julho 08, 2006

"When all of this music sounds like you know what you want to say, then it will have been of all worth, ever. You will be something complete into yourself, present and unique.", Jeff Buckley (25/08/96)


Era sexta feira e estava sozinha em casa. Não estava em nenhum bar a beber a cerveja que me competia. Não estava em casa de amigos nem de familiares. Simplesmente estava em casa, sozinha numa noite quente de Julho. Não tinha vontade de sair nem de esbarrar com multidões no Bairro Alto e muito menos de ser incomodada (vulgo, apalpada) na rua da Rosa ou noutra rua qualquer. Não me apetecia ter que voltar a casa dentro de um táxi a cheirar a tabaco, a ouvir a rádio Capital ou a Romântica FM, enquanto se ouvia a menina da central de táxis a descompor um outro taxista que se recusava a ir buscar um cliente a casa.Não queria beber até não me lembrar de mais nada, não queria chegar a casa e comer e não me lembrar o quê no outro dia quando acordo. Agora que provisoriamente partilho o quarto com a minha irmã, não me apetecia chegar a cheirar a cerveja, a tropeçar na cama e derrubar os perfumes e demais porcarias que estão na mesa de cabeceira.

Por isso, fiquei em casa, sozinha e cheia de calor, a ver episódios de Lost e a organizar os mp3 que quero enfiar no meu menino (aka, ipod). Coisa puxa coisa, tiro cd, converto cd, arrumo cd e dou de caras com uma pérola da minha adolescência (?). Encontrei numa pasta perdida uma das coisas que mais me inchou o ego, que mais me fez (faz) corar, que mais me orgulhou, que me deixou assim um calorzinho na barriga (não são borboletas). Há muito tempo atrás eu tinha quem escrevesse canções para mim: canções todinhas inspiradas no nosso amor iada iada iada e na maneira como nos fazíamos felizes e essas coisas que o meu pragmatismo agora não me faz procurar. E, talvez obviamente, ainda hoje a ideia de que aquilo foi feito a pensar em mim, esta ideia de exclusividade ainda me faz sorrir. Mesmo que a canção hoje pareça uma tolice, que a letra seja fraquinha. É só porque se há coisa que me faz derreter é uma musiquinha assim delicodoce, cheia de rendilhados românticos. Só assim se explica gostar dos Goo Goo Dolls ou do John Mayer. Pois confesso. Se há coisa que me faz puxar a lágrima é a 'Iris' e isso acontece especialmente porque já me aconteceu tanta coisa ao som desta pérolazinha do sentimentalismo... [suspiro]


Também há mais coisas boas que podem fazer por nós, como um poema ou uma compilação. Só que a música era mais fácil de ilustrar. E quanto a músicas escritas a meias... Bem, isso fica para um outro capítulo.

AQUI!

10 comentários:

Cromossoma X disse...

Ai a "Iris"...linda, não é? E vem sempre acompanhada daquele calorzinho que faz tremer as pernas..
Fui vê-los há pouco tempo e senti-me de novo uma menininha pequenina...

tiago disse...

eu amava essa música. agora odeio-a.

M disse...

Isso é só resultado do stress pós-traumático :P

tiago disse...

possivelmente. aliás, essa e uma série de outras. Quase que dava para fazer um cd.

M disse...

Podes fazer um mix cd. E chamá-lo 'Música para Stress Pós-Traumátivo'. Podia ajudar a exorcizar os fantasmas :P

tiago disse...

nã... o tempo é que é o melhor exorcista! bom, mano-a-mano com a cerveja, entenda-se...

pita disse...

musa inspiradora.. :D

**

Madie disse...

Ai ai.. (L)! :P *

Cromossoma X disse...

Ó Tiago tens é que arrebitar!!!
A música é linda, tens é que a sentir para outro destino, se é que me percebes...

tiago disse...

percebo, percebo. outro destino é que é complicado de descortinar no meio disto tudo....