agosto 13, 2008

M. e o avanço na estrutura corporativa

O programa das festas não era nada animador. Primeiro, falou-se de dois dias inteiros, sem conhecermos o horário. Depois passou apenas a ser um dia, com um brilhante horário das nove às cinco. E melhorou muito quando chegou o dia e descobrimos que o horário afinal não excedia as três e meia da tarde. A formação ia ser dada por um colega inglês vindo expressamente para o efeito e os resultados analisados em grupo e individualmente. Não era um dia facultativo mas não senti nenhuma pressão, nenhum inconveniente em ser estudada daquela maneira.

À chegada, encontramos um (atenção: preconceito!) invulgarmente atraente formador inglês. Louro, alto, certamente mais novo que eu e com um sotaque adorável, apresentou o plano do dia. Fomos avaliados em grupo e depois individualmente por pessoas diferentes. Foram-nos dadas situações vulgarmente associadas com a gestão de orçamentos e de pessoas e todos tivemos que tomar decisões, apresentar argumentos, esgrimir opiniões apaixonadamente. Tive sorte com o resto do grupo: foi muito fácil chegar a consensos sem nenhuma batalha campal e sem que apenas uma pessoa assumisse o protagonismo. A única coisa que tornou o exercício mais intenso e algo cansativo foi o facto de tudo ser feito em inglês: os debates, o relatório sobre e-learning, a apresentação individual. De resto, senti tudo como um jogo.

Quando penso nas palavras da pessoa que coordena todos os departamentos lá do prédio, sinto-me meio desconfortável. Serviria este dia para conhecer as nossas necessidades de formação, preparar-nos para dar o passo para a posição seguinte dentro da empresa. Nunca recusaria a oportunidade de progredir e tenho a agradecer as duas oportunidades que já tive até agora. Mas, como é evidente, quanto mais alto se sobe, menos as pessoas contam. Vamos deixando de trabalhar com elas e passando a contar com elas como números numa tabela qualquer, vamos ficando cada vez mais sozinhos. Só que, sendo uma pessoa medianamente ambiciosa, percebi que se vai aprendendo esta frieza pelo caminho e que, como algumas pessoas já me mostraram, podemos manter as pessoas sempre a nosso lado. Se haverá outra promoção, não sei. Mas sei que enquanto tiver este espaço para a parte de mim que está cheia de romance e poesia e música, viagens e amigos com quem beber cerveja, desgostos e desilusões serei menos máquina e mais carne. Portanto, salvem-me enquanto puderem :)

5 comentários:

ervilha. disse...

:)

não quero voltar na segunda-feira. e tu queres que te salvem. vamos fugir??

:)

M. disse...

Se me prometeres que me levas para um sítio bonito. De preferência sem tabelas de Excel, entrevistas e horas extra :D

ervilha. disse...

não percebo nada de excel. eu é mais word... quanto a horas extra, este trabalho faz-me disparar pela porta às seis. huumm... posso oferecer álcool, ajuda? :p

M. disse...

Oh, então não ajuda! Assim podes levar-me a sítios bonito sem sairmos realmente de onde estamos...

ervilha. disse...

para isso os livros também funcionam...:) mas não, fomos logo para o álcool [ok, eu fui logo para o álcool. hummm...]