheye com o sr. Kike, Janeca, Zé e eu retocada pelo Lobomau

janeiro 26, 2008

Thinking is unproductive

Se há coisa em que gostava de ser diferente é naquela maneira que algumas pessoas têm de parecerem naturais em qualquer circunstância. Quando estou com pessoas que não conheço, sinto-me constantemente desajeitada, inadequada, demasiado auto-consciente. É como se essas mesmas pessoas (que não me conhecem) pudessem ver através de mim e descobrissem à primeira os meus pontos fracos.

Hoje tive uma reunião (muito informal) de um projecto novo* que já anda há muito para acontecer. O ponto de encontro foi no Príncipe Real, com o parque cheio de gente a aproveitar este ameno sol de Inverno. Das cinco pessoas que já lá estavam conhecia apenas duas, os mentores do projecto. Fui, obviamente, apresentada a todos e falou-se desde logo do andamento das coisas, dos planos a muito curto prazo, tentámos delinear estratégias para coordenar e rentabilizar o trabalho que aí vem. E foi estranho sentir como todas as pessoas estavam a agir naturalmente, participando na conversa espontaneamente e lançando sugestões sem constrangimentos. Eu, como sempre, tentei participar o mais naturalmente que pude na conversa e parecer descontraída e acessível. Não faço ideia se resultou ou não, só saberei nos próximos tempos quando começarmos a funcionar mais em equipa. Mas, mais uma vez, admirei o à vontade de toda a gente e essa ausência de nervosismo à minha volta.

Já nem sequer vou falar das reacções do meu corpo antes de um encontro com alguém que não conheço. Às vezes sinto que vou morrer com tanta descarga de adrenalina, com tantos tremeliques e suores. Nestas alturas não passo de uma pessoa refém das suas emoções. E é chato.

* aproveitando a embalagem para deixar no ar a novidade... a anunciar brevemente



Now playing: Aaron Thomas - Thinking Is Unproductive

janeiro 25, 2008

Se eu tivesse que fazer um gráfico desta semana (que, infelizmente para mim, ainda não acabou) tentando medir a minha exaustão, o resultado seria uma subida vertiginosa que não pode acabar bem. Apesar de profissionalmente ter sido uma semana mais ou menos calma, o resto da minha vida anda numa tal revolução que parece que me enfiaram numa máquina de lavar e escolheram o programa da centrifugação. Durmo pouco, não tenho paciência para a cozinha, preciso trabalhar novamente este sábado, tenho saudades de casa, não tenho vontade de sair e não consigo parar para pensar.

Não queria que me tirassem o tapete de baixo dos pés.

janeiro 23, 2008

Lisboa ♥

Hoje, Miradouro de Santa Luzia
Sabem assim aquela sensação quando conhecem uma pessoa nova e falam durante horas a fio e tudo parece ser um assunto bom e riem-se das mesmas palhaçadas e têm mesmo vontade de estar com essa pessoa seja em que situação for e pensam que as coisas acontecem a uma velocidade supersónica e às tantas há uma carrada de coincidências que dão por vocês a tentar descobrir o que é que pode estar errado nisto tudo? Pois, é essa mesmo.

janeiro 22, 2008

Epá.

28 anos. Glup.

janeiro 21, 2008

Sede (Tríptico de uma tarde de Inverno)

*suspiro*

Ando há que tempos para escrever uma coisa em grande, assim uma coisa apaixonada e empolgante. Ando a ver se me apanho assim naquele estado febril de onde nascem as grandes sinfonias, os grandes parágrafos e as grandes tomadas de consciência. Não vejo esse dia chegar: nem a seco, nem com indutores de entusiasmo. Mas há qualquer coisa cá dentro a pedir para sair. É como se conseguisse ver o texto, desfocado, só adivinho a massa cinzenta dos caracteres. Lembro-me das oito páginas que já tinha montado/construído/conseguido antes do computador ser formatado e engulo em seco: havia ali matéria blogável.

De maneiras que é isto. Apetecia-me estar a escrever descontroladamente, embalada pelo ritmo da música, sem olhar para trás para corrigir a falta de acentos ou a concordância do verbo mas nada. Há coisas sobre as quais poderia escrever mas nunca com o arrebatamento de que sinto falta. É inútil, vou ficar inquieta como nos últimos dias. Vou deitar-me na cama de casal e meio e vou rebolar poucas vezes até me convencer que está na hora. Vou espreitar o email até me convencer que não há novidades de ninguém e de parte nenhuma. Vou aguardar penosamente o dia de folga para poder ficar deitada a ouvir a vida a acontecer lá fora sem que eu tenha que mexer uma palha. Vou convencer-me (por momentos) que na vida real, ao contrário da ficção, o fim nem sempre se faz anunciar. E, quando chega, é normalmente mais amargo do que nos fizeram acreditar.

janeiro 20, 2008

E nos entretantos...


... ontem comeu-se uma magnífica salada de polvo, umas moelas de fazer salivar qualquer um e bebeu-se rosé muito fresco. Rematou-se tudo com umas partidas de Tekken na PS e terminou-se o dia com a maior gargalhada dos último anos, com as lágrimas a correrem bochecha abaixo, sem parar.


... hoje passou-se o fim da tarde num banco do jardim da Estrela, gozando os tímidos e invernais raios de Sol deste fim de semana e dividindo as atenções entre o sósia do Keith Richards do banco ao lado e o livro que chegou até mim desde Munique.

Huh.

janeiro 18, 2008

S O C O R R O!!!

Pela primeira vez meti dois polvos na panela a cozer (amanhã é dia da dita salada) e estou profundamente enojada, mesmo com medo que aqueles tentáculos comecem a mexer e se enrolem a um dos meus braços, deixando atrás de si um rasto de nhenha que só um polvo consegue deixar! Os bichos podem estar mortos e podem saber muito bem de azeite e vinagre mas duvido que mais alguma vez cozinhe uma coisa destas. Brrrrr!

janeiro 17, 2008

Da exaustão *



Esta semana sinto-me sem forças. Acordo às seis e meia e tudo o que me resta é canalizado para o trabalho, para tentar que sete pessoas trabalhem exactamente no mesmo sentido. Esta pressão só vai parar no Sábado, quando o mês se encerrar para nós e quando não tiver mais que sonhar com números astronómicos. Passo os dias a fazer contas, a ver se o trabalho aparece feito, a tentar lutar contra um sistema informático mais do que deficiente. Como os pedidos entram em tempo real, parece muitas vezes que, em vez de avançarmos, estamos a recuar.

Tenho as costas feitas num oito. Parece que tenho punhos a pressionar constantemente, a empurrar-me os ombros em direcções opostas e por isso só penso numa coisa (além da porcaria do trabalho): m a s s a g e m. Já pedi a colegas para me esticarem os braços e inclusivamente ponderei a hipótese de massagens com os pés mas nada. Decidi que na folga da próxima semana me vou aventurar numa massagem a sério e hoje vou dormir no chão. Como noutras alturas, meço o meu nível de cansaço pela leitura que tenho atrasada: tenho dois Y por ler, dois livros começados quase ao mesmo tempo, uma revista por devorar e outra por recordar. Não consigo fixar páginas com muitas letras mais do que uns cinco minutos e não consigo concentrar-me mais do que esse mesmo tempo. E também não tenho paciência para a televisão. Os únicos momentos de prazer têm vindo do sono e da música que ouço entre a Estrela e Picoas.

Apetecia-me dormir até Sábado às seis da tarde mas tenho que me contentar com amanhã, às seis e meia da manhã. Como a história do burro e da cenoura, o que está a fazer-me avançar são as moelas, a salada de polvo e as amêijoas que vou comer no Sábado. E o vinho verde ou rosé com que vou regar tudo. A companhia vai saber-me bem e vou estar pronta para me rir desta semana infernal. Até lá, vou tentar apenas sobreviver. Acreditem, é difícil.

* é sobre isso esta música, sobre a exaustão e também sobre o meu passado. Se repararem, são os Foo Fighters e a música fala sobre mim: chama-se Exhausted.

janeiro 15, 2008

Eu já vi o dia do Apocalipse.

Desde que me lembro que não sonho. Ou melhor, não tenho sonhos bons, como são entendidos pela maioria das pessoas. Grande parte daquilo que se passa no meu inconsciente/sub-consciente à noite parece-se muito mais com um pesadelo. Mas, mesmo já estando habituada, não paro de me sentir estafada quando o despertador toca às seis e meia da manhã e eu estou a correr num cenário apocalíptico de destruição e caos.

Já tive uma altura em que sonhava maioritariamente com a minha família mais próxima, sendo que a minha mãe era a pessoa mais visada. Sonhei que a desmembravam como se ela fosse uma boneca de plástico, sonhei que a emparedavam viva e que me ofereciam colares de pérolas para que fosse morta. Caí na asneira de tentar encontrar significado para isto num daqueles livros de esoterismo de bolso e arrependi-me: o resultado era qualquer coisa como sonhar com a sua mãe é o símbolo do seu desejo de concretizar o incesto com ela. De maneiras que não quis consultar mais livro nenhum - não preciso de terapia para perceber que tudo não passava de um (odioso) equívoco.

Mas, de há alguns anos para cá, a coisa mudou. E agora, em vez de sonhar com terríveis carnificinas envolvendo o meu núcleo familiar, dou comigo a sonhar com o fim do Mundo. Já sonhei com a trovoada Final mas os sonhos envolvem normalmente eu e dezenas de máquinas descontroladas. Em alguns sonhos, as máquinas erguiam-se do solo para exterminar tudo o que viam à sua volta (e por isso me impressionei tanto com a última Guerra dos Mundos); noutros, como esta semana, há objectos voadores semelhantes a aviões que distribuem lasers e demais munições por Lisboa inteira. Começa sempre tudo com um momento de silêncio aterrador, após o qual se desencadeia toda a sequência de destruição. Corro normalmente muito, durante o sonho todo, diria e, curiosamente, consigo arranjar um esconderijo mais ou menos seguro. Mas a ideia de que o que conheço como Mundo não vai estar à minha espera paralisa-me.

Eu gosto de analisar os meus próprios sonhos. Muitas vezes, o seu significado é óbvio e consigo reconstruir com eles os meus medos ou preocupações temporárias. Mas estas últimas variações deixam-me desorientada e não há nada que consiga associar a elas. Já pensei procurar na internet mas acho que, no fundo, tenho receio da explicação que vou encontrar. Enquanto isso, deito-me todos os dias a pedir para ter um sonho daqueles bons, daqueles em que se passa o sonho todo a beijar na boca ou daqueles em que, subitamente, consigo voar. Não tenho pedido o suficiente, parece-me.

Hipérbole(s)

Perto dele sinto-me modestamente perigosa e drasticamente perdida.