agosto 08, 2016

Férias, parte II - sem filhos

Um disclaimer prévio: eu (nós) adoro (adoramos) os nossos filhos. Mas isso não significa que não necessitemos de tempo longe deles.

Para nós, é muito importante ter também dias de férias sem filhos. A maneira como escolhemos viver (longe do nosso país, da nossa família e amigos) fazem com que passemos muito tempo a quatro durante todo o ano e isso significa concentrarmo-nos nas necessidades do mais pequenos e relegarmos as necessidades dos maiores para segundo plano. Sei que fomos nós que escolhemos viver assim e aceito, pacificamente, as consequências dessa escolha. Mas reservamo-nos o direito de ter tempo a dois e até mesmo tempo sozinhos para que possamos descansar da erosão do dia a dia.

Como este ano tirámos três semanas de férias, passámos as primeiras duas com os miúdos e deixámos a última só para nós. O destino não podia ser outro - Lisboa, por três ou quatro dias, só para fingir que vivemos outra vez ali, para sentirmos o cheiro a mar. Estar sem os miúdos foi sinónimo de acordar sem despertadores e sem pressas, de comer fora sem o stress de distrair um e alimentar o outro sem que a nossa comida fique gelada, foi decidir ir à praia à última da hora sem precisar de carregar mil coisas, comer caracóis tranquilamente ao final do dia, namorar livros devagar, deixar que os dias acontecessem. Estarmos sozinhos foi ainda, imagine-se, sinónimo de não fazer mesmo nada, um dos maiores prazeres que tenho desde que fui mãe.

É claro que isto só foi possível com o apoio da nossa família, que aceitou ficar com os miúdos sem pestanejar. E que, aliás, ainda está com eles enquanto escrevo. É que este ano decidimos ainda deixá-los em Portugal por umas semanas para que possam ter realmente férias (em vez de se limitarem à rotina de todos os dias aqui) e para que nós possamos respirar fundo uns dias. Tomar a decisão foi fácil para mim, o que não foi fácil foi o dia de os deixar. O complexo de culpa era tão gigante que só me apetecia voltar para trás a correr e dizer que não, que não podia ser, que eles afinal tinham que voltar connosco. Contive-me, ainda de nó na garganta, sabendo que à hora em que iniciávamos a viagem de regresso, eles estariam ainda a dormir calmamente em casa dos meus pais. E consolo-me com uma chamada de vídeo todos os dias, que invariavelmente tem um puto aos saltos e uma bebé que se ressente de não poder vir ao nosso colo. Não me arrependo de passar vinte dias sem eles - afinal, passamos os outros 345 juntos. Mas também não posso dizer que não lhe sinto a falta, que não me lembro o que diria o mais velho numa ou outra ocasião, de sorrir ao imaginar a pequenina frente a um poster gigante dum gato.

Para bem da nossa sanidade mental, para reforçar os laços entres eles e o resto da família e para permitir que avós e tios (principalmente) possam desfrutar da sua companhia e acompanhar uma pontinha do seu crescimento, acho que fizemos bem. Estranhamos o silêncio na nossa casa, é estranho não se fazerem correrias pelo corredor ou birras antes do banho. Mas todos beneficiamos desta distância e o reencontro será ainda mais doce.

3 comentários:

м♥ disse...

Excelente ideia. Quero ser assim quando for mãe. Pais são pessoas também, são casal antes. É preciso ter tempo para nós enquanto individuos que não são só pais e enquanto casal também, para que depois toda a dinâmica familiar corra pelo melhor.

M. disse...

Nem diria que é uma ideia, antes uma verdadeira necessidade :)

Quem mora perto da família ou amigos, pode ter alguns momentos de descanso ocasionais, parece-me que a vida a dois não sofre tanto. Mas assim, longe de todos, a coisa fica mais difícil e o tempo sem é eles é terapêutico :)

Dalma disse...

Querida Marisa, já tinha estranhado a tua ausência mas pensei tb que eram as férias que te não tinham dado tempo. Fizeram muito bem tirar uma semana a dois e mais os 20 dias de que falas. Nós sempre o fizemos mas ao contrário do que dizes nunca senti culpas, pois é bom para pais e filhos. Depois os avós tb gostam, sobretudo porque estão muito tempo sem os ver. Beijinhos
P.s. Tenho pena que este ano não possamos almoçar todas como o ano passado... talvez no próximo. Bjis e boas "férias" a dois.
D.