* artesanais, integralmente feitos à mão e que podem comprar-se em Portalegre! A loja chama-se Sons e Sabores e fica na rua Direita, onde era a antiga (e saudosa) Woodstock. Se estiverem por cá e quiserem adoçar a boca, já sabem


Pensava que o Domingo já tinha acabado. A porta já estava trancada e o pijama vestido, só esperava que chegasse o sono. Inesperadamente, surgiu um convite para a sessão da meia-noite que eu, cansada de estar sozinha, aceitei logo. Fomos ver este filme que é, como alguém o descreveu, uma espécie de Almodóvar libanês, com a vantagem de ter mulheres ainda mais bonitas no elenco.
Tindersticks - The Hungry SawI'd give my body to be back again
In the rest of the room
To be alone with you
* com vontade de largar tudo à pressa e correr para uns braços que não me esperam ou de fechar os olhos e adormecer antes das dez da noite.
Estava a pensar no que é isto de ser íntimo de alguém. Estava a pensar que podia ser confiar segredos, desmontar vícios, ver através de alguém ou simplesmente estar nua junto a outro corpo nu. E ocorreu-me que talvez tenha tido os meus maiores momentos de intimidade com estranhos, com pessoas que nunca vi ou a quem nem sequer confiei o mais insignificante dos meus segredos. É estranho mas às vezes sinto-me travada pelo pudor com as pessoas que tenho mais perto de mim e, ao contrário, um estranho pode levar de mim a coisa mais inconfessável, se o momento for o certo... Com um estranho (e com isto quero dizer um homem ou uma mulher) não há obrigações morais nem de sociedade, não há protocolos a cumprir porque os vamos inventando pelo caminho, não há regras nem limites, não se espera nada em troca. E é óbvio que não estou aqui a fazer o elogio da ausência de laços nem a desprezar as minhas relações mais antigas. É só que nos cruzamos com tanta gente nova e as nossas reacções são tão imprevisíveis que estes momentos de intimidade se tornam um mistério para mim. E quanto mais avanço (sem saber em direcção ao quê), mais sinto esta espécie de liberdade.Quando me deito, imagino-o deitado sem conseguir dormir. Tem um braço atrás da cabeça, sobre a almofada e apenas uns calções vestidos. Tentou escrever cinco páginas num caderno de capa preta, gasto pelas noites em que perdeu repentinamente a inspiração quando ia começar a rabiscar. Tentou escrever sobre o estado do mundo e sobre o método para ser feliz mas faltaram-lhe as palavras para tanta teoria vazia. Folheou as páginas incompletas como em todas as noites em que se senta para cumprir o ritual e, como em todas essas noites, suspira profundamente porque sente que não sabe para onde está a caminhar. É esta sensação de desnorte que o trava, que o deixa desorientado e que o impede de dormir tranquilamente. Tem o braço sob a cabeça enquanto tenta arranjar estratégias para nunca ser apanhado desprevenido, para estar sempre preparado para a catástrofe. É tão meticuloso que pensa todas as noites no momento exacto em que lhe roubaram a naturalidade e a vontade de ser livre para que nunca se esqueça e para que nunca volte a errar de novo.

Ou Nada é impossível, no meu frigorífico para lembrar-me sempre.

Fotografia daqui.

Uma mesa cheia de azeitonas, queijo e couratos. Jarros de vinho nada desprezível. O restaurante demasiado bem frequentado para o nosso gosto. O concurso onde todos deveríamos ir ganhar dinheiro. Portalegre, Barcelona e Nova Iorque. A não intelectualidade (eu fui primeiras!), a escatologia e as histórias da terra. Gosto de vocês, pá.
Visto aqui.

... ontem comeu-se uma magnífica salada de polvo, umas moelas de fazer salivar qualquer um e bebeu-se rosé muito fresco. Rematou-se tudo com umas partidas de Tekken na PS e terminou-se o dia com a maior gargalhada dos último anos, com as lágrimas a correrem bochecha abaixo, sem parar.