fevereiro 25, 2009

Ficção #13

Ele entraria porta a dentro, sem trocarmos qualquer palavra. Eu caminharia à sua frente, de cabeça baixa, expectante e trémula. Estaria muito escuro mas a luz não faria falta para que nos pudéssemos ver. Eu conseguiria imaginar-lhe o olhar e ele conseguiria adivinhar-me o pudor. Longos minutos se estenderiam entre o momento em que lhe sentiria a pele macia nos ombros e a tranquilidade com que se deitava ao meu lado. Ele oferecer-me-ia temporariamente o seu coração nómada e eu não faria o esforço de esquecer que um dia já o quisera mais. Olharia para mim quase comovido, apenas por eu ser uma mulher e sorriria docemente, enquanto eu ajeitava o cabelo ao espelho. Soariam as primeiras horas da madrugada, seria a hora de lhe dizer adeus.

Mira el tiempo/Como casi sin querer mueve/El pelo blanco/Que hay entre tu pelo negro/Tu pecho suave y lindo/Huele/A otoño de amor

2 comentários:

K. disse...

A tu manera... mi niña M. :)

Sunrise disse...

Achei engraçadíssimo o título do teu blog. Há dias escrevi um post sobre borboletas na barriga :) hehe beijinhos