março 16, 2011

Homem não entra ;)

O corpo humano é, realmente, uma máquina admirável. Desde a gravidez que me entusiasmo mais e mais com as nossas capacidades (neste caso, as capacidades das mulheres) e com a maneira como a Natureza se encarrega de suprir todas as necessidades do nosso bebé. Quando regressei ao trabalho, um dos meus maiores medos era o de acabar de vez com a amamentação. Não tendo (desde o início) sido um processo propriamente fácil para mim, também não gostava de perder esta ligação tão especial com o meu bebé, especialmente porque foi a muito custo e com muita insistência que cheguei aos cinco meses dele (quase seis, nem acredito...) ainda a amamentá-lo. O mais natural seria que a reserva de leite fosse diminuindo cada vez mais mas não foi isso que aconteceu: em vez disso, o meu corpo habituou-se a um novo horário e a uma nova rotina e sabe que a amamentação só começa agora perto das seis da tarde. Nos primeiros dias, sofri um pouco por antecipação mas tentei perceber o que estava a acontecer. Com a passagem do tempo, percebi que o trabalho não me tinha roubado a satisfação de poder amamentar o meu filho e isto foi especialmente importante quando percebi que ia ser uma complicação habituar o Vicente ao biberão. Agora sei que, caso venha a ter outro filho, todo este processo será mais tranquilo e provocará em mim muito menos ansiedade - ler e pesquisar muito sobre o assunto também ajudaram a aguentar-me firme nesta decisão.

Esta questão da amamentação é ainda polémica porque depende muito das circunstâncias culturais que envolvem a mulher, da experiência dos profissionais que a acompanham durante a gravidez e o parto e, talvez acima de tudo, das experiências das pessoas que lhe são mais próximas. Eu ainda sou da geração que se criava a biberão sem o mínimo sentimento de culpa mas o meu filho já nasceu numa época em que existe muita pressão para a mulher amamentar, não importam as dificuldades ou a falta de apoio que possa sentir durante a difícil fase inicial. Eu própria sinto algum preconceito sobre mulheres que nunca quiseram amamentar por vontade própria, embora reconheça que possam existir razões válidas para essa escolha. Mas continua a ser difícil de compreender: ontem tivemos que dar um biberão ao Vicente e a estupidez foi que eu senti uma espécie de ciúmes daquela tetina, como se ela alguma vez me pudesse substituir. Mas reconheço também que sem o gigante apoio que tive desde o início da amamentação, sem a calma e cabeça fria do pai do Vicente eu teria desanimado à primeira dificuldade e desistido logo. E tenho a certeza que essa decisão me custaria e me ficaria marcada como o meu primeiro falhanço de mãe para sempre. Por isso, tento lembrar-me sempre que há mulheres que não têm a mesma sorte do que eu.

Hoje em dia, anseio pela hora de saída e pelo momento em que chego a casa e vejo a cabecinha do Vicente rodar para a porta e a ficar impaciente porque sabe que eu acabei de chegar. Como todos os bebés, ele sente o meu cheiro e consegue distingui-lo do meio de tantos outros e sabe que chegou a altura de nos sentarmos no sofá, às vezes quase à pressa, para sermos de novo apenas e só mãe e filho.

4 comentários:

Helena Barreta disse...

Eu, ao contrário da minha mãe que me deu de mamar até muito tarde e irmãs, tive pouco leite. Para grande desgosto meu, só amamentei o meu filho pouco mais do que dois meses. Estava em casa e fazia uma alimentação saudável, por isso penso que o ter tido pouco leite se deveu ao facto de ter sido nesta altura que o meu pai adoeceu.

Continuação de bons momentos diários com o seu bebé.

Beijinhos

aryabodhisattva disse...

Eu desisto mais ou menos ao primeiro sinal de dificuldades. Não sei como se passarão estas situações comigo um dia...!
A minha sobrinha rejeitou o primeiro tipo de leite de biberão que provou. A minha irmã ia recomeçar a trabalhar (pânico!) mas felizmente já se alimentava de mais coisas para além do leite materno.
Quando chegou à altura de passar para outro tipo de leite em pó (as latas têm etapas, certo? eu não as compro, só preparo.), já começou a beber com gosto.
A minha irmã preocupa-se bastante com o teor de açúcares, e tenta preparar tudo de modo caseiro. Eu sou capaz de ter uma filosofia mais facilitista e... apoiar-me-ia em papas e boiões, talvez...

M. disse...

Eu também senti esse pânico porque, a um dia de voltar ao trabalho, o Vicente rejeitou o biberão mas também já comia. O Vicente ainda nunca comeu nenhum boião, só sopas e fruta fresca mas a verdade é que tenho vontade de o iniciar nos boiões e nos iogurtes. Mas é difícil, não queremos iniciá-lo também no açúcar :x Não somos fanáticos da alimentação mas temos as nossas ideias sobre o que é bom para ele :)

Catarina disse...

Quando a Isabel nasceu eu depressa concluí que a amamentação iria ser um processo muito mais complicado do que a gravidez ou o parto. Exige imenso de nós, quer física quer psicologicamente. Amamentei-a quase um ano e no final senti-me feliz pelo "dever cumprido" e por ter conseguido faze-lo.
Nesta gravidez, por isso mesmo, pensava nisso com mais confiança e no entanto o desfecho não foi tão fácil como eu gostaria.
Tudo aquilo que eu vivi entre o mês antes e o mês depois do Zé nascer condicionou muito a amamentação, porque de facto, está tudo na nossa cabeça.
A pediatra deles, que incentiva a 100% a amamentação, incentivou-me a continuar a amamentar mesmo quando estava medicada a cortisona, e perante as minhas lamúrias respondeu-me muito séria:
- A natureza só dá leite a quem quer amamentar.
E é verdade!
Agora que felizmente as coisas comigo já melhoraram, o ZP continua um bebé chorão e exigente que ainda assim, por vezes, deita por terra a minha confiança...Por isso, é algo para se ir levando, um dia após o outro, com o mínimo de stress possível.
Cada filho é um filho, em tudo. Não há como prever o que o futuro nos reserva.Há que manter a cabeça fria e o coração ao alto, o melhor de nós terá sempre que ser suficiente.

(e agora vou também postar este comentário no meu blog...)