setembro 16, 2007

Sobre óptimas maneiras de começar umas férias

Nós temos imenso jeito em inventar acontecimentos e épocas que merecem ser festejados e desta vez não foi diferente: festejámos, pelo segundo ano consecutivo, o final do Verão. Não que eu fique muito contente por estarmos já a entrar no Outono mas é uma forma de juntar mais gente em torno de um objectivo comum.

Se há coisa com que eu deliro é com longas horas sentada à mesa, bebendo a minha cervejinha fresca enquanto chegam à mesa pratos de chouriço e cacholeira assados, febras grelhadas acompanhadas por uma salada completíssima de tomate, cebola, pimento e pepino acabados de colher. Tínhamos a nossa própria mercearia, é um facto, e podíamos colher o que nos apetecesse. Nenhum dos produtos tinha o aspecto a que estamos habituados nos supermercados: estes tinham um aspecto natural, real, nada de legumes calibrados e brilhantes. E eu gostei de andar no meio da horta, a tentar descobrir os pimentos mais maduros, a pisar aquela terra fofa, resultado das chuvas e trovoadas dos últimos dias.

Depois, porque estamos no meio de amigos, há sempre alguma coisa que nos entretenha. Pudemos conversar calmamente na sala onde estava o lume, pudemos jogar às cartas às escuras, pudemos dançar à desgarrada e ser surpreendidos pelos nossos próprios talentos, tivemos direito aos nossos momentos de stand up comedy, finalizados pelo toque da tarola e do prato. Acabei o fim de semana quase sem voz ou pelo menos sem vontade de a maltratar ainda mais. Já tenho uma razão para me poupar nas palavras.

Não havia nenhum barulho à nossa volta. Nenhuma casa habitada, nenhuma estrada concorrida, nenhum café. Éramos nós, na quinta da Broa, e a serra atrás de nós. A calma destas noites só foi interrompida pelas trovoadas que se mantêm sobre nós há uns dias e pela nossa tentativa em fazer música. Quando o Sol se pôs, não havia ninguém na rua nem nenhuma brisa a remexer as folhas daquela videira. O mundo tinha ficado no portão e só tínhamos que nos preocupar em comer e em beber. Acho que não aguentava uma semana inteira de despreocupação. OK, talvez aguentasse. Desde que tivesse um daqueles sofás para acabar as tardes deitada debaixo da videira, só a estar.

2 comentários:

Joana disse...

Pois é amiga, foi muito bom e a avaliar pelo numero, ou melhor sacas de cerveja que 10 ou doze pessoas beberam (4 sacas) eu diria que ate te lembras de muita coisa...o que é sempre bom:)

tibeu disse...

Como deve ser bom viver como se lê neste post. Vamos voltar atras e deixar os hipermercados, regressar á merceraria do bairro e tudo mais. Vou recordar mais uma vez lendo este texto. Abraço