outubro 26, 2008
Alegres noches, tristes mañanas
As minhas noites * são mais belas que os meus dias iv
* as minhas e as dos outros que vão a casamentos finíssimos que começam às quatro da tarde num cenário de sonho e que têm que beber os maravilhoso cocktails que são servidos enquanto conversam com pessoas interessantíssimas. As nossas vidas são horríveis :)
outubro 25, 2008
Aos Sábados ao Sol ii
outubro 24, 2008
Mulher


Hoje, numa simpática oferta deste sítio onde já me sinto em casa, fui até ao Doc Lisboa, ver o documentário brasileiro Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. A ideia era que mulheres comuns contassem a sua história e depois que essa mesma história fosse interpretada por actrizes profissionais. Gera-se, durante o filme, alguma confusão sobre quem são as mulheres comuns e quem são as intérpretes. Confunde-se a dor real com a dor que se vai buscar a um lugar muito escondido da nossa memória e às tantas não sabemos se são lágrimas reais aquilo que vemos.São histórias interessantíssimas e impregnadas de vida contadas na primeira pessoa. Muitas delas são tristes e envolvem a morte ou o abandono. Outras são de uma vivacidade impressionante, uma espécie de graça própria das mulheres que nasce da facilidade com que nos equilibramos entre tantos sentimentos. Curiosamente, quase todas falam de sonhos e das revelações que esses sonhos trazem consigo, criando à volta destas mulheres uma aura mística profunda. Todas (os) nós temos histórias para contar, quer sejam de vida ou episódios (aparentemente) banais. É esta riqueza que me faz (ainda) não desistir das pessoas.
outubro 22, 2008
Direito de resposta
Para o D., um instantâneo do momento em que lhe lia as palavras numa varanda sobre telhados tranquilos e de onde se podia ouvir o mar
Os dias às vezes trazem três estações *
Exausta da tosse que não me larga há duas semanas, chego a casa e a minha única vontade é esconder-me debaixo dos lençóis. A minha parceira da corrida ainda tarda e eu quero estes momentos sozinha. Esta tosse é a mesma que me mantém acordada, altas horas da madrugada. Contorço-me na cama, levanto-me à pressa para juntar mel e limão mas quando o despertador toca já eu estou acordada há muito. Enquanto desperdiço o meu sono, não consigo parar de pensar nas mudanças no trabalho, no exame que falta, nos abraços que invento. Lentamente, descubro-me a sucumbir ao mais básico truque de ilusionismo que conheço, sem vontade nem força para parar. No fundo, queria que fosse tudo mentira. E assim poderia dizer que, mais uma vez, eu tinha razão. Mas o meu coração não é feito dessa matéria, tenho um coração sonhador. É por isso (talvez) que tento descobrir o truque mas acabo sempre a deslumbrar-me. Acho que sinto (muita) falta da magia.
* a amanhecer Outono, dar ares de Verão e terminar invernoso. Mais ou menos como o que se passou dentro de mim.
* a amanhecer Outono, dar ares de Verão e terminar invernoso. Mais ou menos como o que se passou dentro de mim.
outubro 20, 2008
Ficção #8
Dás a ti mesmo mais uns momentos de reserva para que possas decorar as linhas imperfeitas daquele corpo e para que possas imaginá-la na tua cama sempre que o desejo falar mais alto. Queres cobrir aquela pele de beijos mas são as tuas mãos que avançam primeiro, respondendo apenas ao teu instinto. A expressão dela está escondida atrás dos olhos que fechou ao sentir a tua pele, é um estado feito de arrepios e de língua humedecendo os lábios copiosamente, é um dedo levado à boca para refrear o prazer. Com a boca quase colada à dela, dizes-lhe qualquer coisa de que já não guardas nenhuma recordação mas é a preparação, é o ensaio para o momento em que acaba toda a encenação e os dois corpos já não se conseguem distinguir debaixo da luz fraca daquele abajour deformado pelo calor.
outubro 19, 2008
As minhas noites* são mais belas que os meus dias iii
* outras impressões (como sempre) aqui.
outubro 18, 2008
Para um Verão que já acabou
Summerbreeze is blowing through your window
And summerbreeze is blowing through your hair
Something in your eyes that took me by surprise
Don't tell me that it ain't there
And summerbreeze is blowing through your hair
Something in your eyes that took me by surprise
Don't tell me that it ain't there
Volto a esta música sem compreender muito bem porquê. O Verão há muito que acabou mas é como se ainda estendesse os seus braços sobre mim. E ontem subia a rua à pressa, já a noite ia longa e apertava o casaco porque o Verão foge sempre antes de eu conseguir fechar os meus olhos.
estou cansada mas tão eufórica, perco as preocupações no caminho do carro até ali, danço sem me envergonhar, passeio-me entre fantasmas que já fiz desaparecer. já não tenho medo nem sequer dúvidas, aceito o Mundo inteiro sem perguntar porquê, sei que me vou levantar da próxima vez que cair. sorrio tantas vezes sem saber porquê, comovo-me com um homem que escreve sozinho numa mesa, quero acreditar que me dedica aquele poema de amor, quero chamá-lo para dançar. mas, perdida no meio disto tudo, das coisas que vejo e das coisas que imagino, limito-me a dançar. e o Mundo naquele momento é perfeito.
O Verão fez-se para isto. Para sentir o coração a palpitar, para sorrisos inconsequentes, para nos entregarmos sem medo nem hesitação, para ser livre. As primeiras folhas já caíram, é o Outono a fazer-se notar. Mas eu tenho Verão cá dentro e tudo em mim é feito desse calor.
estou cansada mas tão eufórica, perco as preocupações no caminho do carro até ali, danço sem me envergonhar, passeio-me entre fantasmas que já fiz desaparecer. já não tenho medo nem sequer dúvidas, aceito o Mundo inteiro sem perguntar porquê, sei que me vou levantar da próxima vez que cair. sorrio tantas vezes sem saber porquê, comovo-me com um homem que escreve sozinho numa mesa, quero acreditar que me dedica aquele poema de amor, quero chamá-lo para dançar. mas, perdida no meio disto tudo, das coisas que vejo e das coisas que imagino, limito-me a dançar. e o Mundo naquele momento é perfeito.
O Verão fez-se para isto. Para sentir o coração a palpitar, para sorrisos inconsequentes, para nos entregarmos sem medo nem hesitação, para ser livre. As primeiras folhas já caíram, é o Outono a fazer-se notar. Mas eu tenho Verão cá dentro e tudo em mim é feito desse calor.
outubro 15, 2008
Mas este é, afinal, um blog de culinária?
* hoje numa salada com frango grelhado, sementes de sésamo e tudo o que encontrei fresco no meu frigorífico.
Comemorar :)
Em pleno coração da capital, bebeu-se um Lambrusco fresquíssimo enquanto ouvíamos clássicos reinterpretados por uma voz cheia de doçura. Provaram-se três bruschettas de alto gabarito e terminou-se com um inesquecível chocolate fondant. Gastronomia à parte, um Obrigada sentido a quem partilhou esta ocasião comigo, a quem quis estar presente, a quem não se furtou às fotografias. É muito bom saber com quem contar :)
outubro 13, 2008
Moussaka de legumes
outubro 12, 2008
De Paço d'Arcos até Tóquio *
Outras impressões aqui.
outubro 11, 2008
Just the (almost) perfect Saturday morning
É a primeira vez que visto o primeiro casaco que comprei este ano. Subo a rua depressa, com passos largos, ainda ressentida das corridas da última semana. Está vento mas estranhamente a temperatura não é aquilo que imaginava da janela das traseiras. Não há ainda luz suficiente para conduzir sem faróis ligados mas poucos são os carros com que me cruzo àquela hora. Nenhuma pessoa na rua. Sou só eu, a subir à pressa, o cabelo ainda molhado, pareces uma indígena*, dizia-me ele quando me via assim. Assim que me sento no carro, procuro a música mais adequada a esta manhã de Outono e arranco. A meio do caminho ouço os primeiros acordes da Hallelujah na versão que mais adoro. Não há semáforos vermelhos pelo caminho, uma feliz sequência de coincidências diz-me que vou chegar em cinco minutos. Abrando e, pela primeira vez, tento apanhar um sinal vermelho, dois sinais vermelhos para ouvir a música até ao fim. Penso em encostar o carro se avançar depressa demais, eu, a que dizem sempre cheia de pressa, eu cujo passo ninguém consegue acompanhar. É Sábado e eu vou trabalhar mas há qualquer coisa em mim que me faz querer este dia, agarrá-lo com vontade, há qualquer coisa cá dentro que me diz que estou feliz.
* e eu perguntava uma indígena como? e ele dizia que não sabia responder, enquanto acendia o isqueiro que eu lhe tinha oferecido até gastar a gasolina e olhava para mim com aqueles olhos que perfuravam, castanhos de tanta sexualidade e ciúme, olhos zelosos demais e eu perguntava porque é que olhas para mim assim? e ele fixava-me ainda mais conscientemente, sabendo que eu baixaria o meu olhar e dizia-me é porque gosto de ti, Marisol.
* e eu perguntava uma indígena como? e ele dizia que não sabia responder, enquanto acendia o isqueiro que eu lhe tinha oferecido até gastar a gasolina e olhava para mim com aqueles olhos que perfuravam, castanhos de tanta sexualidade e ciúme, olhos zelosos demais e eu perguntava porque é que olhas para mim assim? e ele fixava-me ainda mais conscientemente, sabendo que eu baixaria o meu olhar e dizia-me é porque gosto de ti, Marisol.
outubro 09, 2008
Antes, era assim.
Atravessas o separador sem pousar os pés no chão. O teu pescoço é um cachecol de lã, a tua boca termina na ponta de um cigarro que enrolaste a caminho. Essa mesma boca caminha ao teu lado, consigo vê-la de onde estou, consigo segui-la com o olhar. És um magro casaco cinzento debaixo do chumbo do céu, um tronco frágil rematado por uma cicatriz, uma mão que carrega um volume escuro que tomo por um livro, duas pernas que pairam em vez de andar. És um estranho que um dia me roubou um beijo, que noutro dia me roubou o sono e que não tardou a tirar-me tudo. Vinha exigir que me devolvesses o sossego ou que me levasses o que resta mas não é nada disso que faço. Olhos colados na tua cintura, vejo-te avançar disperso mas resoluto.
Guardo-me deste lado da rua. Deixo-te esperar. Encostas-te ao gradeamento. Troco mais meia dúzia de palavras de olhos postos em ti. Por instantes duvido que esteja realmente aqui. Se olhares bem, consegues ver o brilho dos meus olhos deste lado da rua. Não olhas. Finges que não vês. Eu finjo que não estou entupida com borboletas. Enquanto avanço, o passado transforma-se num borrão indecifrável. Eu esqueço que já não te quero e tu esqueces que ainda me queres e começamos a caminhar.
Guardo-me deste lado da rua. Deixo-te esperar. Encostas-te ao gradeamento. Troco mais meia dúzia de palavras de olhos postos em ti. Por instantes duvido que esteja realmente aqui. Se olhares bem, consegues ver o brilho dos meus olhos deste lado da rua. Não olhas. Finges que não vês. Eu finjo que não estou entupida com borboletas. Enquanto avanço, o passado transforma-se num borrão indecifrável. Eu esqueço que já não te quero e tu esqueces que ainda me queres e começamos a caminhar.
outubro 07, 2008
Sete-músicas-sete
Um desafio da Maria del Sol: escolher sete músicas que ilustrem algum momento das nossas vidas. Escusado será falar nos milhares que ficaram de fora, no difícil que foi escolher. Mas foi o melhor que se conseguiu arranjar. Nem os todos os videos são originais mas o que interessa é a música. Essa é maior do que tudo.
Jeff Buckley.Vancouver. O meu grande amor (musical). O homem que nunca poderei ver, o homem com quem já sonhei. Afogando-se com trinta e poucos anos, cantava desta maneira sobre o amor. Era de certeza o grande amor de alguém, impossível de esquecer, impossível de não amar mais e mais todos os dias.
dEUS. Roses. A melhor tarde que me lembro de ter passado. Era Verão e as persianas estavam baixas para não deixar entrar o calor. Não havia lençóis na cama e não se ouvia nada no corredor. Estava a rodar este cd na aparelhagem e era como se não existisse mais nada. Havia poucas palavras entre nós os dois mas muitas coisas se diziam em silêncio. Ou com as mãos. Nunca me consegui esquecer.
Pearl Jam. Rearview Mirror. Porque nem só de doçura se faz o caminho. As memórias estão enterradas num sítio seguro, onde só mexo deliberadamente. O trabalho que me deu a guardá-las, a transformá-las em algo bom... Era uma cassete original, a fita gasta no lado b, exactamente quando ele dizia i gather speed from you fucking with me.
Air. Talisman. Sonhei demasiadas vezes enquanto ouvia esta música. Sonhei por escadarias de Lisboa, sextos andares nos subúrbios, com candeeiros de lava que nunca acenderam. Sonhei dentro dum carro, as borboletas cada vez mais intensas e sonhei que o impossível se podia tornar em verdade. E falhei.
Carly Comando. Everyday. Mostraram-me isto há pouco tempo (obrigada outra vez!) e não consigo parar de ouvir. Sou fácil demais, ouço meia dúzia de segundos e já estou noutro sítio qualquer, vejo a minha vida a passar-me em frente aos olhos a toda a velocidade, tento remendar os erros.
Sufjan Stevens. To be alone with you. Este homem não existe. Com ele, deixam também de existir esta candura, esta voz doce que planeia cantar todos os estados americanos, esta placidez que quase se ouve. É música que vem de algum sítio puro, intocado.
Linda Martini. A severa. Porque poucas vezes senti que o que queria dizer não estava nas palavras, mas sim neste crescendo de ruído, nesta sobreposição de guitarras, nesta impenetrável muralha de som. Quase sofro a vê-los porque me sinto sempre despida.
Gostava de ouvir o que têm a dizer a Ervilha, o Lobistico, o JC, o Vitor Hugo, o Indigente Andrajoso, o A.S. e a Luísa Cê. All done.
outubro 06, 2008
Chegou finalmente o momento em que, com alguma propriedade, me podem chamar chefe.
(ainda estou nervosa com este dia todo, os conselhos sobre as minha relações profissionais, a mudança tão profunda que isto tudo implica mas, quando penso no que já trabalhei e naquilo que ambicionei, sei que é uma mudança inteiramente merecida. tinha um concorrente à altura, uma pessoa que adoro e ficaria feliz se fosse ele o escolhido. mas a sorte quis que fosse eu e agora já arregacei as mangas e não sei onde vou parar. certamente não será aqui)
(ainda estou nervosa com este dia todo, os conselhos sobre as minha relações profissionais, a mudança tão profunda que isto tudo implica mas, quando penso no que já trabalhei e naquilo que ambicionei, sei que é uma mudança inteiramente merecida. tinha um concorrente à altura, uma pessoa que adoro e ficaria feliz se fosse ele o escolhido. mas a sorte quis que fosse eu e agora já arregacei as mangas e não sei onde vou parar. certamente não será aqui)
outubro 05, 2008
Épico!
outubro 04, 2008
(a primeira fotografia é do concerto dos Factor C no CAEP e o myspace deles está aqui)
outubro 03, 2008
Todas as coisas acontecem por uma razão?
No mesmo dia em que escrevi isto, percebi que não ia ser fácil mudar essa parte de mim, especialmente por ser tão mas tão escorpião, por as palavras me saírem antes de as pensar, por ceder facilmente às sensações. Ontem tive uma entrevista com a super chefe, com o topo da pirâmide daquele prédio e foi difícil. Não exactamente por ela estar nessa posição mas por ter que me ouvir numa sala silenciosa a falar de "manter o equilíbrio precário da equipa", "evitar a perda de conhecimentos" e "reduzir as despesas em 10%". Serei eu essa pessoa? Terei eu o poder de manter/evitar/reduzir isso tudo? Será essa a mesma pessoa que escreve aqui, a pessoa que anda sempre de coração nas mãos, a pessoa que fantasia mais do que é permitido por lei?
E, exactamente no mesmo dia, fui aceite aqui. E portanto será que a minha parte que preenche relatórios e dá feedbacks negativos e é controladora vai conseguir esquecer isso tudo e escrever sobre a poesia dos números e descrever magníficas e lânguidas folhas de Excel? Será que os conceitos de management e folhas de produtividade e mapas de férias não me vão contaminar a mão, a caneta, a parte do cérebro onde armazeno esta ingenuidade?
É o maior desafio dos últimos tempos. É um momento de transição. Ou não é nada de nada. Mas que me tem tirado o sono, tem. Porque razão tudo agora, tudo ao mesmo tempo? Isso não sei.
E, exactamente no mesmo dia, fui aceite aqui. E portanto será que a minha parte que preenche relatórios e dá feedbacks negativos e é controladora vai conseguir esquecer isso tudo e escrever sobre a poesia dos números e descrever magníficas e lânguidas folhas de Excel? Será que os conceitos de management e folhas de produtividade e mapas de férias não me vão contaminar a mão, a caneta, a parte do cérebro onde armazeno esta ingenuidade?
É o maior desafio dos últimos tempos. É um momento de transição. Ou não é nada de nada. Mas que me tem tirado o sono, tem. Porque razão tudo agora, tudo ao mesmo tempo? Isso não sei.
outubro 01, 2008
Ficção #7
O teu silêncio não me incomoda porque o teu olhar me enche de palavras que tento, a custo, juntar, porque a tua boca me oferece versos inteiros de poemas que ainda hei-de escrever, porque as tuas mãos escrevem em mim intermináveis linhas com a tinta do desejo. Dos meus olhos podes arrancar confissões, a história de todas as noites em que te desejei mais do que as minhas mãos te puderam mostrar, o fulgor dos teus olhos pousados sobre o meu ventre nas tardes em que não ousámos sair. Esta noite salvava-te da frivolidade para onde insistes em arrastar-me mas só durante as primeiras horas da madrugada. Depois, descíamos novamente à planície, ao quarto iluminado apenas pelas luzes lá de fora, aos lençóis que suamos noite após noite. Somos duas sombras ocupadas com a extenuante batalha do desejo, em confronto pontuado pelos gemidos que arrancamos um ao outro, esgotando forças num combate para sempre desigual.
setembro 30, 2008
Adivinha o que fiz na noite passada iii *
Nas linhas da minha mão escrevo... as gotas de sangue da resina que cobre os meus poemas. Entre as linhas, aves repentinas e caudas de cometas. Nas linhas da minha mão escrevo uma ode às praias nuas, aos banhistas selvagens imersos na quietude do mar. Há muito que nas linhas da minha mão gravei a cidade e a luz com que ela se oferece ao rio. E escrevi os desgostos a branco e enchi-a de cor quando fui mais feliz.
Nas linhas da minha mão alguém me escreveu a sina. Não a sei ler sozinha, não a quero saber senão quando a tiver cumprido. E deixar as linhas voarem como dois pássaros sem perdão.
* inspirado no poema Paisagem, de Sophia de Mello Breyner Andresen. E também a minha mão tremia quando pousei a caneta, como se fosse este o único texto que podia escrever. E tremo eu quando ouço outras palavras, quando com palavras me tocam de forma indelével e doce.
Nas linhas da minha mão alguém me escreveu a sina. Não a sei ler sozinha, não a quero saber senão quando a tiver cumprido. E deixar as linhas voarem como dois pássaros sem perdão.
* inspirado no poema Paisagem, de Sophia de Mello Breyner Andresen. E também a minha mão tremia quando pousei a caneta, como se fosse este o único texto que podia escrever. E tremo eu quando ouço outras palavras, quando com palavras me tocam de forma indelével e doce.
setembro 28, 2008
Late night *
Era eu no autocarro, eram pouco mais de sete da manhã e o coração saía-me pela boca. Havia quem saísse para o hospital e existias tu, dentro do meu peito, numa dimensão e proporção que nunca irei entender.* porque preciso de escrever, empresta-me essa caneta. E papel, arranja-me um pedaço de papel. Pode ser do livro onde guardas as contas, escrevo um segredo no mesmo papel em que rabiscas os teus. Preciso de escrever. Amanhã quando voltar a ler isto vou achar-me pateta, sou uma drama queen. Mas agora deixa-me escrever que me rebenta o peito. Deixa que a enxurrada de palavras que não me ouves dizer seja imortalizada com a tinta. Meto o papel à pressa dentro da mala e escondo subtilmente as mágoas dentro da carteira. Serve-me mais uma cerveja. Mais uma, antes que comece a falar.
setembro 27, 2008
As minhas noites * são mais belas que os meus dias ii
Quando venho cá é como se entrasse directamente para outra dimensão: a das conversas boas, das cervejas que nunca pedi e vieram ter à minha mão, a da televisão em altos berros até pedirmos para mudar de canal, dos cd's que gravamos para podermos ouvir a música de que gostamos. É a dimensão em que me esqueço do trabalho e das candidaturas e da limpeza que me falta fazer à casa, das mentiras piedosas e dos transportes públicos cheios, dos quilos que ainda me faltam perder. Aqui não há nada disso. Só há bancos altos, vizinhos que não nos reconhecem e uma dona do bar que se diverte com a minha máquina. Diz que é bom, isto.
setembro 26, 2008
Ficção #6
Mostraste-me como seria ver-te naufragar noutros braços, fizeste-me entender a facilidade com que te fazes seduzir por outra boca, ensinaste-me o que é o pânico. E eu, que me julgava imune e que me achava pouco ingénua, soçobrei às queimaduras dos passos em falso que ecoavam pelo meu corredor. Devia ter-te adivinhado no banco de trás daquele táxi, devia ter pressentido a velocidade com que iria desfazer-me mas não – era tudo estranhamente perfeito, era muito mais do que a minha realidade reclamava, era ficção em bruto a acontecer naquela madrugada de sábado.
setembro 25, 2008
E a declaração de amor que me apetecia fazer agora
It might have been a while
Since you've been loved
Like you should be loved
It might have been a while
Since you've been kissed
Like you should be kissed
In tender loving arms
Might be something you miss
Since you've been loved
Like you should be loved
It might have been a while
Since you've been kissed
Like you should be kissed
In tender loving arms
Might be something you miss
No trabalho como na vida *
A M. tem algumas dificuldades em gerir as suas emoções.
* eu sempre desejei ser uma pessoa constante e coerente.
* eu sempre desejei ser uma pessoa constante e coerente.
setembro 22, 2008
Adivinha o que fiz na noite passada ii *
Ainda não tinha tido coragem para lhe visitar a campa. Ele, tão dedicado às amizades, jazia agora entre os seus amigos eternos numa esquina de onde conseguiria, se pudesse, ouvir o eléctrico. Foi numa noite em que caminhava meio absorta até ao momento em que julguei ver o nome dele escrito a neon sobre uma montra desactualizada. Mais acima, duma janela aberta num terceiro andar, fixava-me uma rapariga de vestido amarelo e cabelo curto que parecia dizer o seu nome. Xavier, dizia ela baixinho.
Enquanto avançava entre os jazigos de família, sob os candeeiros de ferro forjado que ornavam o caminho, ouvi o sotaque francês de um casal de meia idade. Ela vestia vermelho e ele dizia-lhe que odiava o cheiro a caril que se sentia por toda a parte. Abrandei o passo quando cheguei aos mosaicos gastos e ouvi a gargalhada fresca de uma rapariga. Ele gostava de me ver rir, pensei eu. Mas a minha cara não correspondeu a este pensamento porque reparei na expressão de pena de um rapaz sem braço que também caminhava por ali.
À porta do cemitério, nada mais que uma fila ordeira de carros, a fachada impecável do hotel e o grafiti espalhado por todo o lado. Podia estar triste mas sei que ele não me queria assim.
* de caneta em punho, em plena praça, a tentar absorvê-la. Confundida com a polícia, tento demonstrar a minha habilidade em trabalhos manuais, criando uma flor cubista. As horas ali não passam, é como se ainda fosse pedir para ficar mais um pouco, só mais dois ou três momentos de total distracção, de total fantasia. Deixo a vida à porta e recrio-me outra vez.
Enquanto avançava entre os jazigos de família, sob os candeeiros de ferro forjado que ornavam o caminho, ouvi o sotaque francês de um casal de meia idade. Ela vestia vermelho e ele dizia-lhe que odiava o cheiro a caril que se sentia por toda a parte. Abrandei o passo quando cheguei aos mosaicos gastos e ouvi a gargalhada fresca de uma rapariga. Ele gostava de me ver rir, pensei eu. Mas a minha cara não correspondeu a este pensamento porque reparei na expressão de pena de um rapaz sem braço que também caminhava por ali.
À porta do cemitério, nada mais que uma fila ordeira de carros, a fachada impecável do hotel e o grafiti espalhado por todo o lado. Podia estar triste mas sei que ele não me queria assim.
* de caneta em punho, em plena praça, a tentar absorvê-la. Confundida com a polícia, tento demonstrar a minha habilidade em trabalhos manuais, criando uma flor cubista. As horas ali não passam, é como se ainda fosse pedir para ficar mais um pouco, só mais dois ou três momentos de total distracção, de total fantasia. Deixo a vida à porta e recrio-me outra vez.
setembro 21, 2008
As minhas noites * são mais belas que os meus dias
*diferentes impressões da mesma noite aqui.
setembro 20, 2008
setembro 18, 2008
Adivinha o que fiz na noite passada *
Senti sobre mim o peso dos lençóis de veludo. Há três noites que não consigo dormir, repetindo em silêncio a imagem da estrela do mar que ela deixara na soleira. À esquerda do quarto, o irrequieto cardume embate, como que embriagado, contra as paredes do aquário. Sou como todos os homens que deixam que os amores os consumam.
Levantei a cabeça da almofada, o corpo da cama e encostei o sono no parapeito da janela. Nada mais que silêncio, nem mesmo o carrossel da praça conseguia ouvir. Na cozinha, senti o cheiro do ramo que jaz naquele jarro velho e que nunca consegui entregar-lhe, não depois de os saber enamorados, crescendo como um par. E naquela noite, com a cabeça debaixo das estrelas, chorei outra vez.
* era um terceiro andar com vista para uma nesga de Tejo, onde se chega num elevador que só transporta duas pessoas. Demasiado perto uma da outra. Sete cadeiras ocupadas, dezenas de post-it nas paredes, um bule quente com chá. Um sofá apenas, iluminado propositadamente com um candeeiro de leitura. Centenas de palavras bailando na minha cabeça e o pior dia do Mundo acabava da única maneira que sei ser feliz.
Levantei a cabeça da almofada, o corpo da cama e encostei o sono no parapeito da janela. Nada mais que silêncio, nem mesmo o carrossel da praça conseguia ouvir. Na cozinha, senti o cheiro do ramo que jaz naquele jarro velho e que nunca consegui entregar-lhe, não depois de os saber enamorados, crescendo como um par. E naquela noite, com a cabeça debaixo das estrelas, chorei outra vez.
* era um terceiro andar com vista para uma nesga de Tejo, onde se chega num elevador que só transporta duas pessoas. Demasiado perto uma da outra. Sete cadeiras ocupadas, dezenas de post-it nas paredes, um bule quente com chá. Um sofá apenas, iluminado propositadamente com um candeeiro de leitura. Centenas de palavras bailando na minha cabeça e o pior dia do Mundo acabava da única maneira que sei ser feliz.
setembro 16, 2008
(...)
[Foi dos dias mais difíceis da minha vida mas dificilmente me lembro de ter chegado tão contente ao trabalho. Nunca tive tanto medo, em dia nenhum, em ocasião alguma, escrevi ainda hoje num papel. A hereditariedade e a biologia deixaram-me escapar. Pelo menos hoje, posso dormir a saber como vai ser amanhã. Vai ser bom. E amanhã vamos correr outra vez no final do dia. O cansaço faz-me sentir mais viva. Obrigada por torcerem por mim - juro que precisei muito.]
Em aproximadamente dezanove horas. Estou a contar o tempo e quase disposta a pedir a alguém uma daquelas pulseiras contra o mau olhado. Estou desconfiada que vai ser difícil dormir mas não antevejo nenhuma noite em claro. E sei, claro, que o mais provável é a genética levar o melhor desta situação toda. Tenho muito medo do que vou ouvir, do que vão ver, da cambalhota que pode ser o dia de amanhã. Estou apavorada mas não consigo dizê-lo em voz alta.
Em aproximadamente dezanove horas. Estou a contar o tempo e quase disposta a pedir a alguém uma daquelas pulseiras contra o mau olhado. Estou desconfiada que vai ser difícil dormir mas não antevejo nenhuma noite em claro. E sei, claro, que o mais provável é a genética levar o melhor desta situação toda. Tenho muito medo do que vou ouvir, do que vão ver, da cambalhota que pode ser o dia de amanhã. Estou apavorada mas não consigo dizê-lo em voz alta.
setembro 14, 2008
27 anos de Kike *
* outras impressões aqui.
setembro 13, 2008
The Big Church Of Fire
setembro 12, 2008
Cashback *
Partem-nos o coração tantas vezes. Como meros espectadores, olhamos, incrédulos, o momento exacto em que o amor deixa de existir. Já não há som, apenas os movimentos nervosos, irados, indiferentes da outra boca. Sabemos tudo o que vai ser dito, sabemos até como tentar impedir que o impacto seja tão brutal mas reservamo-nos o direito ao silêncio. Não dormimos à noite, não há nada que possa reparar o dano tão depressa e, por isso, passamos as noites em claro. Horas após horas de escuridão completa, horas passadas a reconstruir momentos que não sabíamos guardados, repetições desastradas dos momentos de cisão. Na nossa rua, no caminho de casa, no cinema passeiam-se os fantasmas que criamos para nos defendermos. Estamos mais sozinhos quando há alguém que não nos quer.Reconstroem-nos o coração tantas vezes. Somos tantas vezes alheios ao instante preciso em que a vida se encarrega de nos mostrar outro caminho. Fixamos frases inteiras, memorizamos partes de um sorriso, imaginamos muito para além do permitido. À noite, as horas custam a passar. É uma desinquietação cá dentro, uma agitação nervosa sem par, o cheiro e a cor dos olhos e a maneira como apoiam a cabeça nas mãos a perturbar-nos o sono. Subitamente, a dor desaparece, dá lugar à euforia que contemos em frente a um espelho ou a ouvir aquela música. Cristalizamos na nossa memória uma maneira doce de olhar, uma perna nervosa debaixo da mesa, o respirar que sentimos mais perto. Atrapalhados, buscamos a forma mais complicada de nos beijarmos. Mas quando repetimos a sequência vezes e vezes sem conta, conseguimos a harmonia e guardamo-la até à próxima vez que nos quebrarem.
* filme que vi entre tachos e avós que nos oferecem fruta e irmãs quase a chegar.
M @ cozinha VI
setembro 11, 2008
Alentejo, meu amor ii
setembro 10, 2008
A saga (ainda) continua
Momento da Verdade
Sim, eu sei que sou culpada. De ter aguentado um programa inteiro e de, acima de tudo, ter admitido a possibilidade de isto ser real. Posso repensar a minha posição e chegar à conclusão que esta pessoa é demasiado má para ser real e que tudo não passa de uma trapaça para ganhar audiências, fidelizar um público que está sedento de traições. Só que sei, porque já o senti, que gente desta existe. Gente que está determinada a singrar pelo caminho mais fácil, gente que pensa, acima de tudo, em si, gente que não conhece limites.Pensar que existe um público habitual para este tipo de lixo magoa-me. Porque as pessoas querem assistir ao sofrimento, porque as direcções de programas não se responsabilizam pelo esterco que passam no horário nobre, porque há gente que se sujeita a isto. Dói muito quando se vê gente desta a inaugurar uma nova espécie de celebração: a da mentira que passa por honestidade. Tenho saudades do tempo em que a televisão se limitava a dois canais. Ninguém precisa de saber o que custa resgatar a confiança, refazer o amor.
setembro 09, 2008
Alentejo, meu amor
Prometi a mim mesma que voltava a este caminho para apanhar amoras, tão maduras naquelas silvas, tão entregues a si mesmas neste resto de calçada. Há coisas que resistiram ao tempo, muros que se mantiveram de pé, um menino de olhos grandes numa casa no meio do nada. Chegamos a casa suados e um vizinho diz que se tem que caminhar assim mais vezes. Habituava-me a estes gafanhotos imprevisíveis, às moscas por todo o lado, aos figos a largarem vagarosamente as figueiras. Houve um tempo em que não existia mais nada. Regresso a esse tempo enquanto caminho e acabo deitada debaixo de uma figueira, o eco do poço como única companhia. É o único sítio do Mundo onde o tempo teima insistentemente em não passar.
setembro 07, 2008
Super Panda (2001 - 2008)
Fica descansado, Super Panda: o outro já cá está mas não há nunca amor como o primeiro.
setembro 06, 2008
M. @ cozinha V
setembro 05, 2008
( este é um parêntesis gigante de alívio por ter entrado de férias oficialmente há quatro horas atrás. toda a gente me pergunta quantos dias de férias tenho e eu respondo a essa gente toda que tenho exactamente os mesmo dias que toda a gente, só que gosto de os espalhar pelos doze meses do ano em vez de os esgotar no pico do mês de Agosto. ninguém acredita nisso, facto de onde retiro ainda mais gozo.
o lobo mau levou-me ontem ao festival de cinema de terror. vimos um filme do zé do caixão depois de uma pita shoarma no chiado. ainda estou a tentar decidir se dou algum crédito ao filme ou se me fico pelo grande momento de comédia que foi aquilo tudo. especialmente porque o realizador estava mesmo na cadeira atrás da minha e achava que o som não estava suficientemente alto. vestido de capa preta, era acompanhado pela filha vamp que apresentou uma curta metragem sofrível no início e pelo filho agente que filmava toda a gente a aplaudir.
a senhora doutora disse-me que não posso comer mais chocapic, passe a publicidade. e passou-me alguns trabalhos de casa, que realizei, aplicadamente, depois do jantar. vou dizer-lhe que vou correr na Estrela, primeiro devagarinho, depois a aguentar estoicamente o aumento da batida cardíaca. a senhora dos recursos humanos também me disse que estou no bom caminho mas pediu-me para exercitar a minha assertividade (cujo significado nunca hei-de realmente descortinar) e a minha liderança. foram ambas simpaticamente desagradáveis, levemente paternalistas mas necessárias. convenceram-me de que estou a andar bem.
agora vou ali começar as férias, passando a noite de sexta-feira em casa. chove torrencialmente mas a casa ainda está abafada. até bebia um copo de vinho mas a garrafa já está cheia de borras. o que é que ocupa a televisão numa sexta à noite?)
o lobo mau levou-me ontem ao festival de cinema de terror. vimos um filme do zé do caixão depois de uma pita shoarma no chiado. ainda estou a tentar decidir se dou algum crédito ao filme ou se me fico pelo grande momento de comédia que foi aquilo tudo. especialmente porque o realizador estava mesmo na cadeira atrás da minha e achava que o som não estava suficientemente alto. vestido de capa preta, era acompanhado pela filha vamp que apresentou uma curta metragem sofrível no início e pelo filho agente que filmava toda a gente a aplaudir.
a senhora doutora disse-me que não posso comer mais chocapic, passe a publicidade. e passou-me alguns trabalhos de casa, que realizei, aplicadamente, depois do jantar. vou dizer-lhe que vou correr na Estrela, primeiro devagarinho, depois a aguentar estoicamente o aumento da batida cardíaca. a senhora dos recursos humanos também me disse que estou no bom caminho mas pediu-me para exercitar a minha assertividade (cujo significado nunca hei-de realmente descortinar) e a minha liderança. foram ambas simpaticamente desagradáveis, levemente paternalistas mas necessárias. convenceram-me de que estou a andar bem.
agora vou ali começar as férias, passando a noite de sexta-feira em casa. chove torrencialmente mas a casa ainda está abafada. até bebia um copo de vinho mas a garrafa já está cheia de borras. o que é que ocupa a televisão numa sexta à noite?)
Ficção #5
Tens uma nodoazinha no peito a querer gritar mas abafas o grito que já quiseste dar tantas vezes. Teres estas fachadas aos teus pés é o suficiente para te comover, para te marejar os olhos, para agradeceres todas as infelicidades da tua vida porque afinal, dentro de cada janela daquelas, há verdadeiras histórias de dor e de perdição para contar. Há misérias escondidas, desgostos tratados à lei da navalha, submissões caladas com dois ou três copos de vinho. Os teus desencontros são pequenos e mesquinhos quando os vês sobre o contorno entardecido da cidade, as tuas saudades esbatem-se sobre a ausência de nuvens no céu. Por momentos, não te lembras que não nasceste aqui e amas, com tristeza, a cidade que te abriga.
setembro 03, 2008
Um cavalo de Tróia (dentro de mim)
No outro dia, enquanto tentávamos preencher os duzentos quilómetros com palavras, fiquei ligeiramente desapontada com uma frase que me escapou a meio da conversa. Falando de talentos, eu disse que acho que tenho jeito é para trabalhar. Não sou como os meus amigos que são barras a desenhar pontes, a investigar ratinhos, a programar, a projectar prédios e praças, a criar todo um negócio de raiz. Ser boa a ler conta? E a ouvir música? Pois, também não me pareceu. É um bocado triste ser realmente bom numa coisa que não resulta necessariamente numa profissão. Depois, pensei que sou muito boa nas primeiras impressões que tenho das pessoas: consigo, mais ou menos, perceber qual vai ser a natureza da nossa relação, antever o comportamento da pessoa. Mas, que eu saiba, as empresas ainda não contratam mediums para assistir às entrevistas e eliminar possíveis candidatos inadequados.
Estou farta disto e por isso fiz-me à vida. Vou começar a investir na minha formação, mesmo que isso seja um processo lento, mesmo que seja difícil pegar outra vez nos livros. Vou tentar descobrir o que valho. A sério. É o Setembro de todas as mudanças, das novidades inesperadas as contrastarem com a traição que o meu corpo guarda dentro de si, com a biologia a levar a melhor. Estou finalmente acordada.
Estou farta disto e por isso fiz-me à vida. Vou começar a investir na minha formação, mesmo que isso seja um processo lento, mesmo que seja difícil pegar outra vez nos livros. Vou tentar descobrir o que valho. A sério. É o Setembro de todas as mudanças, das novidades inesperadas as contrastarem com a traição que o meu corpo guarda dentro de si, com a biologia a levar a melhor. Estou finalmente acordada.
setembro 01, 2008
Heartbeat *
* saudável, no primeiro dia de consultas desta semana.
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