fevereiro 07, 2009

Dia 2: a sensualidade de um falsete

Ele aquece as hostes apenas com uma guitarra, algumas piadas em que mistura o inglês com o francês e um ritmo que lhe sai principalmente das ancas inquietas. Muitas vezes não canta, é mais um sussurro aquilo com que beija o microfone - um falsete rouco e suave. Quando ela entra em palco sente-se um equilíbrio: a doçura dela encanta, a vitalidade dele prende. Talvez à segunda ou terceira música, ela descalça-se e caminha delicadamente enquanto faz desfilar um conjunto de êxitos inesperadamente alterados. Durante quase duas horas, ouvimos o som das cigarras numa cálida noite de verão, as tristezas dos outros cantadas com uma candura natural, com uma simplicidade desarmante. Eu, que nada de particular esperava, saí de lá com um grande sorriso interior. Há um tempo para os desgostos e um tempo para mandarmos tudo à fava. Ontem foi dia de não pensar e de me deixar conquistar. Está quase.

So in a manner of speaking/I just want to say/That just like you I should find a way/To tell you everything/By saying nothing.

(os Nouvelle Vague tocaram ontem no CAEP)

3 comentários:

P. disse...

e quase não cantavam essa, com o ataque de riso dela!

foi miles de fofo! gosti!

(L)

curse of millhaven disse...

há muito que não oiço... mas gosto bastante :)

Pedro Sobreiro disse...

Já eu achei que ficou aquém das expectativas.

Faltaram as outras sereias da pandilha, faltou o cuidado cénico, teatralidade e uma iluminação condigna. Foi despidinho… Sentido, mas pobrezinho.

Uma celebração desta envergadura, uma sala repleta de pessoas que se apaixonaram por e ao som dos originais, que os redescobriram revestidos nesta lânguida onda bossa nova mereciam mais.

Mais fotos, imagens de vídeos no pano de fundo, muito mais memorabília dos gloriosos anos 80...

Como diz o sábio Godinho: “hoje soube-me a pouco…”.