Novembro 19, 2009

[ela vive]

Quando cheguei a casa, a minha irmã tinha-me guardado duas fatias de pizza para o almoço de hoje. Há uns três dias que não vejo notícias, há uns quatro que não leio os meus blogs preferidos. Esta semana jantei a casa de amigos e às dez e tal da noite tinha quase mais sono que o bebé deles, que fez ontem dois meses . Ontem senti tanto stress que as minhas pernas pesavam-me uns quinhentos quilos antes de me deitar e nem a noite de sono fez desaparecer a sensação de peso. Ontem estive em duas apresentações: uma encheu-me de confiança, a outra da sensação que o meu dever ficou por cumprir. Tenho um site para montar até daqui a duas semanas e uma mini-tese para escrever até Janeiro. No trabalho, chegámos finalmente à fase em que não há gente suficiente para os malabarismos que o nosso cliente pretende e, simultaneamente, para poupar dinheiro. E muito menos para motivar pessoas a quem já foi anunciado o desemprego a partir de Maio. Vou ter que me voltar a habituar a dormir sozinha e a lembrar-me do que significa saudade. Nem sequer tenho tido tempo para escrever nos sítios onde é costume. E ler... Bem, chamo ler a passar os olhos por uma ou duas páginas do livro de cabeceira antes de cabeçear de sono. Nunca a expressão So much to do, so little time fez tanto sentido para mim.

As coisas acontecem todas a uma velocidade que não consigo controlar. É como aqueles sonhos que eu tinha antes de fazer o exame de condução, em que ia enfiada num carro, montanha abaixo, uma estrada de terra batida e nenhum pedal de travão que me valesse. Alguém me trave o Mundo, eu quero sair, já eles diziam.

Novembro 15, 2009

Diário de uma jovem adulta com demasiadas coisas para fazer

Agora que o fim de semana está no fim, agora que alguns projectos estão melhor encaminhados, reservo uns minutos do meu dia para respirar fundo e tentar compreender melhor o que anda a acontecer. Não foi o fim de semana sossegado com que sonho já há alguns tempos mas deu para sentir brevemente o sabor do descanso.

A equipa a que pertenço é uma das finalistas deste concurso. Além de ser uma agradável surpresa (porque não me tinha inscrito com nenhuma expectativa), tornou-se num evento muito maior do que esperava e deixou-me a sonhar com a hipótese de arranjar um futuro melhor depois de Maio. Não seria abrindo um atelier de pastelaria, nem organizando eventos - isto é muito maior. A única desvantagem é ver-me ainda a braços com o trabalho e o mestrado e não estar a conseguir despachar tudo como gostava. Seja qual for o resultado deste concurso, a verdade é que consegui ter uma ideia bastante sucinta sobre as variáveis a ter em conta quando se pensa em montar um negócio de raíz, um mini-curso sobre iniciativa e marketing. Sweet!

Também fui conhecer um sítio novo, na melhor das companhias. Comeu-se por lá uma deliciosa tosta de salmão fumado com alcaparras, um sumo Royale de chorar por mais enquanto a chuva caía lá fora. É um sítio tão bonito, daqueles que desejava abrir um dia, um espaço onde a luz não incomoda e se pode ler tranquilamente o jornal, com um terraço a fazer lembrar outras capitais europeias. Depois, foi a vez de ver esta peça, que aconselho - mas nunca de estômago vazio! O teatro é lindíssimo, os actores muito divertidos, o texto cheio de metáforas actuais. E depois casa, que me esperava uma apresentação sobre as audiências dos novos media digitais. Novidades, só mesmo nos próximos dias. Façam figas por mim!

Novembro 12, 2009

Ando a fazer coisas de auditoria há dois dias.

Socorro.

Novembro 07, 2009

Passamos a primeira tarde dos meus trinta à procura da fotografia perfeita para o primeiro dia de Inverno (saltei deliberadamente o Outono porque este frio, este vento gelado chegou, ignorando a ordem natural das estações). Corremos atrás das abertas que fazem derramar incipientes raios de Sol sobre os campos desordenados, criando efeitos de luz que desejamos ver repetidos. O nevoeiro desce, sem medo, cobrindo os pontos mais altos, apagando serras inteiras do mapa mas às vinhas ainda conseguimos admirar as cores.

Novembro 06, 2009

A borboletear desde 1979

Faz hoje trinta anos que a Casa de Saúde me viu nascer. Fui uma filha muito desejada mas aposto que os meus pais tiveram second thoughts quando perceberam que era uma chorona. Ainda sou uma chorona, na verdade. Choro por tudo e por nada, enervo-me a sério, comovo-me demasiado. Portanto, comprometi muitas horas de sono aos meus pais e esfrangalhei-lhes os nervos de vez em quando.

Faz hoje trinta anos (e só eu sei como ainda me arrepia dizer isto assim, admitir que este é um estado irreversível, imaginar-me a responder a questionários e já não caber naquela categoria dos dezoito aos vinte e tal) que nasci e agora começam a contar-se as coisas em décadas, tantos anos a passarem que é impossível lembrar tudo o que é importante. Ainda tive uma esperança que este Verão continuasse colado ao Outono e pudesse usar manga curta pela primeira vez em trinta anos mas não, aqui em casa é definitivamente Outono e o nevoeiro chega até ao chão.

A minha madrinha sempre me disse que a vida começa aos trinta. Uma assistente minha dizia-me que é a década da redução de velocidade e da responsabilidade. E recebi agora uma bela SMS que dizia que trinta é uma bonita idade para se ser feliz. E tirando aquelas partidas que a saúde dos outros nos prega (e contra as quais eu aprendi que não se deve lutar), eu sou mesmo feliz: estou mais ocupada que nunca, a investir em mim e a tentar mudar a minha vida, ao lado da minha pessoa preferida, fazendo apenas aquilo que me apetece, quando me apetece. Não sei se é isto que os trinta trazem. Mas eu aceito a sua chegada, dividida entre recusar ser trintona e abraçar a nova década.

Novembro 05, 2009

Relembrando os anos 90 mesmo à porta dos 30 (e pizzas e um pouco de lamúria!)

Esta hora de almoço é o único tempo verdadeiramente livre que tive esta semana. Entre o trabalho (a cavalgar desenfreadamente para a fase terminal), as aulas (em que não tenho feito muitas amizades, é um facto) e uma formação em empreendedorismo (em que fiz bastantes amizades, é de estranhar) ia-me dando um chilique. Sobre esta coisa das amizades ou das relações, ainda hei-de um dia escrever um tratado. Não consegui ainda deslindar o que está atrás da química que aproxima ou afasta as pessoas. Já tentei ser muito simpática, desligada, tímida e extrovertida também mas nunca tenho a certeza do que é que funciona.

Tive direito a médico ao domicílio, jantar numa pizzaria gourmet e ele levou-me por umas horas de volta à altura em que os meus pais me abandonavam em Lisboa pelas primeiras vezes - fui ver os Skunk Anansie, pois. Estou a viver as últimas horas antes dos meus trinta anos, aquela década em que supostamente todos começamos a viver mesmo. Já me apeteceu mais, já me foi indiferente, já quis que chegasse a hora. Agora, estou a hesitar perante a ideia de ser trintona mas eles não param e não há que possa fazer para os impedir de chegar. Daqui a sete horas, dobro mais uma década. Medo.

Novembro 01, 2009

Dia de Santos

Há uns bons anos atrás, hoje seria dia da minha mãe nos dar umas bolsas do pão e de nós irmos, porta a porta, pedir os Santinhos. Lembro-me que estaria muito frio e nós sairíamos muito agasalhadas, ao contrário deste Verão que teima em ficar. Receberíamos principalmente romãs e nozes mas o que nós queríamos mesmo eram as moedas de cinquenta e cem escudos. Quem tivesse sorte, recebia uma de duzentos. Da família, as coisas já se mandavam para as notas de quinhentos escudos e, às vezes, um folar como na Páscoa.

A minha mãe gosta de misturar o moderno com o tradicional, por isso aos rebuçados e ovos de chocolate que compra juntas as broas de mel e de milho e os rebuçados de ovos que a minha avó faz. Em vez de cem, oferece duzentos e quatrocentos paus aos miúdos que nos têm batido à porta. Já não sei se eles trazem a bolsa do pão para levarem tudo para casa mas consigo ouvi-los, quase a guinchar de alegria quando se lhes abre a porta e eles dizem "É os Santinhos!". Carga religiosa à parte, é uma versão muito mais querida do que o Trick or treat. Aí chegam os próximos!

Outubro 28, 2009

Sinais do tempo

Um amigo dos meus pais decidiu oferecer-me (pelos trinta que aí vêm) um daqueles seguros do banco que me ajuda nas despesas, caso perca o emprego. A oferta chegou bastante antes do tempo, o que o levou a explicar-se.

Não sei se hei-de ficar contente porque em Maio virá a ser necessário, se hei-de vibrar com a originalidade do presente ou se hei-de ficar absurdamente deprimida com a ideia de receber uma espécie de subsídio de desemprego pelos anos.

Outubro 27, 2009

So you can feel the way I feel it too.



Eu é que sei o que me tinha acontecido se tivesse ouvido esta música há um ano atrás. Era coisa para me acabar de vez com a auto-estima e lembrar-me de como dói estar assim um bocado perdida. Depois, ia ouvir a música até rebentar com o sistema de som, ia engasgar-me com os soluços e ter muita pena de mim, ia repetir as histórias até conseguir perceber o que tinha feito de errado. Ia auto-flagelar-me por gostar sempre de anormais, sem perceber que era eu que estava errada all along. Pensaria que, por escolher mal, talvez não tivesse mesmo o direito de ser feliz.

Mas depois chegou Abril.

Outubro 26, 2009

Correr na Estrela #5

Estar três semanas sem calçar os ténis implica, obviamente, pagar um preço muito alto. E agora, com a mudança da hora, a coisa tornou-se literalmente mais preta. Parte de mim, diz-me que não é seguro correr num jardim tão fracamente iluminado. Mas a outra parte lembra-se de alguém que dizia 'bora chegar aos trinta na melhor forma dos últimos tempos e então faço um esforço adicional. Afinal, eles chegam para a semana.

Outubro 25, 2009

As minhas noites são mais belas do que os meus dias vii

Nem sempre me tem apetecido. Mas a verdade é que, depois do desenrolar das coisas, acabo sempre num (nem sempre compreensível) estado de euforia. Mesmo que me veja obrigada a fugir. Mesmo que o cansaço acumulado durante a semana me acabe por trair, mais cedo ou mais tarde.

Outubro 22, 2009

Há vida para além do trabalho (e da escola) (e da casa por limpar)

Portanto, agora há mais do que cinco minutos em que consigo respirar. E eu aproveito-os para fazer o quê? Escrever, pois claro.

Tem sido mais do que difícil conjugar o trabalho com a escola. O nível de exigência agora aumentou e mesmo assim a sorte é que, sabendo que o último dia deste emprego está marcado para Maio, a minha ansiedade desceu bastante. O meu empenho não diminuiu, nem perdi a ética profissional e certamente não me espanto como acontecia antes. A empresa continua a achar que vale a pena investir em mim e hoje, numa segunda sessão de coaching com um inglês algo excêntrico que faz vida em Gibraltar, quase dei por mim deitada num divã, fazendo terapia. Disse-me que há cinco coisas que aprendemos - implicitamente- durante a nossa infância: be perfect, be strong, hurry up!, try harder e please me! Mais ou menos todos seguimos estas instruções na nossa vida: não é suposto fraquejar em público, temos sempre pressa para fazer alguma coisa, queremos sempre agradar a alguém mas o meu problema, diagnosticou-me ele, é o da perfeição e o da mania que consigo controlar todas as variáveis que podem influenciar qualquer situação. E não posso, é evidente.

É suposto eu usar estas sessões de coaching (ou treino, se preferirem) para melhorar a minha vida e diminuir os meus níveis de ansiedade, para me conhecer melhor e fazer um mais eficiente uso das minhas potencialidades. Hoje, ele passou-me um exercício muito bom para os momentos antes de uma entrevista, por exemplo. A única falha nisto é que eu, habituada a viver de coração ao pé da boca, raramente terei tempo para pensar, racionalizar e aplicar isto. E, sinceramente, não me quereria controlar totalmente porque acho alguma piada à espontaneidade e a algumas reacções que são como erupções. Portanto, e como dizem os outros I wish I was a better version of myself e enfim, não será apenas assim, mas eu chego lá.

Outubro 18, 2009

Ponto Final.Parágrafo

Há coisas nas quais só mesmo nós acreditamos, mesmo sentindo que o resto do mundo é descrente e que, em último caso, vai estar contra nós. Há projectos que demoram aquilo que nos parece uma eternidade a sair do papel, travados consecutivamente por burocracias infidáveis, licenças inúteis, trâmites legais que só são pedidos a alguns. Todos nós conhecemos alguém que desistiu de um sonho porque foi incapaz de lidar com todos os entraves que em algum país, em alguma região lhe colocaram à sua iniciativa.

Ontem tive a felicidade de poder estar presente na inauguração de um projecto que sobreviveu aos sucessivos obstáculos, à lentidão das apreciações, à recomendações que pretendem estimular a iniciativa e aos mesmo tempo a tolhem. Chama-se Livraria Cafetaria Ponto Final.Parágrafo e fica no centro de Portalegre. Para falar sobre isto, sou suspeita por várias razões: primeiro, porque acredito que não é proibido tentar realizar sonhos; segundo, porque sinto falta destes espaços na minha cidade berço; e finalmente, porque conheço o dono desde que nasceu.

Servem-se no espaço refeições ligeiras, bebe-se cerveja e chá, há sofás que convidam a ler um jornal tranquilamente, vendem-se livros para miúdos e graúdos. Se passarem por Portalegre ou se viverem por lá, procurem-nos e digam que vão daqui. Sorte e saúde para gozar o seu sonho, é o que lhe desejamos todos.

Outubro 16, 2009

Zum Geburtstag viel Glück!

Ela hoje faz vinte e oito anos. Dei-lhe os parabéns em primeiríssima mão, como é hábito e dei-lhe beijinhos também. Quando penso sobre os aniversários dela, é estranho para mim pensar que ela continua a crescer, sem parar mas sem também perder a graça dos anos mais jovens. Ela vai ter sempre uns cinco anos, as bochechas mais gordas de que me lembro e vai brincar tardes inteiras na varanda da minha avó com uma velha esfregona. Não vamos jantar juntas, desta vez. Mas para o ano exijo-lhe que me leve a um sítio da moda. Gostar dos filhos deve ser parecido com isto.