julho 09, 2009

The dog days are over *

Se eu quisesse, não poderia enumerar o número de vezes em que me surpreendi nos últimos tempos. Podia querer contar estas vezes mas é tudo tão rápido e eu não estou realmente a tomar nota, por isso vai-me tudo passando ao lado. Não as surpresas, mas a sua contagem.

Tenho lido alguns posts nos últimos tempos sobre o facto de se ser muito selectivo ou esquisito com aquilo que nos faz feliz. Tenho lido sobre pessoas que acham que já não merecem ser felizes ou que acham que não voltarão a sentir-se completas. Tenho encolhido os ombros quando leio sobre pessoas que buscam a felicidade, comparando o que têm agora com aquilo que um dia tiveram. Pessoas bonitas, inteligentes e independentes não deviam duvidar das suas qualidades e, muito menos, do seu direito a ser feliz.

Procurem menos. Olhem para quem está à vossa volta, a resposta costuma estar subtilmente escondida por aí. Não escolham, deixem-se levar. Deixem-se convencer de que o que estão a fazer é uma loucura saudável. Não procurem, de todo. Deixem de idealizar. Deixem que vos amem e que vos adorem sem qualquer razão especial. Dêem tempo a tudo: às interrogações que vos vão assaltando, às fantasias e ao desejo se o sentirem a crescer, à vontade de mudar, à misteriosa sensação de que tudo pode estar a mudar. Enviem sms longas, percam a mania (como eu) de que não gostam de falar ao telefone, mandem mails com coisas que encontraram por aí. Não rejeitem o carinho de ninguém. Deixem-se apoiar. Aceitem convites para lanches, piscinas, fins de semana. Passem ao espelho o tempo suficiente para se sentirem radiosos. Não estranhem o brilho do vosso olhar. Convençam-se que as borboletas na barriga vieram para ficar. Suspirem o tempo todo. Ouçam a minha avó quando ela diz que, o que é nosso, às nossas mãos virá. Se tiverem vontade de dançar, pulem. Não se sintam esquisitos quando tiverem vontade de beijos o tempo todo. Tenham catorze anos aos trinta. Não contem o tempo que demorou até serem felizes mas o que ainda têm à vossa frente. Arrepiem-se com a música. Descubram poemas na vossa cabeça. Não estranhem se chorarem de alegria. Às vezes, o amor chega e nós, destreinados e incrédulos, não percebemos.

Ser feliz também é deixar que nos amem. É arriscar mais um falhanço para descobrir o que nos faltava. E dizer sempre, sem pensar no que isso quererá dizer amanhã. O amor é e sempre foi aqui e agora.

* uma música sobre o instante em que a felicidade nos acerta em cheio.

5 comentários:

curse of millhaven disse...

amén!!

:D

v. disse...

amen indeed! Que texto lindo! :)

Ocarteiro disse...

Veruca Salt? Heina, que momento de nostalgia!!

cosmonauta disse...

Obrigado por estas palavras.
Beijinho

Man Next Door disse...

Texto super inspirado. Fez-me recordar de um outro, também brilhante: http://www.youtube.com/watch?v=sTJ7AzBIJoI

p.s.: boa escolha musical tb, Florence rocks.