novembro 16, 2016

E agora, sucumbir àquelas teorias de auto-ajuda

Vamos lá a ver: eu sempre desconfiei de todos os livros de auto-ajuda e até mesmo desta nova moda de sessões de coaching. Principalmente porque acho que o que resulta para mim será muito diferente do que resulta para as outras pessoas, mas também porque sempre achei que devia ser eu a ajudar-me a mim mesma. Estão a ver todos aqueles conselhos para ajudar a dormir os bebés? São óptimos e preciosos e incríveis e nunca, mas nunca funcionaram com os meus dois filhos. Com o terceiro, já nem penso neles, acho que estou finalmente vacinada.

Mas a verdade é que na última sessão de formação (aquela de que falei no post passado) recebemos um livrinho muito interessante, com alguns princípios para sermos profissionais melhores. Eu, depois de os ler umas vezes, acho que se trata mais de sermos pessoas melhores e isso sim, interessa-me muito. É claro que neste pequeno livro há muitos princípios com os quais não concordo ou que me parecem desajustados ou desnecessários mas outros há que me parecem simples o suficiente e interessantes o suficiente para os pôr em prática dentro e fora do escritório.

Give honest, sincere appreciation.

Quantas vezes é que nos preocupamos em dizer aos outros o quanto os apreciamos? Falo só por mim, claro: não vezes suficientes. Para mim, este princípio aplica-se mais ao trabalho mas também já o uso em casa. Ainda hoje o usei com dois colegas que se mudaram recentemente para junto da minha equipa e que funcionam tão bem entre si que me apeteceu elogiá-los. E foi isso que fiz. A reacção deles? Um misto de surpresa com uma satisfação tímida, pareceu-me. Isto é especialmente poderoso se elogiarmos qualquer coisa que nem tem a ver conosco mas que apreciamos na mesma. Em casa, tento fazer isso com os miúdos e, ultimamente, com o marido. Têm sido alguns meses um pouco mais nervosos e acho que estamos a precisar de muita apreciação uns pelos outros. E acho que ficamos todos contentes quando este reconhecimento é verbalizado, mesmo que achemos que não é nada de especial. Eu cá fico toda contente quando isto se passa comigo e quando chego a casa só me apetece partilhar o elogio com a minha família, por isso espero que o efeito seja o mesmo com os outros.

Become genuinely interested in other people.

Esta, confesso, é bastante mais difícil. Primeiro, porque todos sabemos que há pessoas mais ou menos interessantes, com as quais comunicamos melhor ou pior. Depois, porque parece que hoje ninguém tem tempo para se interessar por nada que não seja a própria vida. O meu compromisso aqui é um pouco diferente: sinto que tenho de fazer isto mais pela minha família, mas aquela que está longe. Dois mil quilómetros de distância significam que nos concentramos mais no que se passa aqui e agora e tendemos a esquecer o que está longe da vista. As coisas continuam perto do coração, isso nunca mudará, mas as questões mais práticas da vida fazem-me concentrar muito nas nossas vitórias ou nos nossos problemas e esquecer-me que as mesmas coisas se passam longe daqui. De resto, não pretendo interessar-me por todas as pessoas que conheço, até porque sou, no geral, bastante anti-social. Mas isso não quer dizer que não me possa esforçar aqui e ali.

Analyze your own mistakes and criticize yourself (muito ligada a Do the very best you can).

Eu tendo a pensar demais. Tanto é assim que normalmente passo umas horas acordada, a meio da noite, depois da miúda acordar também, sem conseguir voltar a adormecer. Ocupam-me o pensamento as coisas que acontecem no trabalho, quaisquer dificuldades que esteja a sentir no momento em que estamos, contas para pagar, consultas para marcar, um terceiro filho. Mas nestas horas mortas é mesmo o trabalho que se impõe a todos os outros causadores de insónia. Como já escrevi aqui várias vezes, profissionalmente eu quero sempre ser a melhor. Não a melhor que os outros mas a melhor versão de mim mesma que conseguir. Durante este ano que passou, encontrei maneiras de me tornar mais eficiente, tornei-me super organizada no trabalho (mesmo que em casa nem sempre se reflicta esta ordem e disciplina), sei onde está tudo, sei prestar contas de tudo, soube persistir nas coisas que quero que aconteçam. Não fiz tudo isto sem erros e continuo sem estar livre de errar. Mas, ao acreditar sempre que estou a fazer a coisa certa, tenho conseguido bons resultados e tenho recolhido reconhecimento. Preocupa-me mais se o que faço está de acordo com o que acredito do que com o que os outros pensam. Desde que existam factos e evidências, tudo o resto se torna mais fácil.

No meio deste livro, há também outros princípios a que chamo mais de manipulação (como fazer com que os outros aceitem as nossas ideias, principalmente) e menos de ajuda. E é claro que não vivo a pensar naqueles que me falam ao coração. Mas a verdade é que, sempre que os aplico, lembro-me de onde vêm, sinto a satisfação de ver os seus resultados e reconheço o seu valor. Se calhar é a isto que se chama viver mais conscientemente, não sei. A única coisa que eu procuro é viver melhor.

3 comentários:

Dalma disse...

Marisa, este teu post é muito didático, oxalá muitos o leia-me.
Bjis

Dalma disse...

".... o leiam" foi o que quis dizer é não o que o iPad escreveu por sua alta recreação...

Blanche Cérise disse...

O teu blog é um blogues de que mais gosto :) por causa de tudo o que escreves e que me toca tanto!
Muitos parabéns, Marisa, por todas as tuas realizações e pelo bebé a caminho! Preciso muito de pôr em prática alguns destes conselhos para me voltar a sentir mais feliz!
Beijinhos e tudo de bom!