março 29, 2009

Sobre a pele que há em mim tu não sabes nada *

Porque não queres. Fazemos parte de constelações tão diferentes, desalinhadas na sua essência, incapazes de se cruzarem em pleno trânsito astral. De vez em quando, pedes-me que me mantenha na tua órbita, num movimento estudado do qual já conheces o fim, porque foi assim que o planeaste sempre. E eu, de vez em quando, esqueço-me de ti, arrumo-te a um canto, declaro-te oficialmente erradicado de todos os momentos que antecedem o meu sono. Deixo de pensar nos teus lábios, nas perguntas que nunca chegaram a aparecer, nas perguntas que nunca me atrevi a verbalizar, no depois. Sobre a pele que há em mim tu não sabes nada. E eu, que sempre te quis entender, que um dia pensei que talvez tivesse chegado a hora, que te dou sempre segundas e terceiras e quartas oportunidades, hei-de aceitar que estou a anos-luz de quem tu queres. Nesse dia, mesmo a tua pele (o teu cheiro a efémero sobre os meus lençóis) deixará de contar, os teus olhos deixarão de me procurar quando estás de saída, as minhas mãos deixarão de escrever sobre ti. Mas continuarás sem saber nada sobre a minha pele.

* a Márcia tocou também esta quinta-feira no Maxime e escreve coisas muito bonitas e frágeis.

2 comentários:

locusapien disse...

hummm...

blueberry disse...

bem escrito...

tao verdade me parece hoje..