janeiro 11, 2011

São Miguel, Açores, dia 2

As fotografias são, como sempre, dele.

 Decidimos que o segundo dia não devia ser tão extenso, pensando em nós mas também no Vicente que se podia ressentir de tanto passeio. Concentrámos as atenções na zona da Ribeira Grande (percurso aqui) e aproveitámos para visitar a Caldeira Velha e, num rasgo de sorte, ver também a Lagoa do Fogo. O tempo que se fazia sentir não nos deixou visitar a Ribeira Grande como gostaríamos e durante o almoço choveu mesmo torrencialmente, de forma que nos afligimos sobre como levar o Vicente do restaurante até ao carro. Depois, a chuva abrandou e as nuvens foram dando tréguas e nós arriscámos ir ao miradouro espreitar a Lagoa do Fogo. Chegámos e toda a área estava coberta por um nevoeiro cerrado mas, como havia muito vento, depressa a vista ficou desafogada e foi com uma satisfação quase infantil que começámos a ver os contornos da lagoa.

Nesta altura da viagem, já sofríamos um pouco do síndrome que nos faz sonhar com todos os lugares bonitos que visitamos - então e se viéssemos viver para aqui? O Vicente cresceria com muita calma, nós viveríamos rodeados de vaquinhas e do verde das pastagens e poderíamos viver tranquilos. Mas depois facilmente regressamos à realidade e enfim, é ver como vivem as populações que passámos a conhecer (a agricultura e a pesca ainda são rainhas) para duvidarmos do sucesso da nossa missão. Aprendemos algumas coisas sobre os habitantes daquela zona da ilha (Nordeste): quase todos usam botas de borracha e quase todos acham que estacionar um autocarro/carrinha/carroça em plena faixa de rodagem numa estrada com muito trânsito é a coisa mais normal do mundo. Mas se calhar isso até é um sinal da forma como se vive para aqueles lados: tudo é familiar, todos se conhecem, ninguém sabe sequer o que significa a palavra stress.

Por esta altura, já estávamos mais do que deslumbrados com a vegetação luxuriante, virgem e às vezes quase impenetrável daquela zona. Perguntei-me muitas vezes como é possível ainda manter tão grande extensão intocada nos dias em que vivemos, com tanta ganância e especulação imobiliária: havia ali tanto terreno para empreendimentos turísticos a contaminarem a paisagem  que é quase um milagre ver tanta terra no seu estado natural. Mas não diríamos que não a uma casinha naquelas aldeias típicas e tranquilas que se debruçam sobre as escarpas rochosas e que descansam debaixo de céus estrelados à moda antiga.

(nas fotos, podem ver a vista sobre a Lagoa do Fogo e uma das milhentas quedas de água que há pela ilha, desta vez perto da Caldeira Velha)

2 comentários:

Helena Barreta disse...

Fico satisfeita por saber que os empreendimentos turísticos não dominam tudo e que ainda há muito de natural e sem mão humana.

Lindas, as fotos.

Um beijinho

Eu, a Vanessa Marques disse...

Lindas fotos
vcs tão fazendo uma viagem bem bacana =]

http://qrolecionar.blogspot.com