novembro 11, 2016

Fiz 37 anos, o Trump ganhou e o Cohen morreu

Este é o breve resumo da minha vida nestes últimos tempos: fiz trinta e sete anos e senti-me nova e velha ao mesmo tempo; fui a Berlim e a Lisboa matar saudades diferentes e fui gentilmente lembrada que já não tenho fòlego para grandes caminhadas nem para apanhar o avião na porta de embarque mais longe do Mundo; o Trump, enfim, nem preciso de dizer mais nada; morreu mais o Leonard Cohen num ano que toda a gente pensa que não pode piorar mas que piora sempre.

Pelo meio, estive numa formação onde ganhei o Outstading Performance Award e não sei se os meus colegas votaram em mim porque lhes dá pena ver uma miúda quase a rebolar ou se estive mesmo bem durante aqueles dois dias. Seja porque razão for, ganhei uma caneta e planeio assinar muitas coisas importantes com ela. Fizemos muitos exercícios práticos e acho que nenhum me custou tanto como reconhecer o valor dos outros frente a frente. Não porque não ache que os outros têm valor: têm e muito ou muitos e eu sinto-me agradecida por isso. Mas sim porque é muito fácil criticar ou condenar mas é extremamente difícil sentarmo-nos, cara a cara, e dizer o que os outros fazem bem. E decidi que isto deve aplicar-se a toda a gente na minha vida, não só os colegas de trabalho. Por isso, obrigada meus leitores, por se manterem aí (caso ainda aí estejam), mesmo quando o meu blog mudou radicalmente de voz e de conteúdos, mesmo quando às vezes me falta o assunto e me recuso a tratar banalidades, o que resulta em algumas ausências entre posts. Obrigada mesmo aos mais silenciosos, que nunca comentam mas que eu sei que estão aí (ou pensam que não vos vejo?).

Profissionalmente, as coisas correm-me finalmente bem e, pela primeira vez em muito tempo, sinto-me bem na pele que me foi destinada, com ambições e muita vontade de trabalhar. Este conforto não se paga e tenho a certeza que apenas se consegue quando se têm as melhores pessoas à volta, que nos estimulam e motivam a querer ser melhor. Mesmo por isto, custa-me a ideia de que falta menos de um mês para entrar em licença de maternidade. É claro que não me parece mal a ideia de deixar de trabalhar e reduzir drasticamente a velocidade dos meus dias, mentiria se dissesse o contrário. Mas estou naquele momento em que há muitas coisas boas a prometerem acontecer, começo finalmente a ver resultados do meu trabalho e, acima de tudo, da minha persistência e nas coisas em que acredito e custa-me deixar as coisas exactamente aqui, sem poder controlar o desenrolar das coisas e sem ver verdadeiramente os resultados dos meus esforços. Não posso fazer nada, senão aceitar e esperar que os meus superiores saibam o que fazer. Agarro-me à confiança que sinto neles, respiro fundo e tento lembrar-me que ainda há muita roupa tamanho 50 para lavar, há tardes com sestas que precisam ser dormidas, há arrumações a fazer antes da nossa vida dar a terceira cambalhota.

Depois de trinta e sete anos, continuo sem perceber muitas pessoas (os americanos, por exemplo), começo a perceber outras (a minha pequena filha, por exemplo, que se tem revelado numa pequena tirana em potência) mas conheço-me melhor. Não me importo de falar em público, empenho-me mil por cento em tudo o que faço, só fico contente quando sou a melhor. Tento importar-me pouco com os defeitos dos outros (mas é difícil quando me prejudicam no caminho) e levar as coisas menos a sério - cada vez mais me assustam os radicalismos, seja em que lado da balança for. E acho que vou sendo feliz, o que quer que isso signifique e dure isso o que dure. Agora, só três anos até entrar na quarentena e é rezar que até lá o Trump se transforme numa pessoa de bom coração e que não morram muitos mais heróis.

4 comentários:

Dalma disse...

Querida, os meus parabéns pelo prémio que ganhaste. Dou-te os parabéns mas não fico admirada pois sei que realmente te esforças por ser sempre a melhor e isso é mt importante, e por isso os frutos aparecem. Bjis

м♥ disse...

Parabéns pelo aniversário e pelo prémio!
Realmente fazermos algo que gostamos dá um outro prazer à vida profissional. Mas agora é tempo de descansar. Não fazia ideia que já estava tão próxima a licença de maternidade, daqui a nada nasce o bebé e eu nem me apercebia que o tempo passou :)

Natascha Estevao disse...

Orgulho em ti !! Na Profissional que sempre foste, na Mãe que te tornaste e na Mulher que és e que humildemente reconheces que continuas a crescer sempre e com desafios que adoras ultrapassar! Tas laaaa �� Beijinhoooos

M. disse...

Obrigada professora Dalma! É muito bom sentir que, mesmo apesar de passados tantos anos, ainda credita assim em mim :)

Obrigada M! Aqui a licença começa dois meses antes do parto, por isso engana um pouco :) somos obrigados a tirá-la, embora eu preferisse continuar a trabalhar e guardar estes dois meses para depois, quando é realmente importante ;)

Obrigada Natas! Tu é que tás lá, com o teu bom humor, o teu optimismo e o teu carisma. Como é que os teus putos não hão-de ser os maiores com uma mãe assim? Muitos beijinhos *