

Esta última semana foi (talvez) a mais difícil da minha vida. Ao escolher amamentar o meu bebé em exclusivo, aceitei (sem saber) um compromisso gigante para com a sua saúde e também com o meu bem estar psicológico. É óbvio que, apesar de nascerem já com alguns reflexos, os bebés não sabem mamar e uns precisam de mais ajuda para se iniciarem nessa aventura. Nesta última semana, tive momentos a roçar a histeria, admito, mas simplesmente por não conseguir compreender se o bebé estava bem alimentado, satisfeito ou frustrado e simultaneamente achar que eu tinha a culpa disso tudo. Muitas vezes, lamentamos que as pessoas não venham com livros de instruções e isso é especialmente grave - descubro-o agora - com bebés.
As hormonas instáveis não ajudaram particularmente e esta ideia de que sou a pessoa mais desajeitada que conheço também não melhorou o cenário de caos com que me deparava: o meu bebé podia estar subnutrido e a culpa era minha. Mas felizmente fomos a uma conferência sobre aleitamento materno, falámos com amigos mais experientes e o Vicente foi ao pediatra pela primeira vez e tudo ficou mais fácil. Quer dizer, não sei se mais fácil mas pelo menos mais leve. Experimentámos algumas alternativas e, depois de saber que o bebé já tinha ultrapassado o peso de nascença, pude finalmente respirar de alívio. A verdade é que estive quase a desistir, mesmo sabendo que a amamentação é a solução ideal para o bebé e para mim e que ele não precisa de mais nada para crescer forte e saudável.
Ter um filho é ser posto à prova a cada segundo que passa. Suprimir-lhe as necessidades, satisfazer-lhe os desejos, acalmar-lhe o choro e ver o sorriso ainda inconsequente de quem não consegue apreender o Mundo é tudo o que nos ocupa o pensamento. Não há tempo para pensar em jantares ou computadores, sobram poucos minutos para ler, o cansaço ataca cada vez mais cedo mas a simples ideia daquela cabecinha a levantar-se do meu ombro e aqueles olhos curiosos a tentarem perceber quem sou eu valem tudo. Recuperei a calma (pelo menos por agora) e encaro estas dificuldades mais tranquila e também o posso agradecer ao incansável pai do Vicente. Cada dia é um dia e com estas brincadeiras todas duas semanas já lá vão [suspiro]...
* as fotos são do postal adorável que acompanhava o sling que comprámos na loja de estar, que podem visitar aqui. Atenuadas as dificuldades iniciais da amamentação, avançamos para o próximo obstáculo: a deslocação sem ajuda do pai.
































