setembro 20, 2006

Da velocidade do coração

Hoje não foi um dia bonito. Nem sequer um dia fácil. É mais daqueles dias em que, às oito da noite, me sinto um trapo. E um trapo cheio de dores nas costas, ainda por cima. Saí de casa quase de noite, fiz horas extraordinárias. No emprego, não contente com as dificuldades que sentimos em cumprir prazos, ainda tenho que me dividir entre as constantes tentativas dos alemães para acabarem conosco, o stress dos outros membros da equipa e um colega que é um autêntico atrofiado no trabalho e na vida. Arranco do trabalho para ver mais casas (acho que no final isto equivale ao curso de mediador imobiliário), ando a pé de um lado para o outro. A chegar a casa, estafada, lembro-me que não há jantar e vou direitinha a caminho do fast food. Saio do carro, estacionado perto de casa, e enfio o pé esquerdo numa poça de lama. Já de saquinhos na mão, chego a casa para ver um exército de formigas a passear na cozinha. É acolhedor.

***

Mas o que me ocorria mesmo há bocado é a semelhança entre ver casas para comprar e conhecer o sexo oposto. Na primeira situação começo a ficar uma profissional; na segunda acho que sou pouco mais que uma principiante. Mas há um paralelo.

Antes de conhecer a casa (ou o membro do sexo oposto) cresce uma certa expectativa em mim. Começo a imaginar como será, tentar adivinhar-lhe os contornos, tentar perceber se a imagem ou o aspecto exterior vão ser impeditivos quando decidir ficar com ela (ele). Há uma habituação às (poucas) características que conheço. As noites antes de a (o) ver são mal passadas, com camas desfeitas devido às voltas na cama, com aquele nervoso miudinho que me faz olhar para o relógio a todas as horas certas. Imagino imagino imagino. Quando vejo a casa (o membro do sexo oposto) o entusiasmo toma conta de mim, esqueço-me de casas (membros do sexo oposto) anteriores e começo a pensar se me consigo habituar. Imagino-me a viver lá (com ele), tento forjar os hábitos futuros e as dificuldades que certamente vão chegar. Quando a (o) deixo para trás, vou a andar nas nuvens: a imaginar imaginar imaginar, feliz e bem impressionada, com a cabeça cheia se ses e pronta para passar mais uns bons bocados a pensar nela (e). O trabalho é feito com mais vontade, a viagem no metro é acompanhada pela banda sonora mais adequada. E depois, no final, descubro que a casa é muito cara ou que tem infiltrações ou que já está ocupada ou que só me pode receber daqui a tempo demais. E as coisas continuam a ser semelhantes.

8 comentários:

Madeline disse...

Engraçado.. nunca tinha associado tal coisa, nem sou perita em ver casas.. mas partilho dessa analogia. :)

Pode ser que desta vez a casa (ou o membro do sexo oposto) te troque as voltas. *

Polliejean disse...

nao desesperes (nem numa coisa nem noutra).

unknown disse...

Quando menos esperares encontras uma casa fantástica.

Anónimo disse...

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tixa disse...

hilariante. e verdade. há paralelos que podem ser estabelecidos. o pior é quando o membro do sexo oposto nos fecha a porta :(

M disse...

Nã. O pior é quando nem sequer a chega a abrir...