julho 22, 2010

Viver a três (e não, não se fala aqui de threesomes!)

Acho que, com a idade, me tornei bastante mais observadora. Gosto de ver, gosto de assistir à vida em silêncio, mesmo que isso possa ser algumas vezes confundido com voyeurismo. E o nosso curso pré-parto é obviamente um sítio privilegiado para estes momentos de observação, especialmente no que a casais (inexperientes) diz respeito. Esta semana, falámos sobre métodos naturais de alívio da dor durante o trabalho de parto e os maridos/namorados/companheiros foram convidados a praticar massagens nas grávidas com um relaxante som ambiente, à meia luz. Foi muito bom ver os olhares embevecidos dos homens, derretendo-se com a mãe do seu filho/filha exercitando as ancas sobre uma daquelas bolas de pilates. O que realmente me comoveu foi a sensação de que há famílias efectivamente a crescer ali, que medos e responsabilidades são partilhados, que a gravidez é ali vivida como um glorioso momento a dois.

É por saber que este companheirismo e esta dedicação não são dados adquiridos que estes momentos me comovem. Imaginar que há homens que não se envolvem na gravidez das companheiras, que recusam ajudá-las e compreender as diferentes fases da gestação, que se afastam deliberadamente para evitarem chatices dói-me. Eu sei que se estivesse sozinha nunca poderia desfrutar desta fase da minha vida na sua plenitude nem muitas vezes teria força para suportar as contrariedades. E quer dizer, um filho é feito por duas pessoas. Se aconteceu na pior altura ou na altura menos esperada, acho que a única coisa a fazer é comportar-nos à altura e fazer tudo para que o bebé que aí vem nasça com saúde e possa ser feliz.

É óbvio que eu estou ansiosa por ver e tocar e cheirar o meu filho. Conto os dias e muitas vezes sei até quantas horas faltam até à data prevista para o parto. Mas a verdade é que, cada vez que penso que vamos deixar de ser apenas um casal, dá-me uma saudade profunda deste momento que ainda estamos a viver. Não me importa a relativa perda de liberdade, nem a necessária cambalhota nos nosso hábitos: fico é com saudades de vivermos apenas um para o outro, capazes de ficarmos fechados em casa, sem vermos mais ninguém porque nos bastamos. Mas sei que quando um bebé chega a uma relação que funciona não é mais do que o prolongamento destes momentos felizes vividos a dois. E para namorar, já eu decidi, hei-de arranjar sempre tempo.

6 comentários:

Grasi disse...

Querida... lindo esse teu momento, curta tudo com muita intensidade e perceberás que esse laço é o que há de mais verdadeiro...
Momentos só de vcs dois com certeza surgirão, não te preocupa... com tempo as coisas se ajeitam.
Bjão lindona.

Eurico Ricardo disse...

se não se fala de threesomes não me interessa.

Helena Barreta disse...

De início, quando tanto o bebé como os pais se estão a conhecer, podem surgir momentos menos calmos, mas com o passar do tempo, a fase das descobertas dá lugar à cumplicidade, ao amor pleno e calmo e aí os pais têm tempo para namorar.

Um beijinho e bom fim de semana

superM. disse...

...o parto é realmente um momento único e inesquecível que só faz sentido (digo eu), se partilhado pelos dois. A ajuda do pai é fundamental e se não tivessem sido aquelas massagens nos pés, quando a dor aumentava, teria perdido o norte e tudo poderia ter descmabado.
Vivam os pais! Os que partilham cada momentinho bom e menos bom, os que ajudam, os que se dedicam de corpo e alma...

(o que estou mesmo a precisar é de namorar)

beijos, muitos
aos 3

aryabodhisattva disse...

tocas sempre em pontos interessantes. e reais. os outros posts de grávidas na blogosfera apenas focam a compra bestial que a amiga X fez na baby gap do brasil especialmente para elas e hmm... gosto destas espreitadelas para a tua pregnant life. um dia ser-me-ão úteis. a sério.

P a t r i c i a disse...

Que lindo!!! Adoro ler-te.
Beijinhos!
Patrícia do Bangladesh