novembro 11, 2014

Ser banana: uma definição

Eu sou uma pessoa-banana, é a conclusão a que cheguei hoje depois de levar na cabeça de marido e colegas de trabalho. Pelo menos profissionalmente falando, tenho sido uma banana, especialmente nestes últimos meses/anos, em que resolvi (inconscientemente, diga-se a meu favor) não reclamar os direitos que são meus.

Eu sou daquelas pessoas que vai a um restaurante, encontra um cabelo no prato mas não reclama porque não quer chatear o empregado e muito menos o cozinheiro e afinal é só por o cabelo de lado. Sou daquelas pessoas que se irrita no trânsito com a cambada de chicos espertos que se veêm por aí mas não saco da buzinadela quando é preciso e fico a remoê-la o resto da tarde. Da mesma maneira, não sou capaz de reclamar se não me aplicaram uma promoção a que tinha direito numa compra ou falta-me muitas vezes a resposta necessária em situações em que me estão a pisar. Eu sou assim e muitas vezes por uma razão um bocado parva: não dou valor suficiente às coisas materiais, na maioria dos casos. Não me apetece chatear-me por pagar dez euros a mais, nem me vou aborrecer se a comida não era aquilo que esperava. Não consigo ser como aquela minha colega que assim que chega ao hotel começa a reclamar para que a pessoa que a atende lhe faça logo um upgrade ao quarto, não dá. Atenção que eu entendo que isto é estúpido e promove a continuação de serviços/produtos/relações medíocres. Mas eu consigo lá parar com isto?

Mas agora, e pelo menos numa situação particular, decidi que chega disto. Não é o resultado em si que me interessa mais, é a atitude para comigo. É deixar que os outros pensem que eu papo grupos e que podem fazer gato-sapato da minha pessoa só porque sou demasiado preguiçosa ou ingénua para lutar por aquilo a que tenho direito. Não quero comprar nenhuma guerra e talvez esse seja também o meu problema: para não incomodar ou não desafiar os poderes instituídos, tenho optado por manter a bola baixa e dizer que sim a tudo. Mas não me apetece mais, pelo menos não agora. Não estou para aceitar tudo o que me apresentam se sequer pensar no que estou a fazer. Não vou desistir de reclamar os meus direitos com receio de represálias (especialmente quando não existe razão para as mesmas existirem). Estou um bocado farta e agora, com a barriga já deste tamanho, estou ainda pior. Sinto-me enfartada com as pessoas que pensam que os outros, os que estão supostamente abaixo, têm a obrigação de comer e calar porque elas dizem, só por isso. Sem justificações, só porque sim, acompanhando com um encolher de ombros. Acho que não mereço, honestamente, e acima de tudo não o esperava. Mas já devia saber, surpresas temos todos os dias, especialmente de onde menos esperamos. Quero deixar de ser banana e há que começar por algum lado.

5 comentários:

Dalma disse...

Querida, como te compreendo! Mas isto está no nosso feitio e só contrariando-nos é que, quando realmente se justifica, não devemos de o deixar fazer!
Como vai a pequenina? Bjis

Ana disse...

Talvez seja algo português, talvez algo de personalidade, mas eu também sou assim. Odeio o confronto quando me sinto "roubada". A minha maior dificuldade é até com pessoas conhecidas (não as quero magoar), com estranhos é-me mais fácil o confronto.

Carmem Grinheiro disse...

Boa noite, M.
Nem sei qual a gota que fez o copo transbordar, mas apoio-lhe o enfartamento. Chega que pisem, que abusem, basta! Tabém eu ando meio assim: no basta! arre...
Força.
Mas por favor, não se julgue banana, a gente tenta é levar a coisa nas calmas, a ver se vai... mas se não há jeito de ir. Basta.
bj amg aqui de Portugal

Anónimo disse...

Marisa, em não acredito que não existam "não-bananas"...

Sabes, é o teu grau de educação que não te permite reagir a tudo como gostarias. Tens um "filtro" e ainda bem que o tens!

Beijinhos dos 3 para os 4,
F.J.H.

M. disse...

Não sei se realmente é o meu grau de educação que me trava, diria mesmo que não.

Talvez me ponha sempre na situação de achar que mereço menos do que realmente me é devido, não sei. E que reclamar isso é quase deselegante ou exigente. Seja o que for, a batalha para contrariar é longa e fará mossa. Estou cá para ver :)