dezembro 12, 2012

Fui ver: era a neve e consequentemente malta a dar ao dente


Entretanto tentamos habituar-nos a tanto frio e a alguma neve. É difícil para quem vem do Sul da Europa e adora Sol viver neste frio. Pensei que seria mais difícil de suportar mas a verdade é que ainda não tivemos os -10º que já se apregoaram por aqui, por isso continuo à espera de tanta rijeza, como se diz na nossa terra.

Eu estou exactamente como a Andorinha: há uma diferença gigante entre neve em países distantes, férias em destinos com neve e viver realmente com ela - não lhe podemos escapar. Não estamos num sítio a pensar Ah neve, que bom saber que daqui a quatro dias volto a casa. Não é que aqui se tenham muitas opções, claro está. Todos os dias de manhã fico eu gelada a tentar tirar o gelo dos vidros do carro. Ainda hoje estavam sete graus negativos (mas um céu limpo que quase comovia) e aqui a moça estava prestes a congelar a raspar tudo à mão para conseguir chegar ao trabalho. Este tempo implica toda uma nova logística: é preciso acordar mais cedo para chegar ao carro sem trambolhar no gelo e conseguir raspá-lo todo em tempo recorde. Não gosto nada disto, está bem de ver.

É claro que penso muitas vezes que a nossa vida, tal como a das outras pessoas que nunca conheceram outra meteorologia, deve continuar e não devemos abdicar das nossas actividades. Só que ainda me falta perceber como é que esta malta consegue andar o dia inteirinho na rua, com um vento a cortar todas as partes do corpo que apanha a jeito, com as mãos impedidas de fazer qualquer movimento, com a respiração que até se torna difícil num tempo assim. Saímos para passear no fim de semana passado e tivemos que alternar as caminhadas pela cidade com dois ou três cafés para nos conseguirmos recompor da invernia.

E não bastava já ser noite cerrada quando o despertador toca, agora ainda lhe acrescentamos os graus negativos àquela hora da manhã. É que, por muito optimista que uma pessoa seja, sair debaixo dos cobertores para isto é um obstáculo gigante a começar o dia com vigor e um sorriso. Não dá, simplesmente, só me consigo encolher e maldizer a minha vida. Mas não é bonito, perguntam vocês? Até é mas só enquanto os carros não começam a espalhar tudo por todo o lado, enquanto a neve não derrete e se transforma em lama, enquanto pé humano não pisa num imaculado manto branco. E isso, está claro também, só se vê no campo e em sítios onde pé humano não pisa tão cedo. Portanto o conceito em si é muito lindo, a prática é uma porcaria pegada. Mas tenho que admitir que há alguma beleza escondida nos flocos que caem em silêncio, que cobrem vales e montanhas, que trazem consigo uma espécie de sossego. Como outras coisas na vida, se calhar é preciso aprender a gostar da neve, ano após ano e este é o ano zero da nossa relação.

2 comentários:

Polliejean disse...

Fala quem teve 4 invernos disso: o primeiro custa mais :)
Na verdade, eu tenho mais frio em Portugal no inverno do que tive durante 4 anos na Alemanha. Lá, como deve ser aí, as casas são aquecidas e sempre que entras em algum sítio tens de tirar o casaco e quase a roupa toda. Cá, nem pensar em tirar o casaco nem em casa :) Eu até já trabalhei de luvas, mas acabei por desistir porque não dá muito jeito...
É claro que cá há mais sol, com isso não dá para competir. E eu odiava a neve e o gelo e estar sempre com medo de escorregar. Mas uma pessoa habitua-se. A sério que sim.
Quanto à falta de luz... olha é tomar muito ginseng :)

Dalma disse...

Marisa, vais-te habituar à neve e quando um dia regressares ao Sol da nossa terra de forma definitiva (regressarás?) vais ter saudades desse silêncio de que falas. Eu é precisamente do inverno canadiano que tenho mais saudades, mas claro, não dessa "pasta negra" em que se transforma a neve. Beijinhos e " cheer up "