maio 05, 2007

Da simplicidade

Hoje foi um dia bom, a contrariar os fins de semana passados em casa, a vegetar de pijama vestido e a alternar entre o sofá e a cama. Podia ter muitos mais dias assim se não fosse tão preguiçosa.

A noite de ontem já tinha sido como nos bons velhos tempos: malta que vem a Portalegre pouquíssimas vezes, o sítio do costume, o último grito na música que se dança por aí. Ninguém estava interessado em fazer sentido ou em poupar os corpos. Ainda faltou gente e a alguns faltou (talvez) a vontade de arriscar mas, quando me deitei, já a noite ia muito longa e já não havia tempo para fantasiar muito mais.

O dia foi começado à pressa. Tive tempo de engolir um pequeno-almoço à pressa, tomar banho ainda mais rapidamente e ainda começar a almoçar antes do primeiro compromisso do dia: o voluntariado no Banco Alimentar contra a Fome. Tínhamos sido convidados a participar já há algum tempo por gente de Portalegre, gente com muita vontade de fazer e fazer bem. À hora marcada, chegámos para recebermos o tour das instalações e desde logo foi claro que a organização não tinha descurado nenhum aspecto. Havia uma cantina para que os voluntários pudessem fazer as suas refeições ou apenas uma pausa para o café, muita gente a auxiliar os recém-chegados e outros voluntários, que prontamente nos ajudaram a integrar.

Para os trabalhos menos pesados, onde estávamos, a maioria dos voluntários eram mulheres. Os homens ocupavam-se das tarefas que incluiam lidar com grandes pesos ou com o transporte da mercadoria. Na zona da separação, nós dividíamos os produtos doados. Estes eram depois pesados e etiquetados e, finalmente, armazenados. O ambiente esteve sempre muito animado, embora o rádio estivesse lá fora. Rapidamente ganhámos ritmos de trabalho paralelos, de forma a conseguirmos não incomodar as outras pessoas e a conversa foi-se soltando mais com o passar de poucas horas.

Já tinha sido voluntária antes, não em campanhas deste género mas conhecia a abnegação de muita gente que tenta fazer a sua pequena (grande) parte nesta tentativa de melhorar o Mundo. Esta iniciativa não foi diferente. Quando acabou o nosso turno, haviam já sido recolhidas sete (7!) toneladas de alimentos apenas no distrito de Portalegre, que vão depois ser distribuidas por institutições particulares de solidariedade social. Não quero sequer pensar naquelas dúvidas que surgem na cabeça de alguns sobre o destino que vai ser dado a todos os alimentos: eu ainda sou capaz de acreditar que as pessoas são honestas. E bastava a qualquer um ter visto a alegria com que se trabalhava ali para se deixar contagiar por ela e pensar que, depois desta grande campanha, vai haver mais gente feliz. E é tudo tão simples, realmente.

Com a cidade completamente cheia de energia (uma prova de BTT e a queima das fitas trouxeram tanta tanta gente...), a noite de hoje promete voltar a ser longa. Se o tempo ajudar, há-de ser uma noite de Praça da República, a falar com gente bonita e interessante, a esquecer-me que segunda-feira começa mais uma semana que promete ser infernal. Hajam muitos fins de semana assim e o pijama há-de ficar esquecido atrás das almofadas.

3 comentários:

Paulo Duarte Barbosa disse...

Depois de conversar esta noite com o coordenador do voluntariado, senti-me na obrigação de fazer uma actualização de última hora: onze (11!) toneladas.

M disse...

Parece-me que estamos claramente perante um caso de sucesso :)

Paulo Duarte Barbosa disse...

Última actualização em números arredondados: 25 toneladas.