junho 06, 2007

Magníficos dias atlânticos pt. III


Esta coisa de ser pelintra, como a maior parte de todas as coisas, tem o seu lado bom e o seu lado mau. Ser pelintra significa, no meu caso, ter duas semanas de férias mas não ter dinheiro suficiente para fazer uma viagem, um passeiozinho sequer. Eu bem vi catálogos de agências de viagens e fiz muitas muitas contas ao dinheiro que ainda me sobrava e não - definitivamente não dava para nada. Tinha sempre a opção de me endividar, como grande parte das pessoas fazem (ai, é só mais uma prestação para podermos ir para aquele hotelzinho, sabes? aquele...) mas achei que uma dívida já me chega, especialmente quando é daquelas para toda a vida. De maneiras que... fiquei por casa.

A parte boa da coisa é que tenho alojamento, sem ser incomodada por outros hóspedes. E ainda tenho direito a um tudo incluído espectacular sem precisar de andar com aquelas pulseiras irritantes. E ainda... Bem, não há espectáculos à noite neste estabelecimento. Pelos menos não há karaoke nem drag queens. A parte má é que não há mais ninguém a tirar férias na primeira semana de Junho e, portanto, quaisquer idas à praia ou a outros locais têm que ser pensadas no singular. O que até nem é mau. Numa forma extrema de pensar, assim eu garanto sempre que a companhia é boa. Ou não, não sei.

E pronto, lá vai a menina todos os dias de manhã para o outro lado do rio. Pego no carro, atravesso a ponte no sentido menos caótico e quando chego ao destino posso dar-me ao luxo de escolher o melhor lugar de estacionamento. Arrumo à pressa a tralha (comida, toalha e chapéu) e olho para a areia que ainda tenho pela frente - respiro fundo. Posso escolher o sítio que me apetece, o areal é extenso mas acabo por ficar sempre ao pé do mesmo casal de velhos e da Ana Malhoa (o tempo que estive a tentar lembrar-me de onde conhecia aquela cara...). Depois, é só passar o (obrigatório) creme, tostar (moderadamente) ao sol, arriscar um banho nas águas (frias) do Atlântico. E depois volto para casa antes do trânsito se complicar, sempre na faixa do meio na ponte porque tenho medo daquelas correntes. E, depois do banho, atiro-me a uma sesta. Esta vida de pobre tem coisas fantásticas, não é? (suspiro)

1 comentário:

Joana disse...

Até ler este post pensava que ias para a praia para o bronze (o casamento aproxima-se), mas confessa lá: tu queres é estar com a Ana Malhoa (a tua parente Malhoa) na fofoca. Para a proxima não tenhas vergonha...de admitir a verdadeira razão das tuas viagens até á praia.