Eu sou perita em procrastinar. Hoje, a desculpa foi que não estava preparada para começar a escrever, que estava Sol e era um desperdício ficar em casa e afinal até os prazos foram esticados mesmo à medida. Na realidade, não estava preparada para escrever, sinto-me assim desde as dez da manhã e não sei muito bem como contornar esta falta de inspiração. À tarde, resolvi apanhar Sol e comprar algumas gulodices mas a saída não teve os resultados que esperava porque não havia aqueles crepes de chocolate maravilhosos do PD. Queria ter tudo pronto amanhã mas só se acontecesse um milagre e o resto do trabalho me aparecesse aqui feito durante a noite (há alguma fadinha para isto?). Cada vez mais me convenço que preciso arranjar uma profissão liberal ou ser patroa de mim mesma: deixar o Nico à solta durante a manhã, ouvir a minha rua durante o dia, sair para as compras depois do almoço - que sensação de tranquilidade.
janeiro 28, 2010
Zero
Depois da parafernália de fios e eléctrodos colados à minha cabeça, depois de dormir com um gravador debaixo da almofada e sair do consultório a parecer um bicho, depois de andar a tentar arrancar os restos do exame do cabelo durante mais de uma semana, descobri há dois dias que, neurologicamente falando, não tenho nada. Sim, tenho um sono agitado e frequentemente interrompido e as minhas pernas mexem-se muito e revolvo a cama toda e levanto-me umas três a quatro vezes por noite mas o meu cérebro está a funcionar bem. Sabem aquele episódio do doente que sai do consultório do médico chateado porque não tem nada? Eu agora percebo melhor. E lá se vai a minha esperança de voltar a dormir uma noite inteira, voltei à estaca zero.
janeiro 25, 2010
Uma experiência (quase) maternal
Mesmo correndo o risco de ser mal entendida pelas mamãs aí fora, eu vou dizer.
Ter animais de estimação é quase como ter filhos.
Ora, primeiro é um que me muda de sexo dentro do aquário, assim mesmo, sem mais nem menos. Num dia chama-se Gustavo, no outro dia está grávido e a fazer a desova como se não existisse amanhã. Acho que ainda tem mais filhotes para dar à luz, parece-me um bocadinho gordo mas eu já não sei o que fazer. Os outros meninos dentro do aquário metem-se com ele, ele foge, fica agitado e lá vêm mais uns bebés por aí fora. Não me apetecia encher o aquário com mais umas centenas de peixes mas enfim, eu sei lá o que fazer com aquilo tudo.
Depois é o outro menino, o de quatro patas. Ontem mandou-se dum banco abaixo, levando consigo a caixa cheia de água, ração, palha e xixi. Parecia um croquete, todo coberto pelos restos da comida e a palha já desfeita. Ainda pensei em metê-lo no banho mas achei que talvez fosse melhor deixar a natureza seguir o seu curso e deixar o bicho lavar-se sozinho.
Hoje lá fui à loja aqui da rua para me abastecer de coisas para os meninos: a ração, a palha e os flocos e o senhor ainda me explica que as bolinhas de madeira são melhores, absorvem os líquidos e promete-me menos limpezas durante a semana. Lá vim eu rua abaixo, com as mercearias para a semana, carregada com o material para estes quatro meninos do meu coração para depois perder uma hora e meia a deixar tudo a brilhar. Se isto é assim com a bicharada, então quando falarmos de crianças... ui! Tenho que começar a lançar o charme e valer-me dos avós :)
janeiro 22, 2010
Última tarde de férias
Estou a esforçar-me por passar a última tarde das férias na Biblioteca Municipal da minha cidade. E digo esforçar não porque aqui faltem condições, ou porque seja um espaço desconfortável mas porque as próprias funcionárias ignoram (ou parecem ter esquecido) que este é o lugar do silêncio e de um certo recolhimento. Daí até perguntarem, gritando, quantas horas deve carregar um telemóvel novo ou rirem-se espalhafatosamente duma piada contada ao almoço é um pequeno salto.
Mas enfim, incidentes à parte, estou verdadeiramente feliz por ter regressado à faculdade três anos apenas depois de ter terminado o meu curso, um percurso demasiado acidentado para me orgulhar disso. Mas agora que encontrei algo que quero mesmo fazer, um objecto de estudo que me interessa, que me estimula, as coisas sabem-me muito melhor. Mesmo que não esteja a contribuir para nenhuns avanços médicos ou tecnológicos, mas apenas a contribuir para aumentar um corpo de conhecimento ainda incipiente. E agora (algum) silêncio que se vai investigar um pouco.
janeiro 21, 2010
Always already gone
Não sei como é que acontece. Faço a viagem de volta a casa e o coração começa-me a ficar cada vez mais apertado dentro do peito, a respiração cada vez mais custosa. E é quando chego a Montemor-o-Novo e me enfio pelas ruas de paralelos para tentar fugir aos semáforos e aos camiões e de repente dou de caras com um funeral acabado do sair da capela e não consigo aguentar mais os soluços que vêm sabe-se lá de onde e só a custo os travo à pressa. Depois há aqueles altares na berma da estrada, símbolos macabros de alguém que perdeu a vida naquela curva e, em chegando a casa, ligo a televisão e continua a saga do Haiti e começo a chorar à mesa com a minha mãe.
Estar longe de casa tem-me mantido na linha: acumulo o stress das aulas com a falta de entusiasmo e motivação no trabalho, o trânsito no cruzamento da Estrela, os autocarros cheios de gente e de humidade, as calçadas escorregadias onde hei-de cair, mais cedo ou mais tarde, os carros mal estacionados à porta de casa, a televisão velha do vizinho que não cabe nas escadas, as compras que não fiz por esquecimento. Vale tudo para não me lembrar da tristeza de já não os ter por cá, de saber que com eles morreram velhos hábitos e se calaram anedotas, de saber que agora só os confundo com outros velhos que caminham no jardim. E vale tudo para me esquecer a miséria desse povo abandonado, as crianças de olhos arregalados com o medo, a falta de coordenação. Mas, no momento em que vacilo, lembro-me do conselho que ando a repetir há duas semanas à minha avó e respiro fundo. Lembremo-nos de quem fica.
janeiro 20, 2010
Acordar com o coração nas mãos
Ou, pelo menos, com o coração a querer romper o peito. Se calhar é porque hoje está Sol pela primeira vez desde... Não sei desde quando porque me perdi na sucessão de dias cinzentos, por dentro e por fora. E quanto mais tempo passa, mais eu redefino o meu conceito de saudade, que se agudiza e se transforma nesta muralha que julgo ser intransponível alguns dias e inexistente noutros. Estou de férias mas passo doze horas em frente ao computador e mal sinto o ar fresco lá fora. E depois é isto, sentir-me só em vez de me sentir apenas sozinha e os abraços que ficam por dar.
janeiro 17, 2010
La Femme d'Argent
Acho que a última música da noite, a mesma que dá título a este post, resume o sentimento que me ficou do concerto: épico! Podia ter sido melhor, se a música estivesse um nadinha mais alta e eles se aventurassem mais nestas cavalgadas electrónicas. Tocaram a minha música preferida e só por isso já valeu a pena. Já nem falo da companhia perfeita e da melhor irmã do Mundo, que fez o favor de nos mandar ao Coliseu. Podia-se era ter evitado a multa de estacionamento no Largo da Anunciada mas enfim, quase que se esquecia: saímos nas nuvens.
janeiro 16, 2010
(500) days of Summer
Tom: I love how she makes me feel, like anything's possible, or like life is worth it.
Se eu tivesse visto este há filmes há um ano atrás, teria certamente sido uma noite daquelas: acabaria de ver o filme e, depois de lamentar estar sozinha, enfiava-me debaixo dos cobertores e ficava indecisa entre chorar ou ser mais forte que isso. Mas a verdade é que este filme está cheio destas verdades e desencantos de que também é feito o amor. A reciprocidade é uma cabra e às vezes penso nas probabilidades de encontrarmos uma pessoa que queira exactamente o mesmo que nós, também exactamente no mesmo espaço de tempo. E bem, se não fosse eu ter sido agraciada com essa possibilidade, é de loucos. Mas eu acredito em tudo que vi neste filme: as noites psicóticas sem certezas, as indefinições dos primeiros tempos, a vontade de abraçarmos uma pessoa controlada pelo nosso medo de nos magoarmos. E acredito na música e em sítios especiais, em alinhamentos de planetas, nos defeitos que se adoram, no apesar de tudo. E até pode ser coisa de filme mas quem é que nos disse que uma tarde chuvosa não estamos no Vertigo a ler o resto dum McCarthy qualquer e não passa pela montra a pessoa da nossa vida? Acreditar é a única coisa que nos mantém vivos. Até que ela finalmente chega e acaba-se a ansiedade toda. Toda.
janeiro 12, 2010
Neuro-coisas
Depois de dormir mal durante demasiados meses, resolvi fazer qualquer coisa por mim e aproveitar que o trabalho ainda me facilita no seguro de saúde. Comecei a achar que levantar-me umas três ou quatro vezes numa noite de sono de sete horas já se estava a tornar demasiado cansativo. Primeiro, achava que era apenas uma fase mas, depois de sentir as coisas arrastarem-se para lá do suportável, decidi que preciso voltar a dormir uma noite completa.
Só me arrependi um pouco quando saí da sala onde me ligaram todos os eléctrodos e cabos ao gravador que vai registar o sono e a minha irmã foi incapaz de conter as gargalhadas sonoras dela. E também entendi a insistência das senhoras, quando me diziam que, depois de colocar todo o material, não poderia conduzir ou andar de transportes públicos: acho que muita gente iria desmaiar de susto! Já estou a preparar-me para ligar os fiozinhos todos debaixo da almofada e estar descansada às onze da noite, hora em que os aparelhómetros começam a funcionar. Não sei como é que esperam que eu durma com estes adesivos todos e aquele aparelho para medir o que não ressono. De dormir não sei nada - só quero arrancar isto tudo quando chegarem as primeiras horas do dia...
janeiro 10, 2010
1924
Sabes avô, vinha no caminho já a pensar como gostava te dizer tudo o que se passa no Mundo e que tu não podes saber. Já em Abril, tinha vontade de mostrar a cidade mais uma vez ao outro avô, mesmo estando tudo na mesma, mesmo a vista sendo sempre igual. Não vim a tempo, avô. E tu também já não foste a tempo de ver que, depois do gelo que sentimos durante estes dois dias, começou a nevar tão cedo e quase fico contente, porque em vez de chuva, ficas agora debaixo desta mantinha branca.
Sabes avô, o meu pai disse que o 2009 ainda não tinha acabado e que só agora se fechava o ciclo e eu quero acreditar nele. Vamos ter saudades tuas mas o que tu tinhas agora já não se chamava vida e feria-nos tanto não te poder ajudar. Falei contigo em pensamento porque tenho a esperança secreta que, algures, ainda nos possas ouvir. Já não sei dizer se isto foi tudo de repente ou de demorou tempo demais mas sei dizer que isto foi a repetição exacta dum pesadelo que já tínhamos vivido há nove meses: as mesmas pessoas à volta da mesa, o mesmo bacalhau ao almoço, os mesmos acordares para um dia que desejávamos não existir. Só está é tanto frio, avô e é como se a neve estivesse cá para marcar o dia - como se pudéssemos esquecer.
Vou ter saudades tuas, avô e não quero aqui falar das coisas tão boas de que me lembro porque o mais certo é regressarem as lágrimas. E se me contenho, e se agora me acalmo, é porque desde há nove meses atrás que acredito que vocês se escondem num sítio secreto, onde vão ficar para sempre, esperando também por nós.
janeiro 08, 2010
Del todo nos vamos y desaparecemos en su casa
Tantas vezes preciso de música para escrever. Confesso que muitas, muitas vezes não teria escrito sem a ajuda da música e isto sabe a batota, como se estivesse a roubar a inspiração de alguém. Mas também sabe um pouco a sinestesia e a esta afinidade da música com as palavras, com a emoções, com os cenários que se vão desenhando na nossa cabeça. E preciso de música para perdoar, para me convencer de que não devo deixar o sangue quente reinar sobre mim, para compreender minúscula importância da minha vida. E preciso de música para viajar, mesmo sentada numa cadeira de escritório, e para silenciosamente exaltar este meu bem querer e troçar dos fantasmas dos tempos já idos. E se tiver música posso reinventar-me e multiplicar as minhas declarações de amor.
E posso ser uma mulher descalça em pleno deserto, um xaile apenas pelos ombros descobertos, com um brilho que nem o pó consegue cobrir, suando os meus amores impossíveis e começando a ceder à vertigem voluntariamente. Choram guitarras e baila-se à vez. Acho que se chama a isto ser livre.
[chego muitas vezes tarde, já o disse antes, mas o que conta é chegar lá. E tu já foste mas deixaste tantos mundos cá em baixo.]
janeiro 06, 2010
I'm so disappointed I could cry
Como sempre, as pessoas continuam a fazer das suas. Insistem em segredar e em especular em vez de perguntar directamente, preferem ser medíocres do que brilhar e isso é uma coisa que não consigo aceitar em ninguém. Tenho uma bateria de análises marcadas para a semana que vem e nem conduzir vou poder. Voltei a correr, depois de uns dois meses de pausas forçadas pelas ausências e pela metereologia e agora é como se tivesse que começar tudo de novo. Respondo esporadicamente a anúncios de emprego só para não receber respostas e acabar com o que resta da minha auto-estima. Ainda não me consegui organizar para ter os trabalhos do mestrado prontos a tempo.
Comprei duas tabletes de chocolate, pelo sim pelo não.
janeiro 03, 2010
2010
A partir de fotos dele, uma montagem minha.
Quero dançar muito em 2010. Quero poder fechar os olhos e esquecer-me das dores, das incertezas, dos despedimentos e das ausências. Não me importo que esteja sozinha numa sala nem que me estejam a observar ou que cheire demasiado a tabaco. Quero poder dançar a dois, bem coladinha, com ou sem música romântica. Quero deixar de sentir os pés, que as pernas se movam em piloto automático, dançar com os braços e o corpo todo, soltar o cabelo e os maus olhados porque tenho a certeza que me lançaram um olho gordo. Quero mexer-me dentro e fora de tempo, batendo o pé, marcando o ritmo, fazendo a vontade às ancas e cedendo à cintura. Quero ter razões para dançar e fazer finalmente da rua Viriato a minha pista de dança.
dezembro 31, 2009
2009, esse ano bastardo
Desenganem-se: 2009 foi o ano da Morte. É assim que me vou lembrar dele daqui para a frente, sempre que estiver prestes a dobrar uma década ou apenas frente a um ano novo. Só tinha ouvido falar da Morte: infelizmente tinha já visto o sofrimento no rosto de outros mas tinha ainda sido poupada ao natural curso das coisas. Este ano chegou a minha vez e foi exactamente como muitos descrevem, foi uma espécie de tontura da qual despertamos lentamente, foi lidar com a saudade que nunca mais irá desaparecer. Aqueles dias de Abril vão ficar para sempre gravados na minha memória pelos melhores e piores motivos. Além disso, este ano passei mais tempo em hospitais e unidades de recuperação do que alguma vez poderia esperar e do que desejo a alguém. Estou saturada dos cheiros, do chão em linóleo e de grades nas camas, salas de espera e segundas opiniões, do silêncio.
1. Foi o ano em que chegaram alguns anjos e outros continuaram a crescer, símbolos maiores do amor a deixar o relógio biológico ainda mais descontrolado 2. Voltei a Bruxelas na Primavera só para confirmar que estava enganada e que podemos ser realmente felizes onde julgávamos termos sido felizes um dia e que, voluntaria ou involuntariamente, tinha acabado a época de me enganar a mim mesma 3. Estive em três casamentos, entre os quais o de um enorme amigo de infância, onde me comovi uma vez mais no momento do Sim e onde partilhei verdadeira felicidade 4. Foi um bom ano gastronomicamente falando: entre muitas noites de sushi, petiscos da Tasca da Esquina, sardinhadas, caracóis e picapaus no café da rua... comi tão bem 5. Tive uma semana de férias exclusivamente no feminino, que posso resumir com horas estendida na areia, hotel à beira da praia e pescaditos fritos com limão 6. Foi o nosso ano, o princípio desta imensa sensação de tranquilidade quando ele está perto e de inquietação profunda quando os quilómetros nos separam, saber que é isto, deixar de esperar, sentir finalmente de forma incondicional 7. Foi o ano do empreendedorismo, com o amigo a ver finalmente o sonho a tomar forma e a minha curiosidade a levar-me por formação nesse campo, antecipando já o final do meu emprego em Maio e tentando perceber que portas se vão abrindo por aí 8. E é o ano dos bichos, já a somarem quatro neste apartamento da Estrela, enchendo os meus dias e fazendo-me sentir menos só.
Desejo a todos um são e feliz ano de 2010. Se a saúde não vos trocar as voltas, espero só que possam (pelo menos) ser tão feliz como eu em tudo o resto. E para o ano há mais :)
dezembro 30, 2009
Um cavalheiro tímido e uma starlett sem brilho
O seu a seu dono: as fotos são dele, como sempre.
Samuel Úria e Nereida Gallardo sentados no mesmo sofá... As probabilidades de alguém pensar em ou mesmo conseguir juntá-los era remota até ontem, quando os dois participaram no programa 5 para a meia noite. Ele apresentou-se distinto, esguio numas slim fit, t-shirt da sua Flor Caveira e sapatos brancos, a estender-se muito para além do sofá. Ela não conseguiu deslumbrar, apesar dos longos cabelos negros e do bling bling dos acessórios, sendo cuidadosamente observada pelo namorado e evitando falar sobre aquele-cujo-nome-não-devemos-pronunciar. Ele cantou uma deliciosa versão da Quinta Sinfonia do Paco Bandeira e conquistou-nos definitivamente quando disse Agora que sou alentejano... ou quando aconselhou Tondela à sua companheira de sofá. Ela teve algumas dificuldades de tradução (ou não fosse o castelhano do Alvim não mais que sofrível, embora esforçado) e pareceu perdida muitas vezes, nunca conseguindo descolar do estigma de uma certa vulgaridade.
Valeu pela boa disposição. E porque o Alvim conseguiu juntar a simplicidade e timidez de Úria e a disponibilidade (de aparecer, porque não passou disso) de Nereida para manter uma conversa sobre rissóis, sexo dentro do carro (e outras óbvias referências sexuais) e futebol durante uns quarenta minutos. Não é para todos, o equilíbrio entre ter graça e ser (positivamente) o perfeito anormal.
dezembro 25, 2009
Sobrevivemos (?)
A minha família cometeu o prodígio de aguentar firmemente a primeira noite de Consoada sem eles. Contrariando o que eu temia já há muitas semanas, foi uma noite tranquila mas aposto que todos pensávamos no mesmo: na maneira como um era sempre servido em primeiro lugar e como achava que nunca ia comer mais nada e na forma como o outro passava a quadra, sentado no seu cantinho, aceitando tudo o que lhe davam e já sem falar. Ainda hoje, o arroz de cabidela lembra-me um e o sumo de ananás o outro. Um já foi, outro ainda não mas já não está entre nós. Eu sei que é suposto esta ser uma época de esperança e de união mas sabem, este foi o primeiro sem eles e riscar os lugares da mesa, à razão de um por festividade, doeu-nos muito. Agora, há dois lugares livres, que acabam ocupados pela saudade.
Ninguém nos ensina a não sofrer e eu cá precisava de um curso intensivo. Mas, em contrapartida, a minha mãe deu-me Tupperwares™ e toalhas novas, a minha irmã quer que eu vá ver os Air e ainda não comi muita porcaria. Estou farta de lhes dizer que, apesar deles terem partido, devemos nós continuar a viver. Mas é engraçado, nem sempre acredito nisso.
dezembro 23, 2009
Chama-se Nico
E é bem capaz de ter abalado as minhas relações familiares mas é fofo, este meu pequeno explorador. Prometo que fechei o zoo cá de casa.
dezembro 22, 2009
Trigémeos
Eles estavam habituados a estarem sozinhos num daqueles aquários redondos, que passam bem por uma bola de cristal. O Gustavo e o Senhor Almeida já quase vêm comer à mão porque trato de os alimentar sempre à mesma hora e no mesmo sítio. Às vezes dão pulinhos dentro de água, como se estivessem na brincadeira. Hoje, juntou-se a ele o irmão mais velho e agora o ambiente está estranho: estão a conhecer-se num aquário muito maior e muitas vezes não largam o Hubble. E agora é deixá-los crescer: não posso fazer-lhes festinhas mas não me roem as tomadas.
dezembro 21, 2009
Podem perguntar-me o que quiserem, é Natal.
Não tenho mais nada para vos dar, a não ser a minha sapiência. Que ainda é pouca mas não a quero menosprezar.
dezembro 20, 2009
A minha cidade é um belo milésimo post
Estes exemplares são dele.
Mil mensagens desde dois mil e quatro. Centenas, milhares de caracteres desde o mês de Fevereiro desse ano, tempo perdido a decidir o que vale ou não a pena publicar. Mil vezes sentada em sítios diferentes, teclando com diferentes computadores, indecisa e determinada, muitas vezes completamente vazia de inspiração. Mil entradas num diário que continua a crescer e a ver-me crescer durante seis anos, insensível aos meus picos emocionais. Mil vontades de falar, espaços onde tantas vezes falei das saudades que tenho de casa, da forma como olho a cidade enquanto a deixo para trás.
Aproveito a milionésima mensagem para vos convidar a (re)descobrir a minha cidade, especialmente para se enamorarem dos pormenores que, por julgarmos já sabermos tudo, deixamos fugir todos os dias. Irão ser, um dia, mil razões para sentir vontade de regressar todos os dias ao único sítio que me reconhece e me faz falta. Chama-se Portalegre em Pormenor e já conta com as participações de vários olhos com visões muito particulares, a cores e sem elas, sobre esta atípica cidade alentejana. Eu fico desejando mil céus azuis, tiritando com os zeros graus deste fim de semana - certamente se seguirão mil posts de paixão e beiço caído por esta cidade.
dezembro 14, 2009
Alerta amarelo
Eu ando duma maneira que não me posso aproximar de nenhuma loja ou local onde se possa comprar alguma coisa. Ia hoje à Baixa tratar da substituição de uma prenda (já que a original está rota mesmo antes de ser oferecida...) e acabei enfiada aqui, tentada a despachar-me rapidamente e acabando com um saco com umas cinco peças de roupa - prenda não incluída. Depois, já de volta ao trabalho, dou aqui de caras com uma mini feira do livro e, com a desculpa que tinha a prenda do amigo secreto lá do trabalho para comprar, acabei com mais cinco livros dentro da mala - e não são todos para oferecer. Quase a chegar ao meu destino, os meus olhos param num quiosque e toca de comprar esta revista, só para confirmar a polémica que se levantou blogosfera fora - e bem me arrependi, que não é propriamente reconfortante ver as fotografias das raparigas tão perfeitas e depois olhar-me ao espelho. E com isto comprometo-me a travar este frémito consumista. Alguém que me agarre se passar perto de outra montra.
(acho que se chama carência ou ausência de sentido de orientação. Como se meia dúzia de casacos de malha pudessem apagar a tristeza com que aprendo a viver todos os dias, tentando convencer-me que todos agimos pelo melhor e que um dia todas as imagens do desespero dele vão esfumar-se da minha cabeça. Já não sei o que está certo - só sei que tenho os nervos esfrangalhados e mais uns casacos no roupeiro.)
dezembro 10, 2009
Ultimamente.
Ando um bocado assim: incapaz de me focar nas coisas mais importantes, pressionada por coisas por fazer de todas as direcções, esmagada por um jantar para cento e oitenta pessoas que não estava a ser capaz de organizar. Recebi a notícia de que não passei num processo de recrutamento onde estive envolvida há pouco porque os resultados dos meus testes não eram satisfatórios. Eram testes de raciocínio numérico apoiados por tabelas e gráficos, coisas que eu já deixei para trás há uns bons quinze anos. E nem sequer fiquei triste por não ter conseguido a posição - fiquei, isso sim, envergonhada por não conseguir superar estas provas, mesmo que só eu conheça o resultado. Tenho vergonha de não ser boa assim em tudo. Também fiquei a saber que entrar nos quarenta na minha família é sinónimo de operações à cabeça ou coma induzido por problemas cardíacos desconhecidos. Acho que me fico pelos trinta.
Estamos fartos de saber que a pressão para mantermos a compostura e não cedermos à tristeza é enorme porque é suposto sermos todos fortes. Só que eu, como consequência de não ceder um bocadinho diariamente, tenho dias em que simplesmente quebro, em vez de vergar. E eu desejo apenas ser como canas ao vento.
dezembro 07, 2009
Sushi para um (a pedido!) *

* compra-se ali naquela bandeirinha, caso ainda não saibam.
dezembro 05, 2009
Tudo (muito) bons rapazes
Eu já sabia que se me chegasse perto da Fnac algo assim ia acontecer. Ia lá, inocentemente, só buscar um cabo de rede para consertar a minha ligação à internet e acabei com estes três discos (também) na mão. Portanto temos: o cavalheiro à moda antiga, cabelo preto desgrenhado, sozinho em palco com a sua guitarra, com a sua timidez e as botas que marcam o compasso; o trovador contemporâneo, fumando finíssimos cigarros de enrolar, escondido atrás dos lenços que enrola ao pescoço e dos romances falhados das suas canções; e o rei da música pop portuguesa, mestre de cerimónias da escrita, do vídeo e da fotografia, incapaz de parar de criar. Alguém ainda acha que a música portuguesa não vale nada?
dezembro 04, 2009
Sobre regressar *
* ou como tudo correu tão bem, tirando os pés dentro das botas novas, e como voltei ainda sem ter um novo emprego e com vontade de mandar o meu país às urtigas.
dezembro 02, 2009
Um chá antes de partir
E agora é hora de fechar a mala e dormir. Gostava de poder descansar mas está mau tempo para voar e a companhia é a mesma do avião misteriosamente desaparecido do radar. Tenho sempre medo de morrer, por isso olhem, foi um gosto!
novembro 30, 2009
Our time is running out
Ela conta-me muitas coisas nesta viagens outonais, rampa acima, perdidas entre os castanheiros que tombam sobre a estrada e os castelos de gelo [sic] que se formam nos pontos mais altos. E fala-me de toda a comida que tem feito nos últimos dias e de como, simultaneamente, já perdeu a vontade de comer. Ouço pormenores de frangos tostados e caldos verdes e qualquer coisa que se deixou a descongelar entretanto - tudo azedando lentamente em tachos gastos por umas dezenas de anos.
Fala-me dos medos, dos rapazes que às vezes vê dentro do quarto e de como se tapa até à cabeça, esperando ficar novamente sozinha. Vai confessando que teme que a expiem e a sigam e, acima de tudo, que seja o assunto do falatório das vizinhas entre o vento gelado e as bolsas do pão. Vou muitas vezes em silêncio, olhando para ela a espaços, tentando gravar-lhe as rugas na minha memória, tentando ignorar a pele seca das mãos e a roupa onde nada um corpo de mais de oitenta anos.
Já tentei explicar-lhe que ele não voltará a andar. E desfiz-me em detalhes para lhe mostrar que também não irá recuperar a fala. Mas como é que se mostra a alguém que a pessoa com quem viveu mais de sessenta anos é apenas uma sombra de si mesmo, três ou quatro sílabas balbuciadas sem nexo, um corpo feito de pele e osso curvado sobre si mesmo? Concentro-me nas abertas e nas árvores de folha caduca e nos prados amadurecidos pela estação. Controlo as lágrimas e é como se este fosse só mais um passeio de Domingo.
novembro 25, 2009
A dr. M. responde!
Houve alguém que chegou ao meu blog com a pesquisa "questionario como saber se gosto de um rapaz" [sic].
Sendo eu uma pessoa com tendência para paixões assolapadas, há uma ou duas dicas que posso dar, sem que alguma delas tenha algum valor científico ou tenha realmente sido comprovada. A mim acontece-me que passo o tempo todo a pensar nele: a minha chefe pode estar a pedir-me um relatório complicadíssimo ou um professor pode estar a marcar o exame final mas a única coisa que a minha cabeça regista é o nome dele e o quão incrível ele me parece. Tenho vontade de pegar no telefone a toda a hora só para lhe dizer como ele é giro e como ele cheira bem e como gostava que ele estivesse perto de mim. Depois, desmancho-me com qualquer canção de amor, mesmo aquelas de que me rio num estado normal, isto é, de não-apaixonada. E de repente, a canção que antes era pirosa passa a ser querida e, incrivelmente, eu consigo arranjar uma justificação para agora gostar dela. Quando se gosta de um rapaz, tem-se o poder de acreditar sempre nele, mesmo que ele nos esteja a contar uma mentira que vai muito para além de piedosa.
Não costumo ouvir sininhos nem ver estrelinhas. Mas garanto que fico tão nervosa que me sinto zonza e as borboletas na barriga passam a uma vontade indescritível de tomar um calmante e acho que vou morrer de taquicardia a qualquer instante. Isto longe dele, claro, porque se estiver perto sinto que vou literalmente desfalecer. Eu já me sei controlar, felizmente. É o que acontece quando gostamos tanto de um rapaz que não precisamos de nenhum questionário nem nenhuma ajuda - sabe-se e pronto. Pode ir fazendo cruzes até lá, caro/a leitor/a anónimo/a. Garanto-lhe que quando chegar a altura vai saber. Desconfie especialmente quando não se lembrar de alguma vez ter sido tão feliz.
Sendo eu uma pessoa com tendência para paixões assolapadas, há uma ou duas dicas que posso dar, sem que alguma delas tenha algum valor científico ou tenha realmente sido comprovada. A mim acontece-me que passo o tempo todo a pensar nele: a minha chefe pode estar a pedir-me um relatório complicadíssimo ou um professor pode estar a marcar o exame final mas a única coisa que a minha cabeça regista é o nome dele e o quão incrível ele me parece. Tenho vontade de pegar no telefone a toda a hora só para lhe dizer como ele é giro e como ele cheira bem e como gostava que ele estivesse perto de mim. Depois, desmancho-me com qualquer canção de amor, mesmo aquelas de que me rio num estado normal, isto é, de não-apaixonada. E de repente, a canção que antes era pirosa passa a ser querida e, incrivelmente, eu consigo arranjar uma justificação para agora gostar dela. Quando se gosta de um rapaz, tem-se o poder de acreditar sempre nele, mesmo que ele nos esteja a contar uma mentira que vai muito para além de piedosa.
Não costumo ouvir sininhos nem ver estrelinhas. Mas garanto que fico tão nervosa que me sinto zonza e as borboletas na barriga passam a uma vontade indescritível de tomar um calmante e acho que vou morrer de taquicardia a qualquer instante. Isto longe dele, claro, porque se estiver perto sinto que vou literalmente desfalecer. Eu já me sei controlar, felizmente. É o que acontece quando gostamos tanto de um rapaz que não precisamos de nenhum questionário nem nenhuma ajuda - sabe-se e pronto. Pode ir fazendo cruzes até lá, caro/a leitor/a anónimo/a. Garanto-lhe que quando chegar a altura vai saber. Desconfie especialmente quando não se lembrar de alguma vez ter sido tão feliz.
novembro 24, 2009
Rock on (se ainda conseguires manter os olhos abertos)
Isto anda de tal maneira que até as nossas capacidades anímicas andam trocadas. Eu não me poupo na noite errada, ele sente-se com energia e eu, sem lhe perceber uma subtil nota de entusiasmo na voz, prefiro recolher-me. É só mais um exemplo, eu sei, de como coadunar duas vontades, duas gargantas, quatro pés dançantes e duas vozes que se espalham pelas salas é muitas vezes um esforço ingrato e algumas vezes insuficiente. E é também uma das razões pelas quais as relações hoje em dia não funcionam: as pessoas não querem perder tempo a conhecer o outro mas não querem, acima de tudo, ter que fazer concessões, ceder naquilo que são os seus pequenos caprichos, abraçar as diferenças do outro. E eu, não me querendo armar em doutora nem em terapeuta de casais ou numa pessoa muito experiente, só acho que essa malta está a perder todo um mundo que se abre quando nos damos tempo e quando experimentamos fazer diferente. E quando nos damos a possibilidade de errar. E para a próxima, as duas da manhã serão só o começo porque a noite (como o meu amor) é apenas uma criança.
* os The Kendolls e as Baby Shakes tocaram aqui em mais uma bela noite de rock'n'roll.
* os The Kendolls e as Baby Shakes tocaram aqui em mais uma bela noite de rock'n'roll.
novembro 21, 2009
Guilty pleasure #1
You lying beside me, me full of love and filled with hope
(vivo cheia dos mais variados poemas de amor, incapaz de resistir a um one hit wonder holandês, casais perfeitos em dias perfeitos numa paisagem mediterrânica, cansada mas feliz por tudo e por nada)
novembro 19, 2009
[ela vive]
Quando cheguei a casa, a minha irmã tinha-me guardado duas fatias de pizza para o almoço de hoje. Há uns três dias que não vejo notícias, há uns quatro que não leio os meus blogs preferidos. Esta semana jantei a casa de amigos e às dez e tal da noite tinha quase mais sono que o bebé deles, que fez ontem dois meses . Ontem senti tanto stress que as minhas pernas pesavam-me uns quinhentos quilos antes de me deitar e nem a noite de sono fez desaparecer a sensação de peso. Ontem estive em duas apresentações: uma encheu-me de confiança, a outra da sensação que o meu dever ficou por cumprir. Tenho um site para montar até daqui a duas semanas e uma mini-tese para escrever até Janeiro. No trabalho, chegámos finalmente à fase em que não há gente suficiente para os malabarismos que o nosso cliente pretende e, simultaneamente, para poupar dinheiro. E muito menos para motivar pessoas a quem já foi anunciado o desemprego a partir de Maio. Vou ter que me voltar a habituar a dormir sozinha e a lembrar-me do que significa saudade. Nem sequer tenho tido tempo para escrever nos sítios onde é costume. E ler... Bem, chamo ler a passar os olhos por uma ou duas páginas do livro de cabeceira antes de cabeçear de sono. Nunca a expressão So much to do, so little time fez tanto sentido para mim.
As coisas acontecem todas a uma velocidade que não consigo controlar. É como aqueles sonhos que eu tinha antes de fazer o exame de condução, em que ia enfiada num carro, montanha abaixo, uma estrada de terra batida e nenhum pedal de travão que me valesse. Alguém me trave o Mundo, eu quero sair, já eles diziam.
novembro 16, 2009
Diário de uma jovem adulta com demasiadas coisas para fazer
A equipa a que pertenço é uma das finalistas deste concurso. Além de ser uma agradável surpresa (porque não me tinha inscrito com nenhuma expectativa), tornou-se num evento muito maior do que esperava e deixou-me a sonhar com a hipótese de arranjar um futuro melhor depois de Maio. Não seria abrindo um atelier de pastelaria, nem organizando eventos - isto é muito maior. A única desvantagem é ver-me ainda a braços com o trabalho e o mestrado e não estar a conseguir despachar tudo como gostava. Seja qual for o resultado deste concurso, a verdade é que consegui ter uma ideia bastante sucinta sobre as variáveis a ter em conta quando se pensa em montar um negócio de raíz, um mini-curso sobre iniciativa e marketing. Sweet!
Também fui conhecer um sítio novo, na melhor das companhias. Comeu-se por lá uma deliciosa tosta de salmão fumado com alcaparras, um sumo Royale de chorar por mais enquanto a chuva caía lá fora. É um sítio tão bonito, daqueles que desejava abrir um dia, um espaço onde a luz não incomoda e se pode ler tranquilamente o jornal, com um terraço a fazer lembrar outras capitais europeias. Depois, foi a vez de ver esta peça, que aconselho - mas nunca de estômago vazio! O teatro é lindíssimo, os actores muito divertidos, o texto cheio de metáforas actuais. E depois casa, que me esperava uma apresentação sobre as audiências dos novos media digitais. Novidades, só mesmo nos próximos dias. Façam figas por mim!
novembro 12, 2009
novembro 07, 2009
Passamos a primeira tarde dos meus trinta à procura da fotografia perfeita para o primeiro dia de Inverno (saltei deliberadamente o Outono porque este frio, este vento gelado chegou, ignorando a ordem natural das estações). Corremos atrás das abertas que fazem derramar incipientes raios de Sol sobre os campos desordenados, criando efeitos de luz que desejamos ver repetidos. O nevoeiro desce, sem medo, cobrindo os pontos mais altos, apagando serras inteiras do mapa mas às vinhas ainda conseguimos admirar as cores.novembro 06, 2009
A borboletear desde 1979
Faz hoje trinta anos que a Casa de Saúde me viu nascer. Fui uma filha muito desejada mas aposto que os meus pais tiveram second thoughts quando perceberam que era uma chorona. Ainda sou uma chorona, na verdade. Choro por tudo e por nada, enervo-me a sério, comovo-me demasiado. Portanto, comprometi muitas horas de sono aos meus pais e esfrangalhei-lhes os nervos de vez em quando.Faz hoje trinta anos (e só eu sei como ainda me arrepia dizer isto assim, admitir que este é um estado irreversível, imaginar-me a responder a questionários e já não caber naquela categoria dos dezoito aos vinte e tal) que nasci e agora começam a contar-se as coisas em décadas, tantos anos a passarem que é impossível lembrar tudo o que é importante. Ainda tive uma esperança que este Verão continuasse colado ao Outono e pudesse usar manga curta pela primeira vez em trinta anos mas não, aqui em casa é definitivamente Outono e o nevoeiro chega até ao chão.
A minha madrinha sempre me disse que a vida começa aos trinta. Uma assistente minha dizia-me que é a década da redução de velocidade e da responsabilidade. E recebi agora uma bela SMS que dizia que trinta é uma bonita idade para se ser feliz. E tirando aquelas partidas que a saúde dos outros nos prega (e contra as quais eu aprendi que não se deve lutar), eu sou mesmo feliz: estou mais ocupada que nunca, a investir em mim e a tentar mudar a minha vida, ao lado da minha pessoa preferida, fazendo apenas aquilo que me apetece, quando me apetece. Não sei se é isto que os trinta trazem. Mas eu aceito a sua chegada, dividida entre recusar ser trintona e abraçar a nova década.
novembro 05, 2009
Relembrando os anos 90 mesmo à porta dos 30 (e pizzas e um pouco de lamúria!)
Tive direito a médico ao domicílio, jantar numa pizzaria gourmet e ele levou-me por umas horas de volta à altura em que os meus pais me abandonavam em Lisboa pelas primeiras vezes - fui ver os Skunk Anansie, pois. Estou a viver as últimas horas antes dos meus trinta anos, aquela década em que supostamente todos começamos a viver mesmo. Já me apeteceu mais, já me foi indiferente, já quis que chegasse a hora. Agora, estou a hesitar perante a ideia de ser trintona mas eles não param e não há que possa fazer para os impedir de chegar. Daqui a sete horas, dobro mais uma década. Medo.
novembro 01, 2009
Dia de Santos
A minha mãe gosta de misturar o moderno com o tradicional, por isso aos rebuçados e ovos de chocolate que compra juntas as broas de mel e de milho e os rebuçados de ovos que a minha avó faz. Em vez de cem, oferece duzentos e quatrocentos paus aos miúdos que nos têm batido à porta. Já não sei se eles trazem a bolsa do pão para levarem tudo para casa mas consigo ouvi-los, quase a guinchar de alegria quando se lhes abre a porta e eles dizem "É os Santinhos!". Carga religiosa à parte, é uma versão muito mais querida do que o Trick or treat. Aí chegam os próximos!
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