setembro 28, 2008

Late night *

Era eu no autocarro, eram pouco mais de sete da manhã e o coração saía-me pela boca. Havia quem saísse para o hospital e existias tu, dentro do meu peito, numa dimensão e proporção que nunca irei entender.

* porque preciso de escrever, empresta-me essa caneta. E papel, arranja-me um pedaço de papel. Pode ser do livro onde guardas as contas, escrevo um segredo no mesmo papel em que rabiscas os teus. Preciso de escrever. Amanhã quando voltar a ler isto vou achar-me pateta, sou uma drama queen. Mas agora deixa-me escrever que me rebenta o peito. Deixa que a enxurrada de palavras que não me ouves dizer seja imortalizada com a tinta. Meto o papel à pressa dentro da mala e escondo subtilmente as mágoas dentro da carteira. Serve-me mais uma cerveja. Mais uma, antes que comece a falar.

3 comentários:

pedro disse...

Sinto-me tão só nesta cidade...também sinto-me só porque me deixei enganar pelos meus sentimentos. Escreve. Preciso dessas palavras.

Maria del Sol disse...

Se calhar é pelo mesmo motivo que também eu passei a andar com uma caneta e um bloco no fundo da mala... o desgraçado já tem as folhas coçadas e encarquilhadas mas tem sido um fiel companheiro. :)

(e, correndo o risco de ser repetitiva com este comentário não resisto a dizê-lo: gosto muito do que escreves)

M. disse...

Pedro, não sei que cidade é essa mas não a deixes enganar-te mais vezes. Escreve tu também, talvez isso te ajude a ficar menos só :)

Maria, já tentei fazer disso um hábito mas acho que nunca consegui que pegasse. Quem sabe agora... ;)

(E obrigada, não imaginas como é bom ler coisas assim!)