junho 06, 2010

A nossa vida enredada numa colina de Lisboa *

 Ele foi mais uma vez o repórter fotográfico de serviço.

Quando sabemos que a nossa ausência será curta, as despedidas são sempre menos dolorosas. Suportamos melhor os momentos finais, não tentamos prolongá-los além do emocionalmente aconselhável e confiamos mais no poder das nossas recordações. A noite de ontem foi especial porque não lhes dissemos propriamente Adeus, apenas um Até já que se espera mesmo breve.

Ainda não tenho propriamente o estatuto de groupie mas apenas porque o meu tempo não o permite. Gosto d'A Naifa o suficiente para ver o mesmo alinhamento todas as noites, plateia após plateia, com públicos entusiasmados e turistas que não sabem ao que vão, puristas do fado que talvez se deixem surpreender pelo Destino menos convencional de uma Mitó sem xaile negro ou uma guitarra portuguesa mais electrónica do que achavam possível. Sou suspeita por estas e por tantas outras razões: por achar aqueles pinheiros mansos da Praça d'Armas um cenário desarmante, por ignorar deliberadamente a noite fria de Junho, por ter ficado contente com um lugar mais atrás, por achar que talvez A Naifa estivesse já um pouco esgotada pelas emoções deste regresso e no final ter ficado, mesmo assim, deliciada com o último concerto da digressão. A Libertação, cantada a meias com Celeste Rodrigues, foi um momento absolutamente impagável de perfeita simbiose entre tradição e contemporaneidade. E perceber, no momento da despedida, que todos se abraçavam com o que parecia ser alívio e a sensação de que uma nova porta se abrira deixa-me tranquila porque a memória, essa, subsiste.

* A Naifa tocou ontem à noite na Festa do Fado no Castelo de São Jorge

2 comentários:

Grasi disse...

Despedidas são sempre sofridas, né?!
Bjs e um domingo super iluminado :)

drCursor disse...

http://www.fluidr.com/photos/drcursor/4672965791