julho 26, 2007

Eu ainda não sei.



Sentada à janela, tento à força não adormecer com o computador no colo. Ouço o eléctrico a deslizar nos carris e os aviões a rasgarem o céu sobre a Lapa. Duas pessoas param a conversar debaixo duma janela: uma fala em inglês, a outra responde em português. Desvio as cortinas para deixar que o ar fresco atenue a minha transpiração. Estou suada e não consigo evitar suar ainda mais, é o Verão em que a purgação acontece assim facilmente. A mala ainda está por fazer: arrumados estão só a toalha e o biquini que vou usar quando o meu pai me levar à piscina (ainda hoje pensei como me apetecia que me levasse pela mão, como se eu não pudesse ainda pisar o Mundo sozinha). A televisão continua ligada sem que eu consiga ouvir o mínimo ruído, desligo-a quando forem horas de dormir. As pessoas podem ver-me, se quiserem, através de uma fisga entre as cortinas: há alguém que pára e fica a escutar mas esconde o olhar. É Verão aos poucos e há planos, muitos planos para dias de calor e de água e despreocupação. Só a música justifica esta sensação de vazio.


(Só precisei ouvir os primeiros acordes: soube de imediato que a iria ouvir em repeat. Colou-se a mim e apertou-me a garganta. Esta tristeza é das boas.)

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