maio 03, 2012

Os astros têm sempre razão! *

Hoje recebi o telefone que tanto esperava e (re)começo  em breve a trabalhar! O meu ritual matinal foi quase sempre o mesmo em todas as manhãs desde que cá cheguei: ligar o computador, ver primeiro as ofertas de emprego dos sites que subscrevi e depois vasculhar todas as outras. Desanimei muitos dias porque há imensas ofertas de emprego, sim, mas para quem tem formação ou experiência na área financeira, o que claramente não é o meu caso. Desanimei muitos dias porque recebi muitas respostas em que o argumento era sempre o mesmo: o meu perfil não era adequado e algumas vezes duvidei de mim. O meu próximo passo era a inscrição no centro de emprego e provavelmente em agências de trabalho temporário mas, felizmente, posso evitar ambas as inscrições.

Eu sei que o meu currículo não é minimamente impressionante e que a minha formação provavelmente não se destaca no meio de outros candidatos. Sei que tenho a meu favor a queda para as línguas e esse era (é) o meu mais importante trunfo neste mercado. O problema aqui é que o país é tão pequeno e faz fronteira com países de onde vêm também candidatos muito fortes e isso limita (com toda a certeza) as minhas hipóteses. Só que eu acho que nesta coisa de arranjar um emprego há um factor decisivo, especialmente porque o vi acontecer várias vezes na minha vida: também é preciso estar no sítio certo à hora certa. E mesmo a juntar a este factor completamente aleatório (ou não, dirão os que seguem escrupulosamente os astros), também é muito importante causar uma boa impressão. Ora, o primeiro factor ultrapassa-se à custa de muitas tentativas, o segundo treina-se e é especialmente fácil se não inventarmos muito. Por isso a minha estratégia é a da honestidade total e a de tentar vender-me realçando qualidades verdadeiras em vez de competências imaginárias. Misturamos um pouco de nervosismo (o que, depois de parir um filho, passa a ser uma brincadeira de adultos), humildade e empatia e há boas hipóteses de sair qualquer coisa dali. Desta vez saiu e eu reconheço que foi muito mais pela primeira impressão do que pelas minhas qualificações. Agora só há uma coisa a fazer: arregaçar as mangas, vestir a camisola e trabalhar muito. Tudo o resto, a seu tempo, virá. Façam figas!

* ou eu preciso mesmo de me libertar deste meu cepticismo e confiar nas posições dos planetas e assim