novembro 19, 2006



Talvez se deva ao facto de já fazer isto à nove anos consecutivos mas estas viagens a casa já se tornam penosas. Se, por um lado, são momentos muito propícios a pôr os pensamentos em ordem, por outro são um poço de stress e irritações. Nem sequer está em questão deixar de viajar assim ao fim de semana - mas há dias em que o teletransporte não era assim tão má ideia...

Primeiro eram os autocarros da Rodoviária. Eram viagens intermináveis mas baratas. No início, ainda existia assim uma emoção que nos fazia falar e estar excitados por podermos estar sozinhos em Lisboa. Com o passar do tempo, as viagens começaram a fazer-se de maneira mais silenciosa (para alguns, porque para outros era sempre motivo de festa). Eu arranjava sempre uma maneira de ir entretida, quer fosse com música ou com alguma coisa para ler. Esquivava-me às conversas de ocasião com aqueles conhecidos sempre com tanta coisa para dizer ou garantia que escolhia bem o/a companheiro/a de viagem. Recordo especialmente as viagens feitas no expresso das oito e quarenta e cinco da manhã, nas manhãs mais frias e cinzentas, em que passava a viagem a ver a geada a levantar, o gado já a pastar bem cedo e os primeiros raios de sol a ferirem-me os olhos.

Depois, ocasionalmente, ainda tentámos os comboios. Eram, talvez , o meio de transporte mais barato e mais confortável (bem, a noção de conforto vai mudando) mas, em contrapartida, ofereciam maiores desvantagens. A estação fica a onze quilómetros da cidade (será que alguém esperava que a cidade se estendesse até lá?), o que implica um pai disponível ou mais um bilhete de autocarro. Os transbordos faziam-se em Abrantes e no Entroncamento, o que dava sempre origem a entrarmos no comboio errado e sair de lá, de malas penduradas assim que percebíamos. E depois havia aquela parte do percurso (Chança-Mata-Crato, que coisa mais musical!), em que o comboio andava tão devagar que podíamos sair, colher fruta nalguma árvore à beira da linha e voltar a entrar. Ou então os rebanhos de ovelhas que se atravessavam à frente da locomotiva, que colhia três ou quatro. Havia a automotora, mais velha que qualquer pessoa a viajar naquele comboio e que levava os passageiros ao fim da linha, na Beirã.

E hoje, sou eu e o meu carro. São quase ciquenta euros de gasolina para ir e voltar porque nem sempre se arranja alguém para partilhar a viagem. E são quase três horas a tentar não soltar todas as asneiras que sabemos, a tentar não gritar e insultar todos os condutores que se arriscam e que arriscam a minha vida ao mesmo tempo. São muitos minutos a insultar quem vem a menos de ciquenta à hora onde se pode andar a noventa, a ver como todos os homens se sentem ameaçados quando são ultrapassados por um Panda. Um dia destes prometo que tiro um curso qualquer para me sentar sossegadinha ao volante, sem stressar e sem achar que está tudo louco. Até lá, páro o carro a semana inteira e esqueço-me da falta de civismo na estrada. Até à próxima viagem.

3 comentários:

pita disse...

pas minhas vigens d expresso tb costumava levar sempre o meu melhor amigo, o leitor d cds! n havia coisa melhor no mundo, pa n ter d ouvir tocar corneta e n ter d n me rir das piadas sobre as bifanas d montemor e leituras em grupo do "diario para ela" e "para ele", da revista maria..

d comboio so fui uma vez e n gostei mm nada.. :S

hj em dia n me importo d viajar d expresso, ate pq, as vezes, confesso q sinto saudades :)

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Anónimo disse...

Felizmente há quem ainda possa ir...

amigo disse...

se o teu pai sabe que andas a 120 no panda e que fotografas enquanto conduzes...