julho 04, 2018

Cucu!

Ainda aqui estou. Parece mentira, passaram três meses desde a minha última publicação e pensei neste blog muitas vezes. Nunca estive tanto tempo sem escrever mas também nunca consegui decidir-me a acabar com este espaço que existe já há 14 (!!!) anos.

São três as razões que me afastaram do blogue. A primeira, e a mais óbvia também, são os meus filhos. Nós bem tentamos acreditar nessa de que quem trata de dois, também trata de três mas a verdade é que cada vez que adicionamos mais um filho à conta adicionamos também o tempo que passamos a tratar dele. São três banhos e três jantares, são horas de deitar diferentes entre eles, são uns menos birrentos e outros mais birrentos que não querem dormir/lavar os dentes/jantar no geral/vestir o pijama/mudar a fralda. Depois de deitados, ainda há os que cantam para acordar os que já dormem, os que batem com os pés na cama dos outros também para os acordar, o que não encontram posição, os que ainda querem mais um copo de água, os que dormem às mijinhas. Praticamente todo o tempo que tenho desde que chego a casa até que me posso sentar no sofá é dedicado a eles. E por isso muitas vezes nem vou ao sofá, passo directamente à cama...

A segunda razão para o meu afastamento chama-se trabalho. Veio disfarçado de promoção no mês de Março e deixou-me muito feliz porque foi o reconhecimento de algum esforço sem que eu precisasse de ter pedido alguma coisa. Não posso dizer que tenha exactamente sido surpresa, talvez apenas a posição em si ou uma ou outra condição mas senti que era o culminar de muito trabalho. Às vezes penso naquelas pessoas que trabalham mais de dez, quinze, vinte anos numa empresa e pergunto-me se alguma vez eu ia aguentar tal coisa. E de repente lembro-me que já trabalho aqui há seis anos, tantos quanto tenho de Luxemburgo também e que não penso mudar. Sinto que finalmente estou no meio de uma família, uma empresa que tem crescido a um ritmo alucinante mas em que as pessoas ainda se conhecem e sinto-me agradecida por todas as oportunidades que já me foram dadas aqui. Então, esta promoção trouxe esse reconhecimento mas também trouxe muito, muito trabalho. Sozinha durante quatro meses e agora finalmente acompanhada pela colega que voltou de licença de maternidade, vi-me a braços com todas as tarefas e todos os novos pedidos e a responsabilidade de montar um departamento do zero. Aqueles bocadinhos que tinha livres durante o dia e em que podia escrever aqui meia dúzia de palavras desapareceram: passei a ter apenas olhos para os meus ficheiros de Excel, a sentar-me nesta e naquela reunião, a pensar e repensar coisas novas.

Finalmente, os outros hobbies. Depois de passar todo o dia no computador, não tenho vontade de fazer o mesmo nos meus tempos livres e normalmente acabo o dia tão cansada que ligar o computador é coisa que nem me passa pela cabeça. Com a consciência de que não consigo chegar a tudo, comecei a preferir ler umas páginas antes de dormir. Ou fazer umas malhas em silêncio na sala. Ou ver algum episódio das séries que seguimos religiosamente. Ou a ouvir um dos podcasts que tanto me têm trazido. O ideal seria poder ditar o post e ele materializar-se aqui nem necessidade de escrever nem editar e por isso não se prevêem muitos posts para os próximos tempos.

E há ainda outra razão, que já confessei aqui noutras ocasiões: sinto que a minha opinião sobre coisas não interessa a ninguém. Não quero julgar decisões de outros pais, não quero falar de publicidade, muitas vezes esforço-me por me afastar da realidade feia e dolorosa lá fora e concentro-me no nosso pequeno e barulhento núcleo familiar. É tão fácil, hoje em dia toda a gente tem uma opinião sobre tudo, há especialistas em baixo de cada pedra, há quem tenha todas as soluções, há quem descreva com detalhe toda a sua vida. Eu aceito e até celebro a liberdade de expressão mas não quero fazer parte. E, como acho que a nossa vida não tem particularmente interesse, remeto-me muitas vezes ao silêncio. Partilho apenas fotos (onde entram os miúdos também, claro) com alguma frequência porque quero cristalizar esses momentos mas sem grandes histórias por trás ou sem extensas explicações. 

Continuo a ler o que escrevem os outros, continuo a seguir famílias que conheço apenas virtualmente quando sinto que são partilhas genuínas, não encenadas. E tenho muitas, muitas saudades de escrever mas de certa maneira não sei sobre o que hei-de escrever. Não quero ser mais uma, não quero pertencer a nenhuma corrente, não quero criar uma realidade alternativa - apenas quero viver confortável na nossa realidade, ouvindo/lendo/vendo sobre outras famílias/pessoas que tentam fazer o mesmo, lendo livros em papel e em digital, procurando ouvir música nova aqui e ali, fazendo o jantar todos os dias ao som da Radar, não me deixando assustar pela quantidade de séries que há para ver, tentando ser positiva e não acreditando em tudo o que vejo/leio/ouço. E, talvez com um bocadinho de sorte, recuperando a musa e a vontade de escrever - noutro registo, quem sabe mas não perdendo a coisa que mais gosto de fazer na vida.

3 comentários:

Anónimo disse...

Querida, como és a primeira dos quatro blogs que leio, passo por ele todos os dias. Claro que sei que mãe de 3 não tem vagar para andar por aqui com regularidade... mas vou passando.
São quase nove horas e fazendo tempo para ir cortar o meu cabelo (este sim está todo branco!) vim aqui e tive a sempre agradável surpresa de te encontrar! Não, não deixes o blog mesmo que só espaçadamente escrevas. Pelo menos eu gosto muito de saber de ti!
Mts beijinhos😘
D.M (só consigo comentar como anónima e não sei pq!)

Ana disse...

Eu também gosto tanto do teu blog, desde há tanto tempo! E sinceramente prefiro que escrevas poucas vezes mas bem, do que muitas e mal. Aliás, até acho que essa história de um blog ter de estar sempre atualizado é demasiado forçado. Ninguém aguenta tanta informação à velocidade da luz. No teu caso, obrigada por escreveres poucas vezes mas tão bem! Assim ainda fico mais contente quando há um post novo. Por favor, não desistas nunca deste blog!

Blanche Cérise disse...

Gosto tanto de te ler e percebo perfeitamente a ideia de que não sentes ter nada de novo para contar, mas acredita que a tua visão da vida e o teu blog são uma lufada de ar fresco nesta blogosfera atualmente cheia de posts patrocinados e vazia de conteúdos.

Beijinhos dos Alpes suíços!
Andreia