março 06, 2009

Acabou, finalmente.

Acabou esta semana que mais parece ter durado três meses inteirinhos. Como sobrevivi, dividida entre manter o nível do departamento e a compostura durante os despedimentos, ainda não sei. Mas ainda mexo e hoje, exactamente antes de acordar, tive um sonho muito bom. Estava grávida, a barriga enorme mas sem saber o sexo do bebé, que foi uma coisa que sempre quis - nove meses a desfrutar de uma criança, sem me preocupar com o seu género nem com as cores das paredes do quarto. Mas o sonho chegava a ser erótico, uma sensação de calor que não sei se é inerente às grávidas, as minhas mãos sobre a minha perfeita barriga redonda. E depois acordar, os dias ainda cinzentos e o meu corpo a pedir-me, preguiçoso, para ficar mais um bocadinho. A barriga ficou do outro lado.

E hoje quero sítios com fumo, conversas cruzadas em frente a um prato sem caril, dançar, se puder ser. E quero beber gins tónicos com uma palhinha e quero pensar que se a vida me trata tão bem, esta minha insatisfação toda só pode ser engano. E depois quero deixar de fugir, quero deitar-me de madrugada e repetir-lhe os passos, sentir-me desejada e conseguir calar o meu próprio desejo. E quero manter arrumadas as minhas recordações, nesse sítio bem fundo onde escolhi escondê-las, para que o meu olhar reflicta apenas esperança. Hoje fugia com ele, se me fizesse exactamente as mesmas perguntas, se me conseguisse enganar da mesma maneira e eu me enganasse também, pensando que era livre. Por isso, hoje vou deixar a tralha emocional em casa e vou sair oca. Livre de todos os compromissos e desilusões, livre para todos os compromissos e desilusões, feliz por esta semana ter acabado.

4 comentários:

locusapien disse...

Um brinde à sobrevivente... à mãe... à amante... à boémia... e aos sonhos, sem os quais não vivemos.

Bom fds.


Baci

Catarina disse...

é ( a sensação de calor, nas grávidas)

curse of millhaven disse...

diverte-te muito hoje.... :)


e sim, deve ser tão bom sentir um barrigão. tb quero, um dia.

Maria del Sol disse...

Mesmo sem partilhar, por enquanto, o famoso instinto maternal, consigo compreender o alívio. Espero que o fim-de-semana compense todas as agruras passadas. :)