agosto 30, 2006

(Aquele que, na verdade, deveria ser) O homem da minha vida


O meu pai hoje disse-me, em conversa telefónica, 'Filha, a única coisa de que devemos ter medo é que o céu nos caia em cima'. Ninguém me vai amar como ele em dia nenhum.


[E porque este é um post mais de PS do que outra coisa:


PS1: Eu sei que sempre odiei o Stuart Staples. Menos quando ele canta a 'Jism' mas isso não interessa. O que interessa é que ele canta estas canções de ir embora e não há nada que eu precisasse mais neste momento.


PS2: Moça casadoira, já ligeiramente fora do prazo, vá, procura casa para comprar. De preferência um sítio confortável onde este pequeno coração possa descansar. Sim, porque eu não tenho o coração como Tu, veloz como um cavalo.


PS3: Amigo, obrigada por me ofereceres um tecto. Acredita que coisas assim são muito mais do que aquilo que espero de alguém.


PS4: Agora é hora de telhado. Olhar, sei lá se pela última vez: as luzes de Telheiras; os aviões que aterram; a Lua que se confunde com o anúncio luminoso do Pingo Doce; Palmela; as esplanadas cheias de gente. E sentir que este é um bom sítio para se estar.


There.]

agosto 29, 2006

Não tenho grande força nem vontade para escrever. Não tenho fome, não quero ver ninguém mas se não escrevesse qualquer coisa ficava ainda pior. Já tinha tudo preparado, tudo imaginado e re-imaginado. A papelada estava assinada, a escritura era daqui a duas semanas. E agora a mulher que me ia vender a casa mudou de ideias. Apenas assim. De repente e sem mais nem menos. Já não tenho casa, já tenho despesas pagas ao banco. Fiquei só com uma grandessíssima dor de corno. Sem nada onde me agarrar, completamente suspensa no vácuo de um sítio que não é o meu sítio. Não há nada no momento que me possa fazer pensar que foi para o melhor, como também não há nada que me diga que começar tudo de novo, do zero vai ser fácil. A única coisa que eu queria, que venho querendo há algum tempo é parar e descobrir um sítio que é meu, um sítio onde levar quem mais gosto, uma maneira de a minha vida re-engrenar. E parece que estou ainda destinada a esperar. Porque pior do que não ter nada é sentir o gosto de alguma coisa, para logo a seguir te dizerem que era tudo mentira.
Da motivação e determinação

Uma série de abdominais todas as manhãs, ainda no escuro, depois dos sonhos agitados. O dinheiro que vou juntar para fazer (um)a viagem com que sempre sonhei (está renhido mas as hipóteses apontam apenas para o continente americano). Ignorar/repudiar/aniquilar (e outros verbos igualmente violentos) aquilo que mais me atormenta.


Primeiros, porque não fui e gostava tanto tanto de ter lá estado. E segundos porque este gajo é um fotógrafo dos diabos. Para quem foi e para quem não foi eu aconselho isto. Ele é grande (também literalmente) e tem olho pá coisa. Ele é o grande Louis.

agosto 28, 2006

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As fotografias vão chegando. Como tantas outras coisas na vida, o mais difícil é começar. À falta de potenciais fotografias embaraçosas (porque não sei se as há), fico apenas eu com a minha holandesa preferida, Angelique. Do alto do seu metro e oitenta, começou por ser uma miúda seca e desconfiada. Agora é só uma tonta que não consegue não carregar nos R. Ora peçam-lhe para dizer 'La camisa negra' e é só rir.

agosto 26, 2006

Disorder (ou Shakira, desculpa mas fica para uma outra vez!)


O jantar: Nunca se chega a horas. Pelo menos, não neste país. Por isso os alemães já estavam impacientes quando demos com eles, em frente à Barraca. Espera-se, telefona-se, já tou quase a chegar! e coisas do género. O restaurante era medianozinho, com o respectivo empregado também a usar o diminutivo, como é da praxe.
Houve um momento de tensão quando descobri que ia ficar mesmo na frente dos alemães, Thorsten e Ulrike - ambos andavam a comer toda a gente com os olhos desde que puseram pé no departamento. Além da nossa mesa, estavam aí 30 miúdos e miúdas, tudo abaixo dos 18 anos, tudo penteado e vestido como dita a moda (tantos iam de Cristiano Ronaldo que até metia medo). Gritavam, insultavam os empregados, combinavam os curtes da noite, achas que ele hoje quer alguma coisa comigo? e faziam-nos pensar que, se não estamos velhos, estamos pelo menos a anos luz daquilo. Tiram-se dezenas e dezenas de fotos, a malta saca toda das máquinas e dos telemóveis e tira-se foto a três, ao grupo todo, com os alemães, a fazer cornos - o habitual.


O digestivo: Levar 20 pessoas para o Bairro Alto nunca foi boa ideia. Perdemos pessoas pelo caminho, tínhamos que chamar sempre por uma das alemãs (que aquilo a abrir caminho entre a multidão era demais, ia tudo a direito). Houve uma primeira tentativa de nos enfiar num covil de metálicos (OK, eu pensava mesmo que eles já não existiam) que falhou redondamente porque só estavam 3 homens e o restante grupo eram mulheres que se tinham arranjado para alguma coisa mais... de mulheres. Voltamos para trás, hesitamos, paramos na Tasca do Chico (o que para mim foi uma grande novidade, tendo em conta que estive lá em todas as últimas noites que saí) e bebemos imperial de meio litro. Os mais corajosos passam ao absinto ou a outra bebida branca, o que não bebem continuam sem beber.


O trigo e o joio: Discutem-se a discotecas possíveis e prevê-se que hajam cisões no grupo. Uns querem ir para o Lux, outros para casa, outros para uma qualquer Ladies Night. Após muita pressão do chefe (o mesmo que controla o comando do ar condicionado no trabalho e o esconde na gaveta), conseguimos entrar quase todos no Jamaica. Em 9 anos de Lisboa, nunca tinha posto pé naquela rua e, bem, não sei se o farei tão cedo. Entra-se na discoteca e as médias são a 2,50€ (parece que estamos no Dallas ou no Casulo em Portalegre) e alguém comenta que aquilo é um bar de engate para velhos. Só que começa o desfile de clássicos dos anos 80 e pronto, não houve nada a fazer: foi deixar o corpo abanar, beber muito a acompanhar, tentar desviar-me da alemã que se encostava tanto às pessoas. As alemãs ficaram possessas, assim como muitos homens que estavam à volta delas enquanto elas se abraçavam muito. Muito.


A cereja no topo: O chefe não desistiu até nos enfiar no Disorder. Eu não sabia ao que ia, juro. Porque se soubesse tinha-me rido e apanhado um táxi para casa. Mas ainda bem que não desisti. Entramos e aquilo é uma caverna cheia de góticos, com cabelos muito compridos, em círculos, a abanar a trunfa e a tocar air guitar. Está a dar Depeche Mode quando entramos e eu penso 'OK isto não pode ser assim tão mau'. Continuam as músicas do mal e as miúdas que parecem saídas dum filme do Tim Burton ou do Ghost World abraçam-se muito também, já são elas e as alemãs. E depois há o momento de glória, o momento em que entro completamente em transe e sou a única pessoa na pista. O DJ meteu a Rebellion (Lies) dos Arcade Fire, toda a gente se sentou à volta ou ficou no balcão e eu, completamente extasiada por ouvi-los pela primeira vez numa discoteca, esqueci-me deles todos. E, felizmente, a música acaba e quem restou decide ir embora. Sei que me sentei na carrinha Mercedes e fui com um sorriso parvo na cara até Telheiras.
Bem, posso começar o dia por dizer que o Blogger é um ganda filhodamãequevaiabaixoquandolhedánarealgana e que apagaostemplatessemcarregarmosemnenhumbotão e sónãoapagaosconteúdosporqueaindalhedeverestaralgumasimpatiapornós. Argh.

agosto 25, 2006

Ser feliz um bocadinho é...

almoçar com um amigo e descobrir coisas boas e vir de lá com um sorriso na cara, enquanto subo em direcção à estação do Marquês e fingir que estou no meio de um filme independente baseado em pessoas como nós

ouvi-la constantemente desde que o álbum novo me chegou às mãos. Ouvir no escuro do quarto, no metro, no carro, enquanto trabalho. Ela faz-me sorrir e sentir-me sozinha e trabalhar melhor e faz-me andar para trás e lembrar-me como era feliz antes, como conseguia esquecer-me de tudo e ter medo do futuro. Medo do futuro, pelo qual agora espero todos os dias

passar o dia com os flashes do filme de ontem à noite (obrigada por mo teres mostrado) e jurar que um dia alguém me vai descobrir no meio do caos de um aeroporto e me vai abraçar, sem sequer me dizer nada porque não é preciso. Nós sabemos

trocar música nova com um amor antigo

ansiar pelo jantar de hoje. Podemos ficar ricos todos juntos ou podemos embebedar-nos todos juntos. A primeira tá (quase) fora de questão. A segunda será mais que certa.

agosto 24, 2006

Eu não sou muito de fazer amigos. Quer dizer, não com facilidade, pelo menos. Mas acho que hoje de manhã fiz mais um. Ou qualquer coisa parecida com isso. Ou pelo menos, o gajo deve ter ficado a pensar nisso.

Levo o carro de casa até ao metro. Sim, porque tenho preguiça e por dias houve em que saía já de noite e não me agradava a ideia de ir a pé nesta zona. Há muito boa gente do Lumiar e freguesias limítrofes que gosta de assustar o pobre telheirense. Todos os dias, às 7 e pouco, lá vou eu, fresquinha e contente por começar o dia tão cedo. Acontece que todos os dias, exactamente no mesmo sítio, passava por um gajo que esperava boleia de um amigo. Era um tipo de camisola de cavas e barba por fazer. Magro e escuro, mais sujo que bronzeado. Sempre de óculos escuros e com uma pêra mal aparada. No início ele ficava a olhar para mim atentamente (tanto quanto é possível num carro em andamento). Depois, passou à técnica de me acenar vigorosamente, como se eu fosse parar perto dele. Na semana passada o amigo dele já estava estacionado onde eu estaciono e ele aproveitou para me bater no capô do carro e tentar dar-me instruções para o estacionamento, o que eu prontamente ignorei. Saí do carro, tranquei a porta e cerrei as trombas o mais que pude.

Mas hoje o homem decidiu-se. Tentou dar-me novamente instruções no estacionamento e eu ignorei-o mais uma vez. Esperou que eu saísse do carro e disse-me

Qualquer dia levam-te o carro.

ao que eu respondi

Não faz mal.

ao que ele retorquiu

A sério! (enquanto se ria da minha estupidez)

ao que eu finalizei

A sério que não faz mal.

Mas parece que ele ficou contente. Hoje tinha o número de telefone do tipo pespegado no meu vidro. E dizia 'Depois não digas que não te avisei'. Não sei se estava a falar do carro ou de mim.
[e depois eu podia segredar-lhe ao ouvido 'some lonely night we can get together / and I'm gonna tie your wrists with leather / and drill a tiny hole into your head']

agosto 23, 2006

Afinal acordar antes do despertador é bom

Com as devidas vénias (e necessária adaptação do género), arrebatou-me.

In the wee small hours of the morning
While the whole wide world is fast asleep
You lie awake and think about the girl
And never ever think of counting sheep.

When your lonely heart has learned its lesson
You'd be hers if only she would call
In the wee small hours of the morning
That's the time you miss her most of all.


In the wee small hours of the morning, de Frank Sinatra, ouvida na voz de Jamie Cullum.

agosto 22, 2006

E bem, porque ele deve ser a pessoa mais chata de sempre, eu digo que:


a) tenho 26 anos e ainda gosto de pintar livros de colorir, sendo que a minha colecção de material (lápis de cor, cera, canetas de feltro, giz) está constantemente a aumentar;
b) tenho listas de Excel com todos os cds, divx, dvds e livros que compro ou mesmo que vejo ou leio, para não perder tudo nos labirintos da minha (por vezes traiçoeira) memória;
c) adoro adormecer a sentir-me quente e a ouvir a televisão muito baixinho, cada vez mais lá ao fundo e mais e mais;
d) testo a reacção das pessoas às minhas trombas, má disposição e arrogância muitas vezes até ao limite do suportável;
e) gosto de me sentir triste;
f) penso mais e melhor enquanto conduzo sozinha: penso muito, penso fundo nas longas viagens até casa. Onde quer que isso seja, do lado de lá ou do lado de cá.


E passar isto.. Bem, podia passar a muita gente mas ou já responderam ou não estariam interessados. Ainda assim, acho que vou passar o testemunho à mana (mesmo no Fotolog), à Madeline e à Mafaldinha, dois M como moi même.



Ela é uma fofinha. À sua maneira, mas é uma fofinha.
Eu também gosto de ser fofinha. Mesmo que não pareça.

(e mesmo que existam poucas palavras mais detestáveis que esta)

agosto 21, 2006

É já sexta-feira, aí está ele: o primeiro jantar com a malta do trabalho. Com a malta não, se calhar a melhor expressão é com 'as gajas' do trabalho. Porque há muito pouco homem naquele sexto piso e é provável que alguns ainda se cortem também. Quer dizer, também acredito que muita gaja se vai cortar: ou porque tem o marido e os filhos para tratar ou simplesmente porque tem um programa melhor que sair com pessoal que já está farta de ver todos os dias. Eu confirmei logo à primeira pelo nosso sofisticado sistema de email que nos permite gozar com a gaja lá do fundo sem que ninguém perceba patavina.


As perspectivas podiam ser mais animadoras: o jantar deve ser em Santos, zona onde não ponho os pés há alguns anos. Acho que lhe tomei aversão pelas inumeráveis noites que passei a beber shots nos bares da moda e pelas figuras que gostava de não ter feito. A última vez que pisei essa zona de Lisboa foi noutro jantar de trabalho, desta vez para entrar no Plateau e dançar os grandes sucessos dos anos 80 que nem uma louca. A cerveja corria a rodos e o ouvido ficava cada vez menos exigente. Portanto, nem estranhei quando começaram as Shakiras e outras que tais e soltei a mulher latina que há em mim.


Já desisti de dar sugestões sobre o plano a seguir: uns gostam da Orbital, mesmo para ouvir em casa, mesmo depois de toda a gente dizer que é rádio de ginásio. Outra grita quando ouve os Pixies ('Ai eu não aguento! A minha cabeça rebenta logo de manhã!'), a maior parte nem sequer demonstra ter grandes sentimentos relativamente à música. E, sabendo que é impossível chegarmos a um acordo, resolvi calar a boca e deixá-los discutir. Assim como assim, depois de um six pack eu já danço qualquer coisa. E depois de mais outras cervejas até já danço no meio da roda. E não, não há nenhum patamar a seguir. Porque uma coisa é uma pessoa soltar-se, outra é começar a atirar para o ridículo. Portanto, preparem-me essas pistas, com Shakira, com Sean Paul ou outros que o valham, que aqui a yours truly vai dançar tudo o que tem atrasado.

agosto 19, 2006

Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time


Mais um regresso a casa, desta vez não para dois dias felizes ou, pelo menos, dois dias de descanso e tranquilidade. Das primeiras coisas a que tive que assistir foi ao caminho muito lento do meu avô para a morte, devagarinho como ele, que nunca teve pressa. Lembro-me de me terem oferecido umas botas vermelhas quando era pequena e levá-las para que eles as visse: trabalhava por turnos e estava ainda deitado. Eu chegava, acendia a luz e ficava ali perto da cabeceira da cama, orgulhosa das minhas botas. E ele não se queixava, não precisava de dormir. E agora é duro vê-lo a definhar todos os dias ou, pelo menos, todos os dias que venho cá, o corpo a ficar cada vez mais pequenino, mais curvado, mais magro. A boca de onde não saem palavras completas há... quantos anos? Cinco? Dez? Eu já nem sei. E pensar só como me sentia feliz quando ele me dizia 'Um B e um A?' e eu respondia 'Ba'... A ele devo ter entrado na escola a saber ler, a saber escrever, a querer aprender. Por isso, quando ele fôr, e eu acredito que não deve demorar muito, vai ficar uma saudade imensa do tempo em jogávamos à sardinha ou do tempo em ele não se cansava de me ouvir a falar da minha vida sozinha.

Depois é ver esta cidade. É ver como no Verão toda a gente tenta fugir, tenta fingir que a vida está noutro lado, pelo menos durante quinze dias. Os bares estão fechados, as actividades culturais também foram de férias. Há os resistentes, os que ficam porque lhes apetece ou porque o trabalho não os deixa fugir. Com esses é bom beber uma cerveja, é bom ficar e rir e disparatar até o sono se tornar insuportável. Atravessar a praça numa noite de Agosto que parece uma noite de Novembro, entrar no carro frio e conduzir sem pressa até casa.


E finalmente há os planos que me desfazem, que me negam. Planeamos, confirmamos os pormenores, esperamos, não, é mais do que isso, ansiamos e depois nada. Enquanto eu fazia a viagem para cá pensava que alguma coisa ia acontecer. Podia ser comigo ou não mas sabia que alguma coisa me ia impedir de fazer o que quero, o que me dá na gana. Agora que finalmente eu faço o que me apetece, que me abandono sem pensar nessa palavra perversa que é 'amanhã', agora que só interessa esquecer-me de tudo (por horas ou minutos ou dias, isso não interessa realmente). Engoli em seco porque, de certa forma, acho que sabia que alguma coisa me ia travar. Encolhi os ombros porque a força que nos faz chocar uns com os outros é a mesma que nos separa.


(porque às vezes não há optimismo que resista)

agosto 16, 2006

Bem, eu acho que já não vou sabendo nada sobre as artes da sedução. Há um tipo que já algum tempo me tenta seduzir, assim como quem diz 'Epá és uma miúda simpática e eu até gostava de poder jantar contigo enquanto ouvimos assim uns sucessos do éter e podemos beber um copo naqueles bares mais que batidos e barulhentos e pouco destinados ao romance, que assim até tenho desculpa para voltarmos para casa'. Mas antes ele tentava aliciar-me com balelas sobre terapias orientais e banhos de sais, tendo chegado mesmo a oferecer-me um tratamento completo. E eu, não simpatizando nada com a sua figura e menos ainda com a sua conversa enfadonha sobre economia, até achava piada às investidas, tendo sempre o cuidado de recusar.


Mas hoje, agora mesmo há coisa de minutos, fiquei boquiaberta. A abordagem agora passou a ser a de 'Epá és uma miúda simpática e eu quero ser inimigo dos teus inimigos para juntos sermos mais fortes'. Enviou-me uma sms assim:


Que as pulgas de 1000 cães vadios infestem o cú daqueles que te lixaram o ano todo e que os seus braços encolham por forma a não poderem coçá-lo.


Não sei a que propósito se lembrou o rapaz disto. E por isso só respondi 'Epá... isso meteu medo'. E agora é esperar que ele entenda a brevidade e secura das minhas palavras.
Sei que vai ser um bom dia quando...


...na rádio começa a dar a Nothing really ends dos dEUS e eu levantei-me mais cedo que o necessário e então tenho tempo para ouvir a música em frente à aparelhagem e saber a letra de uma ponta à outra e depois ter tempo de ver o Bom Dia Portugal abrir com essa grande notícia que é o Benfica ter ganho ao Estrela da Amadora que é uma equipa treinada por um senhor de nome impronunciável e consegui ligar o computador só para escrever isto porque tenho muito tempo e porque logo até tenho planos para comer um gelado.


E agora posso ir trabalhar mais aliviada.

agosto 15, 2006

We go out more, dance more, drink more, party more, play musical instruments, play football, learn martial arts, swim, bicycle, walk and climb. How do we know you don't do all these things? Because you don't have the time. You just watch TV.


(And yes, we have more sex.)


Desta é que foi. Ligo a rádio todas as tardes para ouvir a música que gosto e não apenas música para encher o silêncio. Leio sobre as coisas que gosto e não me encosto só no sofá. Falo com pessoas a quem gosto de ouvir, que me prestam igual atenção e que me desinquietam. Saco do livro de colorir quando preciso de um time out. Aproveito os últimos dias em que posso deslumbrar-me com as luzes, à noite, para pensar e não lamentar. Dispensei a companhia da televisão. Agora só falta limar algumas arestas. Só falta dar ao corpo o exercício que ele pede (e precisa).

agosto 14, 2006

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Tenho saudades das coisas simples. Das coisas que fazíamos sem pensar e que nos davam prazer. Tenho saudades do tempo em que só queríamos ter amigos e fazer tudo o que nos era permitido e ainda mais o que não nos era permitido. Tenho saudades daquele baile de finalistas. Ele foi buscar-me de táxi e sobretudo comprido. Tirámos fotografias madrugada fora enquanto chegávamos a casa e era tudo simples. Porque haveríamos nós de complicar? E tenho saudades do tempo em trocávamos cassetes com mixes e com música romântica. Hoje peguei numa dessas, numa que me ofereceram nos anos e dei comigo a ouvir Pedro Abrunhosa, anos e anos depois. Peguei nos lápis de cor e no meu bloco de colorir e pintei. Pintei muito até só conseguir pensar nas cores que ia usar. E senti que assim sim, era tudo mais simples.

agosto 13, 2006

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Christine: Ice Land is - It's kind of like that point in a relationship, you know, where you suddenly realize it's not going to last forever. You know, you can see the end in sight. Tyrone Street.


Richard: Yeah, but we're not even there yet. We're still at the good part. We're not even sick of each other yet.


Christine: I'm not sick of you at all.


[É por isto que nunca vou deixar de ir ao cinema. Porque me sento lá e me esqueço da minha vida e sonho com as coisas simples. Porque saio da sala, cheia de esperança e de vontade de sair à rua e acreditar que um estranho me vai abraçar e cheirar o meu pescoço, só porque sente que é isso que deve fazer. Porque, pelo menos aqui, os falhados têm direito a acreditar. E eu acredito que um dia vai ser especial. Só me resta esperar.]

Este é o grau máximo de saturação a que cheguei. A televisão ultrapassou todos os limites que consigo suportar. Chamem-me insensível ou desinteressada por voltar as minhas costas a Israel, ao Líbano e aos fogos. Prefiro ver A cidade dos porcos na 2:.
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Emotional landscapes
They puzzle me - confuse

agosto 12, 2006

Este Sábado não houve Código Da Vinci para ninguém. Limitei-me a ficar em casa, para terror e incompreensão dos meus pais. Hoje houve apenas compras, tarefas domésticas e uma alça da camisola que teimava em cair. Nestes dias de calor sinto-me como se tivesse sido atacada pela doença do sono e os meus olhos fecham-se a todo o momento, umas vezes por pura fruição do momento, outras por estarem cansados de pestanejar. Já estou dependente da ventoinha, que me acompanha neste circuito infernal quarto-sala, normalmente em velocidade média, hoje a todo o vapor. Não sei se é culpa dela ou culpa dos meus sonhos que, nas últimas manhãs, me doem os pulmões. Sinto assim um buraco, como se estivesse cansada de respirar. Já não sei muito bem o que quero: se quero que este Verão continue assim, para mal do meu sono e da minha respiração ou se quero que entre o Outono de repente e as folhas comecem a cair e todos comecem novamente a sentir a melancolia.


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Enquanto escrevo, Tom-Roman-Duris beija a mulher do seu companheiro de trabalho em De tanto bater o meu coração parou. É uma das personagens mais cool do cinema nos últimos tempos, exactamente por se sentir perdido e tentar, a todo o custo, reencontrar o caminho mais breve para voltar a ser feliz. No caso dele é a música; ainda estou para saber o que me ajudava a mim. Os planos seguintes incluem cerveja fresca e o Ipod sentada no telhado da minha casa. Porque preciso de aproveitar a vista enquanto posso, porque ali não estou para ninguém e porque ali, nos dias de céu mais limpo, até consigo ver Palmela.

agosto 09, 2006

Sobre a neura matinal
Eu faço desporto. Até nem parece mas faço. Por exemplo, levanto-me todos os dias às seis e meia da manhã e juro que faço um esforço hercúleo para me arrastar, de olhos fechados, corredor fora até à casa de banho. E depois também esforço com o estômago a receber qualquer coisinha, nem que seja apenas em formato líquido.


Mas o desporto mais violento só vem depois. Enfio-me no metro, mudo de metro, saio do metro. E depois é que a coisa se complica. Quando saio passo por uma central de trabalhadores da construção civil, vulgo pedreiros. E aí, sim, é que me esforço mais. Faço uso das minhas famosas trombas, pensando que, se elas desencorajam tanta gente, também vão resultar com mais estes. E, meus amigos, se há coisa em que sou mesmo boa é a fazer trombas: até tenho pena que não possa exercer uma profissão do género Trombuda. Mas estes tipos não vão nas minhas trombas e falam e mandam piropos nojentos e básicos. E prontos, as trombas só funcionam quando não devem.


Eu meto os óculos de sol, levanto o volume do Ipod e faço-me de despercebida. Já estou a pensar como vou disfarçar no Inverno. Mas por enquanto, pelo menos eles, não me ouvem a queixar. Não em voz alta, pelo menos.

agosto 05, 2006


Sobre as coisas que importam. Não necessariamente por esta ordem e não necessariamente apenas estas. Mas que são boas, são.

agosto 03, 2006

SW, 2003
Fotógrafo desconhecido


E posso só dizer que vou sentir muitas saudades outra vez? De estar deitada no colchão a ser picada pela caruma dos pinheiros. De não dormir, incomodada com o calor na tenda. De montar a nossa cobertura e escolher um nome novo em cada ano para o nosso aldeamento. De viajar de janelas abertas, sem medo de desmanchar o penteado, com música a condizer. De beber cervejas numa mini-esplanada, enquanto as pessoas regressam da vila. De pegar no carro e ir a Odeceixe e estender-me na areia, a destilar. De ver pessoas que não via há tanto tempo e engasgar-me e não dizer absolutamente nada. De comer enlatados sete dia seguidos. Dos carros cheios de pó e de tralha. Eu sei que há sítios mais bonitos. E sei que há festivais melhores. Mas é o segundo ano consecutivo que não vou. E tenho saudades do cheiro do pinhal.


[São três posts de repente. São muito mais coisas na cabeça. Mas dessas não há foto.]

Foto: Moi
Roma 01/2006


Eu sabia que devia ter rezado por qualquer coisa. É uma boa altura para jogar aqui. Como outra qualquer, na verdade. Com a vantagem de me desendividar para o resto da vida. Entretanto... Bem, entretanto tá a arranhar.
A vida troca-nos as voltas de uma maneira... Agora que estou prestes a endividar-me para o resto da vida, a minha irmã decide que gostava de ficar em Portalegre. E o meu pai, solícito como sempre, já se propôs a fazer uso do factor C. Diz que conhece este e aquele e, portanto, é possível que a minha irmã regresse a Portalegre mais depressa do eu esperava. Regressar, ela regressa amanhã. E depois pode não voltar. Gosto de a ter ao pé de mim, gosto mesmo mas sei que, se calhar, ela é mais feliz noutro lado. E agora vou ter que aprender a ser feliz mas sozinha, numa casa inteirinha para mim, numa casa MINHA.


À perspectiva de ter que arcar com as despesas sozinhas eu encolho os ombros: primeiro, ela vai ajudar com metade; se ela entretanto não se decidir a voltar... Regresso à altura em que vim para Lisboa, afixo anúncios, espero que me calhe uma pessoa normal na rifa. Estou, portanto, a viver duas épocas distintas ao mesmo tempo: ter uma casa para governar e precisar de alguém para me ajudar a pagar. Como sou uma mariquinhas, ambas as coisas me assustam: a dívida até ao fim da vida e o medo de morar com alguém que odeie. O que já quase aconteceu antes, portanto sei do que falo. As coisas mais simples são sempre o motivo de discussão e conhecer uma pessoa não é garantia de conhecê-la em casa: ele há hábitos de alimentação, de higiene ou de sono bizarros - mesmo naqueles que julgamos conhecer bem. Tenho amigos que deixam as suas salsichas em cima do sofá ou nunca usam roupa de cama e dormem sempre vestidos. E calçados. Depois de um dia inteiro a andar para trás e para a frente. Daí o medo.


Mais vale só que mal acompanhada. Mas talvez eu faça jus à minha condição (semi) psicótica e conduza uma série de entrevistas aos possíveis interessados. Para (tentar) avaliar se um dia vou ter que gritar ou não. In the meantime espero pela chave para que possa assentar arraiais no Bairro Lopes :)

agosto 01, 2006

Um dia tão normal

No meu local de trabalho há duas pessoas verdadeiramente odiadas: a perturbada mental e a gorda alemã que veio esta semana para nos dar formação. A primeira grita o dia todo, ri-se sozinha do facto de estar a registar pedidos de 2ª via de cartão, maça toda a gente com as histórias sobre as filhas adolescentes ('Vanda, já te tinha dito para não teres mais relações sexuais!', gritou uma vez na copa...) e mete-nos muito medo com os seus olhos muito abertos. O grau de popularidade dela é medido pela forma como todos dizemos em coro 'Até amanhã', com alívio.


No caso da gorda, perdão, da gordalhona alemã o caso é diferente. Ela é, talvez, tão burra que veio para um sítio onde toda a gente fala e compreende alemão e mesmo assim teima em gozar com toda a gente em voz alta. Portanto, é um caso de verdadeira burrice e ela nem sabe o perigo de vida que corre. Já há um colega a espumar da boca só de olhar para ela e a prometer jogá-la aqui do sexto andar. Well that would be nice. For a change, I mean. E por isso rezo para ela nos ofender, em vez de se empaturrar com comida a toda a hora.